quinta-feira, 1 de outubro de 2026

E se as famosas Queijadas de Sintra tivessem, afinal, começado em Mem Martins?

Hoje pode parecer estranho, mas durante muitos anos esta foi uma convicção defendida com unhas e dentes por antigos habitantes de Mem Martins.

Na memória dos mais antigos, havia uma certeza: as queijadas não eram apenas de Sintra — tinham raízes em Mem Martins.


E não se tratava simplesmente de uma história contada à mesa do café. 
Em 1962, por ocasião das festas de Nossa Senhora da Natividade, chegou mesmo a ser divulgado em Mem Martins um texto que defendia que o fabrico das famosas queijadas remontava ao século XIX e que a sua origem era Mem Martins.

A tradição local tinha argumentos próprios. Durante décadas, existiram em Mem Martins mulheres conhecidas como queijadeiras, que produziam artesanalmente aquelas pequenas iguarias, transmitindo receitas e conhecimentos de geração em geração.

A memória dessa atividade ficou até gravada na própria toponímia local: a Travessa das Queijadeiras recorda um tempo em que fazer queijadas fazia parte da vida económica e social da terra.

E foi precisamente daí que nasceu uma espécie de “disputa” histórica: de um lado, a fama consolidada das Queijadas de Sintra; do outro, a população de Mem Martins a defender que, por trás dessa fama, estava uma história que também era sua.

A verdade histórica, porém, é mais antiga e complicada. Existem referências a queijadas na região de Sintra desde a Idade Média, o que torna difícil apontar hoje um único lugar como o seu verdadeiro berço.

Mas uma coisa é certa: em Mem Martins, durante gerações, houve quem acreditasse firmemente que a história começara ali.

E talvez seja essa a parte mais curiosa desta história. Porque, para os antigos de Mem Martins, não era apenas uma questão de onde se vendiam as queijadas. Era uma questão de onde elas tinham nascido.

E tu, já tinhas ouvido esta velha história de que as Queijadas de Sintra eram, afinal, de Mem Martins?

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Cooperativa Fragal nasceu para criar habitação em Casais de Mem Martins

A Cooperativa de Habitação Económica Fragal nasceu na década de 1970, num período em que a procura de habitação e o movimento cooperativo ganhavam importância em Portugal.

Constituída formalmente em dezembro de 1976, a Fragal tinha como objetivo promover habitação cooperativa nos concelhos de Sintra e Lisboa, permitindo aos seus associados participar na construção das suas próprias casas. Entre os seus objetivos estavam também a criação de serviços de interesse coletivo e o desenvolvimento de atividades sociais e culturais.



Nos seus primeiros tempos, a cooperativa teve a sua sede provisória no Quartel da GNR, no Largo do Carmo, em Lisboa. Em 1977, já estava a preparar a construção de habitações no Casal dos Bizos, em Mem Martins, onde viria a nascer o bairro associado ao nome da Fragal.

A implantação da cooperativa deixou uma marca no território: ainda hoje existe a Praceta da Cooperativa Fragal, em Casais de Mem Martins, testemunhando a ligação entre a cooperativa e o desenvolvimento habitacional daquela zona.



A história da Fragal é, assim, também uma parte da história do crescimento urbano de Mem Martins, mostrando como o movimento cooperativo contribuiu para criar novas habitações e comunidades numa região que se transformava rapidamente a partir da década de 1970.

domingo, 27 de setembro de 2026

Contra-Relógio "Rampa das Mercês"

As Mercês foram palco, no domingo, 27 de setembro, da 1ª edição da 'Rampa das Mercês', uma nova iniciativa dedicada ao ciclismo e que promete levar competição e animação numa competição na Rapa da Feira das Mercês. 
Organizada pela Escola BTT Rio, a prova apresenta um formato particularmente exigente: um contrarrelógio individual numa distância de aproximadamente 450 metros, com cerca de 50 metros de desnível positivo.


Cada participante teve pela frente a subida da rampa da Feira das Mercês, procurando cumprir o percurso no menor tempo possível. A partida do primeiro atleta está prevista para as 10h00, dando início a uma manhã dedicada ao ciclismo. 

