Era
“uma necessidade”. Na Tapada das Mercês até há pouco mais de uma década “não
havia nada” nem ninguém para ajudar os miúdos que regressavam da escola com os
trabalhos de casa para fazer. Os pais, oriundos da Guiné Conacri, de
Moçambique, do Senegal, que tinham imigrado para Portugal à procura de uma vida
melhor, não os conseguiam ajudar. Foram eles que ajudaram a construir esta
parte do concelho de Sintra — longe do bilhete-postal que é a
vila de Sintra— que de aldeia passou a selva de betão.
Estávamos
em 2007 quando um grupo de “pessoas de vários países e culturas” se juntou para
criar, não só um espaço de oração, mas um espaço onde se pudessem partilhar
experiências, melhorar a integração dos imigrantes e, ao mesmo tempo, se
promovesse o conhecimento e valorização das culturas dos seus países, e da
religião islâmica.
Em
Agosto desse ano seria erguido o primeiro pilar da Comunidade Islâmica da
Tapada das Mercês e Mem-Martins: uma mesquita que, ainda que fosse
improvisada, se tornou espaço de culto para aquela comunidade. Até aos dias de
hoje, a mesquita funciona numa garagem, onde os crentes fazem o seu culto. Se
tudo correr como o previsto, a comunidade islâmica da Tapada das Mercês terá,
no início do próximo ano, um local de oração mais digno, assim como um grande
centro de apoio à comunidade local, que está a ser construído num terreno
cedido pela autarquia.