Tempo em Algueirão Mem Martins

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

"A Noite das Mentiras" chega a Mem Martins

O grupo de teatro do CCDS – Centro de Cultura e Desporto Sintrense, “Os Cintrões” sobe ao palco do Mem Martins Sport Clube, 22 de novembro, para apresentar a peça “A Noite das Mentiras”, uma comédia dramática em dois atos escrita por Alfonso Paso e adaptada e encenada por Rodrigo Tico.

O elenco conta com as interpretações de Graça Reis, Paulo Monteiro, Rodrigo Tico, Alexandra Guerreiro, Maria Miranda, Ana Pereira, João Pedro Rosa e Miguel Almeida.


A equipa técnica integra ainda Eunice Andrade e Graça Reis nos arranjos e preparação de guarda-roupa, Ana Cristina Rosa na produção e apoio, e Rodrigo Correia e António Ribeiro na montagem de cenários, adereços e transporte.

O espetáculo, promovido pelo CCDSintrense, promete uma tarde de humor e reflexão, com personagens que se envolvem em situações inesperadas e cheias de reviravoltas. As reservas podem ser efetuadas através do e-mail mmscgeral@sapo.pt ou dos números de telefone 219 210 532/934 387 212/916 718 719.

sábado, 15 de novembro de 2025

Feira de Fanares

A antiga feira de Fanares tinha um encanto próprio, daqueles que só quem cresceu em Algueirão Mem Martins conhece bem.

Realizava-se religiosamente ao sábado e à quarta-feira de manhã, quando ainda o sol mal tinha acordado e já se sentia no ar o movimento apressado das bancas a serem montadas. O cheiro a fruta saloia — doce, fresca, de cores vivas — enchia o espaço inteiro. Eram morangos, maçãs, laranjas, figos e uvas de uma qualidade que parecia impossível de encontrar noutro lugar. A fruta vinha ainda com o toque da terra, e com as histórias dos agricultores que a criavam.

Ao passar o túnel estreito debaixo dos prédios, abria-se um novo universo. Ali encontrávamos de tudo um pouco: bancas de roupas empilhadas com camisolas de lã e casacos baratos, cassetes quase pirata com coletâneas improváveis, e aquelas verdadeiras “oportunidades” que só quem frequentava a feira entendia — coisas úteis, outras nem tanto, mas sempre com um charme especial.

No edifício principal da feira vivia outro ritual próprio: o peixe fresco da costa atlântica. As peixeiras eram figuras queridas, mulheres de voz forte e sorriso fácil, que conheciam o nome da maioria dos seus clientes. Sabiam quem gostava da pescada mais alta, quem queria a dourada mais brilhante, quem levava sempre uns carapaus para o almoço de domingo. Entre pregões, risadas e conversas sobre o tempo, transformavam a compra do peixe em algo muito mais pessoal.

A feira de Fanares era mais do que comércio. Era encontro, rotina, vizinhança viva. Um pedaço de Mem Martins que permanece na memória de quem lá passou — com saudade, com histórias, com aquele espírito simples e genuíno que já não se encontra em muitos lugares.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Chuva Utentes CP

Durante quanto tempo os utentes da CP da estação de Algueirão Mem Martins vão continuar com este cenário em dias de chuva??




Exposição "O Humor é Fixe! - As Caricaturas de uma Vida"

Na Quinta do Butler, em Mem Martins, com caricaturas dedicadas a Mário Soares, até dia 01 dezembro.


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Corta-Mato no Agrupamento MDS, com presença de Patrícia Mamona

Corta-Mato na sede do Agrupamento Mestres Domingos Saraiva, no Algueirão. 

Os alunos de 3.º e 4.º ano participaram demonstrando que o importante é participar, dar o seu melhor e divertir-se! 

Com a presença da Patrícia Mamona, atleta olímpica e um verdadeiro exemplo de determinação e superação, que inspirou todos com o seu sorriso e simpatia. 


Parabéns a todos os participantes  



Externato Rainha Sta Isabel, em Fanares

Na tranquila rua de Fanares, em Mem Martins, existiu durante alguns anos o Externato Rainha Santa Isabel, uma pequena escola que marcou a infância de muitas meninas da zona. Funcionava numa moradia acolhedora, com o ambiente familiar e simples típico das escolas de bairro de outros tempos.

Era uma escola onde o riso das meninas — todas com o seu bibe cor-de-rosa, igual e inconfundível — enchia o pátio e as salas de madeira. As recordações desse tempo ainda vivem na memória de quem lá estudou: os cheiros, os cadernos cuidadosamente forrados, as vozes das professoras, o toque da campainha improvisada.

Hoje, a casa já não existe. Foi demolida, e no seu lugar ergue-se agora um prédio moderno, sem graça nem história, como tantos outros. Mas para quem ali passou a infância, o número da rua de Fanares onde se encontrava o Externato continua a guardar um pedaço de Mem Martins que já não volta — um tempo em que aprender era também brincar, e as escolas tinham alma.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Algueirão-Mem Martins acolhe nova sessão do Festival “Um Filme em Cada Esquina”

No próximo dia 14 de novembro, pelas 21h00, o Ponto Kultural, em Algueirão-Mem Martins, será palco de mais uma sessão do Festival Internacional de Cinema “Um Filme em Cada Esquina”.

A sexta sessão do Festival contará com a exibição três curtas-metragens de três diferentes países: Vegetalidade (Portugal, 2024), de Frederico Ferreira; 3 vendors of Ipanema (Estados Unidos, 2024), de Jonathan S. Lee; e Embrasse-moi (França, 2024), de Hristo Todorov. Após as projeções, o público será convidado a participar numa conversa com os realizadores, promovendo o diálogo e a partilha de experiências cinematográficas.