Com apenas 450 metros, a distância pareceu reduzida mas foi difícil, pois teve de se vencer o 50 metros de desnível tornam o percurso num verdadeiro teste à capacidade física dos participantes.


Morabeza '26

O Casal de São José (KSD) foi palco, no dia 26 de setembro, de um festival dedicado à música, à dança e à cultura urbana, reunindo ao longo da tarde vários artistas, DJ e projetos ligados sobretudo aos ritmos africanos.


Com o lema “Live Up”, o evento apresentou um programa diversificado, com nomes como Barbie Africana, Pampas, Deejayblackd, Melodee, Gb_m2tb, Powerunited, Cabinda_Ag, Starkito, Cesar_kc, VL_Block, Pinocoox.dj e Nádia Morais.

A animação contou também com momentos de African Dance, bem como com a participação dos Fidjos de Santa Catarina e de Guru Ksd & Sandro MM.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Piscinas Municipais de Ouressa: entrada mais reduzida após as obras levanta algumas preocupações

Após as obras realizadas nas Piscinas Municipais de Ouressa, alguns utilizadores têm chamado a atenção para as condições existentes na zona de entrada, sobretudo nos momentos que antecedem as aulas.


O espaço destinado à espera parece agora mais reduzido, existindo também menos bancos disponíveis para quem acompanha crianças ou para os utilizadores que necessitam de se sentar enquanto aguardam.

Outra questão prende-se com a passagem entre a zona das bancadas e a entrada das piscinas. Em dias de chuva, esta circulação pode tornar-se particularmente incómoda, sobretudo para crianças e pessoas mais idosas, que ficam mais expostas às condições climatéricas enquanto aguardam ou atravessam este espaço.

Uma solução simples poderia passar pela instalação de uma cobertura ou estrutura de proteção contra a chuva, permitindo que esta passagem fosse feita de forma mais confortável e segura.

Também seria importante avaliar se é possível reforçar o número de bancos na zona de entrada, tendo em conta o movimento existente durante os períodos de aulas.


As obras trouxeram melhorias ao equipamento, mas a utilização diária do espaço permite identificar alguns aspetos que poderiam ser aperfeiçoados.

Fica, assim, o alerta e a sugestão para que estas questões possam ser analisadas pelas entidades responsáveis, procurando tornar as Piscinas Municipais de Ouressa mais confortáveis e acessíveis para todos os seus utilizadores.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

História da Quinta do Scoto

A Quinta do Scoto está situada em Meleças, no concelho de Sintra, e ocupa um lugar importante no património português. Segundo a inscrição na base da cruz de pedra existente sobre a porta da antiga capela, a construção da Quinta foi concluída em 1746. Isto aconteceu apenas nove anos antes do grande terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e muitos edifícios das localidades vizinhas, incluindo Sintra.



Felizmente, a Quinta sobreviveu ao terramoto. No interior da capela existe uma placa de azulejos, datada de 1757, dando graças a Nossa Senhora da Misericórdia e a São Marçal, em agradecimento pela sobrevivência ao violento terramoto ocorrido dois anos antes.

Características especiais 
A Quinta conserva várias características muito próprias da época em que foi construída. Entre elas encontram-se os bancos de pedra maciça junto às janelas. Antes da existência de iluminação elétrica, as senhoras da casa senhorial sentavam-se nesses bancos para coser e observar o movimento no exterior.

Todas as janelas do rés-do-chão estão protegidas por grades metálicas exteriores, enquanto as janelas de grande altura do piso superior possuem guardas de ferro, elementos igualmente característicos daquele período. Mas uma das características mais extraordinárias da Quinta são os azulejos tradicionais, feitos à mão, em tons de azul e branco, que revestem as salas de receção do piso térreo.

Existem mais de 4.500 azulejos, datados da primeira metade do século XVIII, da época em que a Quinta foi construída. Em muitas das salas, os azulejos apresentam padrões tradicionais, incluindo representações de querubins e flores, repetidos com grande precisão ao longo das paredes. O ponto alto encontra-se na sala de jantar, decorada com raros e únicos azulejos figurativos que representam edifícios, homens e mulheres da nobreza, carruagens, cavalos, cães, cenas de caça, entre outros elementos.

