14/05/2010

[Jornal de Sintra] Um Progresso em constante evolução







Vários atletas com vitórias significativas em desportos ainda pouco conhecidos. Eventos culturais que englobam concertos, dança e teatro. Um salão onde se realizam diversas actividades, muitas delas em parceria com outras entidades. A adesão à lista da comissão de entidades representadas no comité da Unesco para o Ano Internacional da Biodiversidade. São estas algumas das áreas em que o Progresso Clube, sedeado em Algueirão, se vai demarcando enquanto caminha para os seus 68 anos.
Quem entrasse no espaço deste clube, sedeado em Algueirão, sem lhe conhecer a história poderia encará-lo como um ginásio que organiza pontualmente outras actividades. No entanto, não é disso que se trata o Progresso Clube e rapidamente se consegue perceber que as várias actividades funcionam em paralelo, articuladas umas com as outras pelas suas semelhanças ou pelas pessoas que as protagonizam.
Foi no Dia Internacional da Dança, a 29 de Abril, que o JS teve oportunidade de visitar as instalações, recentemente melhoradas, deste clube, sedeado em Algueirão desde 1982 (antes disso, desde a sua fundação em 1942, esteve em Mem Martins). Aí esteve à conversa com o director cultural, Gabriel Mendes (com quem o JS já tinha falado, mas no papel de presidente da comissão científica da Federação Portuguesa de Espeleologia) e o presidente João Paulo Teixeira, sobre os projectos do Progresso Clube.
Um clube ecléctico
Este parece ser um exemplo que contraria a sociedade. “Nós temos esta ideia urbana em que vivemos num sítio e trabalhamos noutro, logo não há aquele sentimento pela terra que se calhar as pessoas há uns anos tinham”, explicou João Paulo Teixeira. Quebrando esse ciclo, as actividades do Progresso Clube valorizam a freguesia e criam nas pessoas raízes – pelo menos, mas certamente não só, nas 295 pessoas que se associaram em 2009, o que marcou o fim da anterior tendência de queda que se fazia sentir a nível associativo.
“A parte cultural é a que tem mais por onde crescer”, esclareceu Gabriel Mendes, e é essa uma das vertentes onde se tem investido. Como? Com novas modalidades como a dança (ballet, danças orientais, de salão, hip-hop) e o teatro, que se vai também articulando com a dança – já que esta é também uma forma de representação, explica o director cultural – através do trabalho no sentido de ajustar as expressões faciais ao movimento do corpo, por exemplo. “O Progresso foi muito bom em teatro na década de 60”, conta João Paulo Teixeira, “e esperamos que volte a ser uma referência na área da cultura”.
Na década de 60 o teatro tinha muito sucesso.
Entretanto, estão previstas audições para as diversas modalidades, de forma a que tanto os praticantes se apercebam dos seus próprios gostos e das suas qualidades, como os professores procedam à orientação e ao encaminhamento dos praticantes. Isto porque um dos objectivos principais é a formação.
Apesar de ser uma associação as suas portas são frequentemente abertas ao público com actividades diversificadas. De sócios – uma vez que toda a direcção é constituída por voluntários –, para sócios, bem como para outras pessoas – sintrenses e não só. O salão do Progresso tem sido usado, assim, através de aluguer e parcerias com várias entidades, para actividades como concertos, saraus, festas e outros eventos. Os próximos eventos agendados serão uma aula aberta de teatro, no dia 15, sábado, e uma colheita de sangue, organizada em conjunto com o Instituto Português do Sangue e o Clã do Grupo 82 da Associação de Escoteiros de Portugal, no dia 5 de Junho.

Sala de yoga em tons de lilás, o que facilita a meditação. No fim da aula os alunos podem usufruir de um chá.
Aproveitando a mais-valia de haver muitas crianças e jovens a participar em actividades do clube – o que consequentemente implica também as suas famílias – e no sentido de incutir um carácter pedagógico a essas actividades, o Progresso aderiu à lista da comissão de entidades representadas no comité da Unesco para o Ano Internacional da Biodiversidade, o que representa uma fusão entre a ciência e a cultura, que se farão apresentar num sarau, em Junho próximo, em que a linguagem utilizada será a dança e o teatro. Não é apenas assim que o Progresso contraria o rumo da sociedade, explica João Paulo Teixeira. “Falamos muito que as pessoas estão muito ligadas à internet, passam muito tempo à frente do computador. Então o Progresso também está na internet”, conta*. No entanto, também se realizam convívios, como caminhadas “quase espontâneas”, com participantes de modalidades tão diversas como o muay thai, conhecido pela sua agressividade, e de outras mais calmas como o yoga, caminhadas essas em que participam tanto crianças de colo como pessoas já reformadas. “A nossa necessidade de convívio faz com que tenhamos um leque de actividades que são paralelas a várias modalidades”, explica o presidente, não deixando de sublinhar: “Queremos que este convívio seja de 2010. Não queremos ficar parados no tempo”.
As caras mais conhecidas do clube são Rita Spider, professora de hip-hop que participa no concurso televisivo “Achas que Sabes Dançar?” e que tem ganho concursos internacionais e tem trabalhado em países como E.U.A., China, Alemanha, entre outros; o campeão do mundo no desporto muay thai, Paulo “Pilhas” Calhau; e o mestre Fernando Batista, já falecido, que se destacou no desporto bu jutsu. Vários outros atletas têm vencido provas em muay thai (ver caixa), uma modalidade em que o Progresso Clube é reconhecido internacionalmente e cujas galas, no próprio clube, recebem visitantes de vários pontos do mundo.
Esta é uma aposta que prima pela diferença, como explicou João Paulo Teixeira. “O facto de não estarmos vocacionados apenas para o desporto-rei, em que seríamos mais um, faz com que noutras áreas estejamos entre os melhores”. O futebol já foi uma modalidade do clube; hoje em dia, o Progresso dedica-se a desportos menos conhecidos, nos quais vai amealhando vitórias. É por isso, justifica o presidente, que ao ser questionado sobre o reconhecimento público por todo o mérito que o clube tem tido responde sucintamente: “claro que não”. Contudo, o público que se interessa por áreas como bu jutsu, muay thai e ju jitsu, sabe que é no Progresso Clube que poderão ter uma formação mais completa e encontrar uma sala que é considerada “mística”, contou João Paulo Teixeira.
De facto, com actividades várias, que se destacam na prática desportiva, e que se entrelaçam na cultura, bem como a crescente construção de pontes entre essas actividades, este é assim um Progresso (Clube) que se demonstra em constante evolução.
Maio tem sido um mês em cheio para o clube:

As atletas do Progresso Clube Andreia Almeida (-67 kg) e Ivanilda Vaz Té (-70 kg) vão representar a selecção nacional de muay thai nos Campeonatos da Europa da IFMA (International Federation of Muaythai Amateur – Federação Internacional de Muay Thai Amador), que decorrerão de 25 a 30 de Maio, no Bandinelli Spartaco Stadium, na cidade de Velletri, a 25 quilómetros de Roma, Itália.

Mais sete títulos foram conquistados no IV Campeonato Nacional de Muay Thai que se realizou no dia 1, no Pavilhão Desportivo Municipal do Bombarral, organizado pela Federação Portuguesa de Muay Thai: Campeões nacionais- Andreia Almeida (-65 kg), Ivanilda Vaz Té (+65 kg), Luís Cardoso (-60 kg) e Júlio Ventura (-75 kg). Vice-campeões nacionais- Raquel Gaspar (-60 kg), Fábio Freitas (-57 kg) e Tiago Campos (-63,5 kg).

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