Mais cedo, às 15h, o evento contará com uma sessão dedicada à comunidade escolar, com o mesmo alinhamento de filmes e a conversa com os cineastas.

O Festival “Um Filme em Cada Esquina” visa criar uma alternativa ao circuito tradicional de cinema, promovendo uma cultura cinematográfica mais acessível. O projeto, que de maio de 2025 a abril de 2026, conta com 22 sessões distribuídas pelas freguesias do concelho de Sintra. Cada freguesia acolhe duas sessões, uma para o público escolar e outra para o público em geral.

Com uma periodicidade mensal, cada sessão integra a projeção de três a quatro curtas-metragens, seguidas de conversas com membros da equipa artística do festival, realizadores e outros profissionais do setor cinematográfico.

Este projeto é promovido pela RUGAS - Associação Cultural, em parceria com a produtora Cidades Irrequietas Filmes, e conta com o apoio da Câmara Municipal de Sintra.

Saiba mais sobre o projeto e as próximas sessões, AQUI.

A entrada é livre, sujeita à lotação do espaço.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

[sintranotícias] Fusão: Repartição de Finanças do Cacém vai encerrar e fica agregada a Algueirão-Mem Martins

Serviço de Finanças do Cacém (Sintra 3), a funcionar na loja do Cidadão na Cidade de Agualva-Cacém, vai encerrar em definitivo e fica agregado à repartição de Finanças de Algueirão Mem Martins (Sintra 2), a funcionar na Tapada das Mercês.


A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) já deu seguimento à fusão do Serviço de Finanças de Sintra 3 com o de Sintra 2, no âmbito de uma estratégia nacional de otimização de recursos e modernização dos serviços. A decisão foi formalizada através do Despacho n.º 12921/2025, publicado hoje, em Diário da República.

A medida insere-se num contexto de “maximização da eficiência, eficácia e qualidade dos serviços” prestados pela AT, acompanhando o processo de desmaterialização e racionalização dos métodos de trabalho. A concentração dos dois serviços pretende, assim, melhorar as condições de atendimento e aumentar a proximidade com os cidadãos.

A reorganização permitirá um melhor aproveitamento dos recursos humanos e materiais disponíveis, contribuindo para uma resposta mais célere e eficaz às necessidades dos contribuintes. A medida enquadra-se ainda na política de modernização administrativa em curso, que aposta na digitalização e na simplificação dos procedimentos fiscais.

A AT justifica a fusão com a necessidade de racionalizar meios, promover a desmaterialização de processos e garantir um serviço mais próximo e eficaz aos cidadãos.

Limpeza das Sargetas


Esta semana foi feito na Rua do Coudel, em Mem Martins, algo que deveria ser comum, evitando a acumulação de água da chuva nos locais habituais...
A LIMPEZA DAS SARGETAS

 

SAUDADE do que era...

Houve um tempo em que andar pelo centro de Mem Martins era mais do que fazer compras — era fazer parte de uma família alargada. As ruas cheiravam a pão quente, a café moído e a perfume de domingo. Cada porta aberta tinha uma história, cada comerciante um sorriso, e todos sabiam o nome de quem entrava.

Logo pela manhã, o aroma irresistível da Padaria Primavera espalhava-se pela rua. O pão saía do forno ainda fumegante, e formava-se uma pequena fila de vizinhos que trocavam risos e notícias enquanto esperavam a sua vez. O padeiro, de avental branco, conhecia os gostos de cada freguês: “Um pão de Mafra para o Sr. António, duas carcaças para a D. Rosa, e um bolo para a menina que fez anos ontem.

Mais acima, a Pastelaria Granada era um verdadeiro ponto de encontro. As vitrines brilhavam com pastéis de nata e duchesses, e o som das chávenas misturava-se com o burburinho das conversas. Era lá que muitos marcavam encontro antes de apanharem o comboio, e onde se discutia o futebol e a vida — sempre com o sabor doce de um bolo acabado de sair do forno.


A poucos passos, a Pastelaria Fino Gosto tinha o nome certo: elegante, acolhedora, e com um toque especial nas receitas. O cheiro a açúcar e baunilha convidava a entrar, e os clientes sentavam-se junto às janelas para ver o movimento da rua. Era comum ver estudantes, casais e famílias inteiras ali reunidas, entre fatias douradas e risadas leves.

Mais ao fundo, o Restaurante Chaby era o orgulho da vila. As suas toalhas brancas e a comida caseira traziam gente de longe. Ali celebravam-se aniversários, almoços de domingo e reencontros de amigos. A cada prato servido, havia uma história contada, um brinde feito — e uma memória criada.

E mesmo ao virar da esquina, as montras do Pronto-a-Vestir Lucanda exibiam novidades que faziam sonhar. Entre vestidos coloridos e camisas engomadas, as senhoras escolhiam com cuidado o traje para uma festa ou o casaco novo para o inverno. A dona da loja, sempre atenta, sabia o gosto de cada cliente: “Este fica-lhe bem, D. Maria, é a sua cor.

Ao cair da tarde, quando as portas começavam a fechar e o último comboio passava ao longe, ficava no ar um sentimento de pertença. Cada loja, cada balcão, cada rosto conhecido fazia parte de um tempo em que o comércio local era o coração vivo de Mem Martins — e onde o valor maior não era o troco, mas a confiança.

Hoje, quem passa por essas ruas talvez já não veja os mesmos letreiros. Mas quem as viveu, ainda as sente. Porque o verdadeiro centro de Mem Martins não era de pedra nem de asfalto — era feito de pessoas, aromas e memórias que continuam a morar no coração de quem lá cresceu.