Segundo a tradição, estes azulejos representam cenas dos arredores da Quinta na época da sua construção. Como muitos dos edifícios existentes na região não sobreviveram ao terramoto de 1755, os azulejos poderão constituir um valioso registo da paisagem e da vida local daquele período.

Rocha Martins e o Marquês de Pombal
O historiador e escritor português Rocha Martins, autor de várias obras de referência, viveu durante a década de 1940 numa pequena casa situada na extremidade da Quinta. Rocha Martins relata que um dos primeiros proprietários da Quinta do Scoto terá sido o capelão do Marquês de Pombal. Em 1777, após uma mudança na monarquia portuguesa, o Marquês de Pombal caiu em desgraça junto da nova rainha de Portugal. Segundo o relato, terá passado os seus últimos dias na Quinta, na companhia do seu capelão, antes de ser banido para a sua propriedade no Norte de Portugal.

As tropas de Napoleão
Existe ainda uma tradição segundo a qual, durante a Guerra Peninsular, quando a França ocupou Portugal no início do século XIX, o exército de Napoleão Bonaparte terá acampado nos terrenos da Quinta. A localização estratégica da Quinta e a abundância de água terão sido fatores que contribuíram para a escolha daquele local.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Obras no Apeadeiro de Algueirão Mem Martins

A Estação de Algueirão–Mem Martins poderá entrar nos próximos anos num novo ciclo de requalificação, com intervenções destinadas a melhorar as condições oferecidas diariamente aos milhares de passageiros que utilizam a Linha de Sintra.

De acordo com informação recentemente divulgada, está prevista uma primeira intervenção a partir de 2027, que deverá incluir trabalhos de beneficiação das atuais instalações, nomeadamente coberturas e pintura, procurando melhorar as condições de utilização e proteção dos passageiros.

A intervenção não deverá ficar, contudo, por estes trabalhos iniciais. Está prevista uma reformulação mais profunda da estação, com o objetivo de melhorar a infraestrutura ferroviária e as condições de conforto e utilização.

A intenção apontada é que o processo de requalificação se desenvolva nos próximos anos, com uma previsão de conclusão global até 2030.

Paralelamente à intervenção na estação ferroviária, está prevista uma importante obra no espaço público envolvente.

Em 2026 foi celebrado um contrato para a “Requalificação do Espaço Público do Algueirão e do Largo 25 de Abril/Largo da Estação, em Mem Martins”, uma intervenção que representa um investimento superior a 2,4 milhões de euros.

A obra inclui também a reformulação de redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais e tem um prazo de execução previsto de 540 dias.

A conjugação destas intervenções poderá significar uma transformação significativa de toda a zona da estação, não apenas no espaço ferroviário, mas também nas áreas públicas que fazem a ligação à estação e ao centro de Mem Martins.

A Estação de Algueirão–Mem Martins é uma das principais portas de entrada e saída da freguesia e desempenha um papel fundamental na ligação ferroviária a Lisboa e aos restantes pontos da Linha de Sintra.

Depois de anos de reivindicações relacionadas com as condições da estação, as intervenções previstas poderão representar uma mudança importante para quem utiliza diariamente o comboio.

2027 será, assim, um ano que poderá marcar o início de uma nova fase para a Estação de Algueirão–Mem Martins, ficando o grande desafio para os anos seguintes: concretizar a requalificação anunciada e devolver à estação condições adequadas à dimensão e importância da população que serve.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Ermida de São Romão

A fundação é atribuída ao século XII, portanto é um dos elementos históricos mais antigos da freguesia. Foi construída aproveitando materiais romanos que já existiam no local. A zona envolvente possui importantes vestígios arqueológicos romanos e pré-históricos, sendo identificada no PDM como Estação Arqueológica de São Romão. No século XVI sofreu uma importante remodelação, incluindo alterações na capela-mor. Em 1921 foram observados vestígios de pinturas murais com cores vermelha e amarela. 


Em
1956 houve uma tentativa de recuperação: chegou a existir uma subscrição pública e o arquiteto Norte Júnior elaborou um projeto para um novo templo, mas a obra não avançou. Já em 1758, a ermida era mencionada nas Memórias Paroquiais. Do local das ruínas saíram também monumentos com inscrições, associados à ocupação romana.

As ruínas da Ermida de São Romão chegaram a constar de processos de proteção patrimonial no município de Sintra. 

Pia Batismal da Igreja do Telhal

Dentro da Igreja da Casa de Saúde do Telhal existe um pormenor que muitas vezes passa despercebido: a sua pia batismal em granito.


A peça é constituída por uma pequena coluna e por vários tambores de épocas diferentes, terminando numa taça hemisférica estriada. Esta particularidade torna a pia especialmente curiosa, pois revela que o seu conjunto foi sendo formado ou reaproveitado ao longo do tempo.

O batistério onde se encontra também merece atenção. As paredes apresentam um revestimento de azulejos azuis e brancos, enquanto a cobertura possui uma decoração em estuque com anjos e grinaldas de flores.

Mais do que um simples objeto religioso, a pia batismal é uma pequena testemunha da história do templo e das pessoas que, ao longo de gerações, passaram por este espaço para celebrar o Batismo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

38 anos do Incêndio na Printer/Duraplás

Em setembro de 1988, um incêndio de grandes proporções na zona industrial de Mem Martins colocou bombeiros, empresas e população perante uma realidade preocupante: os riscos eram elevados, mas os meios para lhes fazer frente eram insuficientes.


A notícia, publicada a 30 de novembro de 1988, dava conta das consequências do incêndio ocorrido no dia 17 de setembro, que atingiu as instalações das empresas Printer e Duraplas. O fogo destruiu duas fábricas e provocou ferimentos em cerca de 60 bombeiros, levantando sérias dúvidas sobre as condições de segurança existentes naquela zona industrial.

Segundo os relatos dos bombeiros de Algueirão-Mem Martins, o combate às chamas foi particularmente difícil. As instalações armazenavam materiais e produtos potencialmente perigosos e, durante a operação, chegaram a ocorrer explosões, com o incêndio a atingir dezenas de viaturas. Mas o fogo não revelou apenas os perigos existentes nas fábricas. Trouxe também para a primeira linha de discussão um problema que os bombeiros já vinham denunciando: a falta de equipamento adequado para combater incêndios industriais. A corporação de Algueirão-Mem Martins alertava para a necessidade de meios específicos, como máscaras, fatos de proteção e equipamentos capazes de lidar com produtos químicos. Os bombeiros consideravam que os materiais disponíveis eram insuficientes perante incêndios daquela dimensão.

Uma zona industrial demasiado próxima das habitações
Outro dos grandes problemas apontados na reportagem era a localização da zona industrial. Na época, existiam dezenas de unidades industriais e algumas encontravam-se próximas de zonas habitacionais. Os responsáveis pelos bombeiros manifestavam preocupação com a possibilidade de um incêndio de maiores dimensões ultrapassar os limites das instalações industriais e atingir áreas residenciais. A reportagem levantava, assim, uma questão que continua a ser importante quando se fala de planeamento urbano e segurança: até que ponto é seguro ter determinadas atividades industriais junto das zonas onde vivem milhares de pessoas?


1.600 contos de prejuízos
Além dos riscos para as pessoas, o incêndio provocou elevados prejuízos materiais. A notícia fala em cerca de 1.600 contos de perdas nas duas fábricas atingidas. Entre o material danificado encontravam-se 11 mangueiras, 30 fatos, 200 litros de espuma, 855 litros de combustível e outros equipamentos, além de danos provocados nas viaturas utilizadas no combate ao incêndio. Para os bombeiros, porém, a questão não se resumia ao dinheiro. O episódio demonstrava a necessidade de reforçar os meios de prevenção e de combate aos incêndios industriais.

Uma notícia que ficou para a história de Mem Martins
Lida hoje, esta reportagem é também um interessante retrato de Algueirão-Mem Martins no final dos anos 80. A expansão industrial, o crescimento urbano e a proximidade entre fábricas e habitações começavam a colocar novos desafios às autoridades e às corporações de bombeiros. 
Mais do que contar um incêndio, a notícia de 1988 deixa um alerta: uma tragédia pode revelar problemas que já estavam identificados muito antes de acontecer.

Quase quatro décadas depois, este documento de imprensa constitui uma importante memória local e ajuda-nos a perceber como era a realidade industrial e urbana de Algueirão-Mem Martins em 1988 — e as preocupações que já existiam nessa altura com a segurança da população.

Fonte: recorte de imprensa, 30 de novembro de 1988.



Elevação a Cidade

A antiga vila de Agualva-Cacém foi elevada oficialmente a cidade pela Lei n.º 34/2001, de 12 de julho. Na altura, o processo justificava-se pelo crescimento populacional, equipamentos, comércio, indústria, transportes e serviços. A proposta parlamentar de 1996 já dizia que Agualva-Cacém reunia os requisitos previstos na legislação para ser cidade.

E Algueirão-Mem Martins? Aqui está a parte curiosa: Algueirão-Mem Martins chegou a ter um projeto de lei para passar a cidade! Em 12 de maio de 1997, foi apresentado na Assembleia da República o Projeto de Lei n.º 358/VII – Elevação de Algueirão-Mem Martins à categoria de cidade. E a proposta era bastante clara: dizia que a vila tinha cerca de 55.600 habitantes, forte atividade comercial e industrial, escolas, transportes rodoviários e ferroviários, mercados, serviços, etc., concluindo que cumpria os requisitos legais para ser elevada a cidade.

Mas o projeto não avançou até à criação da cidade. Algueirão-Mem Martins permaneceu vila, categoria que possui desde 1 de fevereiro de 1988. E há ainda uma ironia interessante: o próprio Plano Diretor Municipal de Sintra de 2020 trata Algueirão-Mem Martins como um dos principais núcleos urbanos do concelho, prevendo um “Plano de Urbanização de Algueirão-Mem Martins, incluindo Rio de Mouro”, enquanto Agualva-Cacém tem o seu próprio plano de urbanização como cidade.

Ou seja: Algueirão-Mem Martins não é vila por ser pequena ou pouco desenvolvida. É vila porque nunca chegou a ser aprovada a sua elevação a cidade.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Saloios

Quando ouvimos falar em saloios, pensamos muitas vezes nas zonas rurais que rodeavam Lisboa, nas hortas, nos agricultores e nos produtos que chegavam à cidade. Mas a palavra saloio tem uma história muito mais rica.

O que significa “saloio”? 
Tradicionalmente, chamavam-se saloios às populações rurais que viviam nos arredores de Lisboa, sobretudo na região conhecida como Região Saloia. Esta região abrangia diversos territórios dos atuais concelhos de Sintra, Mafra, Loures, Odivelas, Amadora e Cascais, entre outros locais próximos da capital.

Os saloios viviam sobretudo da agricultura e da criação de animais. Cultivavam trigo, milho, legumes, frutas e outros produtos agrícolas, que eram posteriormente vendidos ou transportados para Lisboa. Uma ligação muito forte a Lisboa. Durante séculos, Lisboa dependia bastante das terras que a rodeavam.

Os saloios tinham, por isso, um papel importante no abastecimento da cidade. Todos os dias chegavam a Lisboa produtos provenientes das zonas rurais vizinhas, transportados por carroças, animais e, mais tarde, por outros meios de transporte.

Era uma relação de proximidade entre a cidade e o campo: Lisboa consumia e a região saloia produzia.

E de onde vem a palavra “saloio”? 
A origem da palavra não é totalmente consensual. Uma das explicações mais divulgadas relaciona “saloio” com o termo árabe “ṣaḥrāwī”, associado a quem vive no campo ou no deserto. Ao longo dos séculos, a palavra passou a ser utilizada para designar as populações rurais dos arredores de Lisboa. Com o tempo, “saloio” deixou também de ser apenas uma designação geográfica ou social e passou a fazer parte da identidade cultural da região.

Os saloios de Sintra
A zona de Sintra tem uma ligação particularmente forte à cultura saloia. Muito antes da enorme expansão urbana que conhecemos atualmente, grande parte do território era constituída por campos agrícolas, quintas, casais e pequenas povoações. Locais que hoje fazem parte da área metropolitana de Lisboa tinham uma vida profundamente ligada à agricultura. Algueirão e Mem Martins não ficaram à margem dessa transformação.  O crescimento urbano alterou profundamente a paisagem e o modo de vida local, mas muitos nomes de lugares, quintas, caminhos e tradições ainda recordam esse passado rural.

Saloio não é sinónimo de “ignorante”
É importante esclarecer uma ideia que ainda hoje pode causar alguma confusão. A palavra “saloio” também foi utilizada de forma depreciativa, para caracterizar alguém considerado ingénuo, pouco sofisticado ou rude. Mas esse significado não corresponde à origem histórica do termo. Ser saloio, no seu sentido tradicional, está relacionado sobretudo com uma população rural dos arredores de Lisboa e com uma determinada forma de viver, trabalhar e relacionar-se com a terra.

Hoje, a região está profundamente urbanizada e integrada na Área Metropolitana de Lisboa. No entanto, a identidade saloia continua presente em muitos aspetos da cultura local: na gastronomia, nas festas e tradições populares, nas antigas quintas e propriedades agrícolas, nos produtos da terra, na arquitetura rural, nas histórias e memórias das populações, e até em muitos nomes de lugares.

Por isso, quando falamos dos saloios, não estamos apenas a falar de pessoas que viviam no campo. Estamos a falar de uma população, de um território, de uma cultura e de uma parte importante da história dos arredores de Lisboa.

E Algueirão–Mem Martins? A história de Algueirão–Mem Martins também pode ser contada através dessa transformação: de um território marcado por quintas, campos e atividades agrícolas para uma das zonas urbanas mais populosas do concelho de Sintra. Conhecer o passado saloio da região é, por isso, uma forma de compreender melhor como era Algueirão–Mem Martins antes da urbanização que hoje conhecemos.

[TSF] As obras na estação de comboios de Algueirão-Mem Martins vão arrancar no próximo ano.

Há já alguns anos que os utentes da linha ferroviária de Sintra se queixam da falta de abrigos e dos maus acessos à estação de comboios. Até 2030 as intervenções deverão estar terminadas.

A linha de Sintra fornece cerca de metade das viagens da Comboios de Portugal (CP) a nível nacional. Quem o garante é o presidente da Câmara Municipal de Sintra e acrescenta que atualmente a estação ferroviária de Algueirão-Mem Martins "é um apeadeiro pelas condições que tem, nem tem estatuto de estação. Marco Almeida confirma ainda que tem tido algumas reuniões com o ministério das Infraestruturas de forma a avançar com os trabalhos de remodelação. Explica que o ministro Miguel Pinto Luz "fez questão de dizer à IP [Infraestruturas de Portugal] que a reformulação do apeadeiro em estação tinha que ser urgente". Neste sentido, já é certo que, durante o próximo ano de 2027, a estação de comboio vai ter "uma primeira intervenção" que inclui "colocação de coberturas e a pintura da estação". O objetivo é, indica o presidente da Câmara Municipal de Sintra, "dar mais dignidade e mais conforto aos utentes que usam aquela estação". Deixa ainda o compromisso de que "até 2030 ela esteja completamente reformulada".

Fonte: Obras na estação de Algueirão-Mem Martins começam em 2027


sábado, 12 de setembro de 2026

Forno da Padaria Primavera

Imagem do forno do pão da antiga padaria primavera, no largo da estação de Mem Martins



CETOP

O CETOP era o Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância, uma instituição de ensino por correspondência que funcionava em Mem Martins.

Nos anos 70, oferecia cursos técnico-profissionais por correspondência em áreas como: Eletricidade, Mecânica, Automóveis e motores, Desenho Técnico, Construção Civil, Comércio e Secretariado, Contabilidade, Corte e Confeção, Higiene e Saúde, Cultura Geral


Um anúncio da época confirma o endereço “Apartado 7 – Mem Martins” e apresenta precisamente o CETOP como Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância. Curiosamente, o CETOP acabou também por ficar associado à edição de livros técnicos, existindo numerosas obras publicadas pelas Edições CETOP, Mem Martins.



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O Arboretum do 'Casal dos Choupos': uma história esquecida de Mem Martins

Sabia que, há mais de 75 anos, existia em Mem Martins um arboreto dedicado ao estudo das árvores e do povoamento florestal?  
Hoje, o nome Casal dos Choupos está sobretudo associado à história rural de Mem Martins e às antigas atividades agrícolas que marcaram aquela zona. 


Mas existe uma faceta muito menos conhecida da sua história. Em Fevereiro de 1949, a Gazeta das Aldeias publicou, em dois números consecutivos, um trabalho do engenheiro silvicultor Carlos Manuel Baeta Neves, intitulado:

«O Arboretum do Casal dos Choupos e o repovoamento florestal da região de Mem Martins». 
Um arboreto em Mem Martins?
A palavra arboreto designa uma área onde são cultivadas e observadas diferentes espécies de árvores, com interesse científico, florestal ou educativo. Assim, o Casal dos Choupos não era apenas uma antiga propriedade agrícola. Existia ali um espaço que despertava o interesse da silvicultura, numa época em que se procurava conhecer melhor o comportamento de diferentes espécies arbóreas e aumentar o coberto florestal.


Carlos Baeta Neves dedicou grande parte da sua atividade ao estudo das florestas portuguesas e ao comportamento de espécies florestais, incluindo espécies introduzidas no nosso país. O próprio investigador viria posteriormente a mencionar o Arboreto do Casal dos Choupos, em Mem-Martins, entre os locais onde realizou observações.

Mem Martins antes da grande urbanização
É importante imaginar como seria a nossa freguesia naquela época. Estamos no final dos anos 30 e durante os anos 40, quando Mem Martins ainda apresentava uma forte componente rural. Quintas, campos agrícolas, caminhos, terrenos de cultivo, linhas de água e manchas de vegetação faziam parte da paisagem. Os próprios nomes de algumas ruas que chegaram até aos nossos dias recordam esse passado: Rua das Eiras, Rua das Vagens, Rua da Azenha ou Rua das Hortas. Foi neste território ainda predominantemente rural que surgiu o interesse pelo repovoamento florestal da região de Mem Martins.

Carlos Baeta Neves
O autor do trabalho, Carlos Manuel Baeta Neves, foi uma figura de relevo da silvicultura portuguesa. Esteve ligado ao estudo das florestas, à arborização e à investigação sobre espécies florestais. Em 1948, participou também na fundação da Liga para a Proteção da Natureza. Por isso, a existência de um trabalho especificamente dedicado ao Arboretum do Casal dos Choupos revela que Mem Martins teve, há muitas décadas, um papel que provavelmente poucos habitantes conhecem na história do estudo florestal português.


Uma história que ainda tem muito para descobrir
E aqui começa a parte mais interessante. Que árvores existiam naquele arboreto? Onde ficava exatamente dentro do Casal dos Choupos? Qual era a sua dimensão? Que espécies estavam a ser estudadas? Que zonas da região de Mem Martins se pretendia arborizar?
Estas são perguntas para as quais ainda será necessário consultar documentação da época, nomeadamente os dois artigos publicados na Gazeta das Aldeias em 1949. Talvez essa investigação permita recuperar uma história praticamente esquecida da nossa freguesia.

Uma história em que árvores, ciência e floresta se cruzaram com a paisagem rural de Mem Martins, décadas antes da grande transformação urbana que conhecemos hoje.

Conhecia a existência do Arboretum do Casal dos Choupos?


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

NOVA FONTE DO ROSSIO DA FONTE 2026

Acho que a "Nova Fonte do Rossio da Fonte", junto da Capela, em Mem Martins, está concluída e pintada... 

A nova linha de água que foi desenhada e construída sempre cheio de folhas numa zona com grandes Plátanos, provoca que a água se espalhe por todo lado...

Quem assinou este projeto nunca terá previsto este cenário? 

E em dias de grande temporal? Chuvas fortes e muito vento, como será? e a ligação desta nova linha de água com a Ribeira da Lage deveria ser claramente maior...

Foi uma obra que demorou muito tempo, DESTRUIU A ANTIGA FONTE para isto... destruíram-se azulejos e memórias de um local histórico e simbólico.

Quem é o responsável???
Ninguém sabe...  todos empurram para o lado....






A Igreja Azul de Mem Martins: uma história de fé, arquitetura e simbolismo

Quem passa pela Rua Artur Bual, em Mem Martins, dificilmente fica indiferente àquela construção de uma cor tão pouco habitual num templo religioso. É a conhecida “Igreja Azul”, oficialmente dedicada a Nossa Senhora da Natividade. Mas por detrás do seu azul característico existe uma história que merece ser recordada.


Um sonho antigo da comunidade
A construção da nova igreja nasceu de uma necessidade sentida durante muitos anos pela comunidade de Mem Martins. O crescimento da população tornou evidente a necessidade de um espaço de culto mais amplo, bem como de instalações destinadas à catequese, formação e atividades da comunidade. A primeira pedra foi benzida em junho de 2011, dando início a uma obra que demoraria vários anos a concretizar-se. Finalmente, no dia 3 de abril de 2016, chegou o momento tão aguardado: a nova Igreja de Nossa Senhora da Natividade foi solenemente dedicada pelo então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Foi o culminar de muitos anos de trabalho, esforços e participação da comunidade local.

Mas porquê uma igreja azul?
Esta é provavelmente a maior curiosidade deste edifício. A cor azul não foi escolhida por acaso. O projeto teve como principal autor o arquiteto Arsénio Raposo Cordeiro, sendo posteriormente concretizado com a colaboração dos arquitetos Diogo Lino Pimentel e Gonçalo Jorge.

A inspiração arquitetónica veio dos templos da antiga Babilónia. Segundo a explicação deixada pelos responsáveis pelo projeto, o azul era utilizado nesses templos para assinalar o espaço associado à presença divina. Na Igreja de Nossa Senhora da Natividade, o azul assume ainda uma segunda dimensão simbólica: está relacionado com o manto azul tradicionalmente associado às representações de Nossa Senhora. Assim, aquilo que para muitos é simplesmente “a Igreja Azul” é, na realidade, uma escolha arquitetónica carregada de significado.

Um interior também pensado ao pormenor
A originalidade da igreja não está apenas na sua fachada. O espaço interior foi concebido em forma quadrangular e organizado em torno de quatro grandes pilares. Sobre eles desenvolvem-se arcos que formam duas abóbadas cruzadas na zona central do altar. No centro, uma abertura em forma de cruz permite a entrada de luz natural, criando um efeito particularmente interessante no interior do templo.

Nossa Senhora da Natividade
Outro elemento que merece atenção é a grande imagem de Nossa Senhora da Natividade, situada no interior da igreja. A escultura, com cerca de dois metros de altura, é da autoria do escultor João Oom e foi benzida durante a cerimónia de dedicação da igreja. A imagem foi concebida com vários símbolos associados à tradição mariana, entre eles a lua, o lírio e a coroa de estrelas, procurando representar artisticamente a Natividade de Maria.

Uma igreja que já faz parte da paisagem de Mem Martins
Hoje, a Igreja de Nossa Senhora da Natividade é uma das construções mais facilmente reconhecíveis de Mem Martins. A sua cor azul tornou-se uma referência visual da localidade e deu origem ao nome pelo qual muitos habitantes simplesmente a conhecem: “Igreja Azul”. Curiosamente, a igreja é também uma espécie de encontro entre diferentes épocas: a tradição cristã e a devoção a Nossa Senhora juntam-se a uma arquitetura inspirada na antiga Mesopotâmia, criando um edifício moderno mas cheio de referências históricas e simbólicas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Insígnias das Festas de nossa Sra Natividade

Todos os beneméritos que davam um contributo para as despesas de se realizar a festa em honra da Nossa Senhora da Natividade recebia de oferta uma medalha destas para ostentar na lapela do casaco no dia da festa não sei se também era oferecido às mulheres ou se era só para os homens.










Linha água na Estrada de Mem Martins



Na casa ao lado da Sede da Junta de Freguesia, a linha de água passa mesmo por debaixo da moradia, que em dias de muita chuva se ouve a água correr. 



domingo, 6 de setembro de 2026

Procissão de Mem Martins 1965

 

... a Procissão de Nossa Sra da Natividade a chegar ao Largo da Estação em 1965




sábado, 5 de setembro de 2026

Procissão nossa Sra Natividade 1936

 

6 de setembro 1936 

Procissão de Mem Martins,Nossa Senhora da Natividade e Sagrado Coracao de Jesus.

Festas de Mem Martins em 1934

Festas de Nossa Sra Natividade em 1934, com a presença do prof. Dr. Joaquim Fontes.