Entrada do Externato Golfinho, que existiu vários anos, no bairro das Eiras, em Mem Martins.
Tempo em Algueirão Mem Martins
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Antigo Reveillon
Houve um tempo em que o ano novo, em Mem Martins, não começava à meia-noite.
Começava mais cedo, quando se entrava no salão do Mem Martins Sport Clube, e se entrava num espaço onde todos se conheciam — ou, pelo menos, se reconheciam.
Lembro-me do burburinho constante, das cadeiras arrastadas no soalho de madeira, e daquele cheiro tão particular a festa. Não era luxo, nunca foi mas era outra coisa mais rara: era pertença.
Os réveillons no clube tinham essa magia simples. As famílias chegavam juntas, como se aquela noite exigisse um cuidado especial.
Os mais novos corriam entre mesas e cadeiras, os mais velhos cumprimentavam-se com abraços demorados. Havia sempre alguém a dizer: "está chegar um ano que tudo vai correr melhor...”.
A música fazia-se ouvir cedo, às vezes ao vivo, outras vezes vinda de um gira-discos fiel, que conhecia o gosto das gentes de Algueirão Mem Martins.
Dançava-se sem pressa, com respeito, mas também com alegria. Os lentos colavam os pares, as músicas mais animadas puxavam quem estava sentado.
Ninguém ficava de fora por muito tempo.
Quando a meia-noite se aproximava, o salão mudava de tom, e começava a contagem. Dez, nove, oito… dita em coro, nem sempre certa, mas sempre sentida.
À meia-noite, os abraços tornavam-se urgentes. Abraçava-se quem estava ao lado, conhecido ou não. Brindava-se com o que havia: espumante simples e vinho da casa servido em copos de vidro gatos. Lá fora ouviam-se foguetes, mas cá dentro bastavam as palmas, os sorrisos e os votos ditos de coração.
A noite prolongava-se. As crianças acabavam por adormecer nas cadeiras encostadas à parede, embrulhadas em casacos. Os resistentes continuavam a dançar. O frio ficava do lado de fora. Cá dentro havia calor humano suficiente para atravessar o ano que acabava de chegar.
Hoje, quando penso nesses réveillons, não penso apenas nas festas. Penso num tempo em que o clube era casa, era sala de visitas, era ponto de encontro. Um tempo em que entrar no ano novo era um gesto coletivo, feito de proximidade e presença.
Talvez por isso estas memórias resistam. Porque mais do que uma passagem de ano, aqueles réveillons no Mem Martins Sport Clube eram uma afirmação silenciosa: ninguém entrava sozinho no ano novo.
E isso, ainda hoje, diz muito sobre quem fomos — e sobre quem continuamos a ser.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Incêndio Industrial em 1988
Foi no final do verão de 88 que deflagrou, em São Carlos, um perigoso incêndio industrial que marcou profundamente Mem Martins.
Tudo começou nos armazéns da Printer Portuguesa e rapidamente se propagou às instalações da Duraplás. Eram edifícios construídos em chapa, repletos de produtos altamente inflamáveis, circunstância que deu origem a violentas explosões e fez com que o incêndio atingisse proporções verdadeiramente alarmantes.
A Printer Portuguesa, era uma gráfica e a Duraplás uma empresa de plásticos industriais — responsável, entre outros produtos, pelo fabrico de quiosques de venda de jornais que existiam nas ruas das cidades. Aquele local tornou-se o epicentro de uma noite que muitos ainda hoje recordam.
As explosões eram visíveis e audíveis a grande distância, iluminando o céu e fazendo tremer as casas em redor.
No combate às chamas estiveram envolvidas muitas corporações de bombeiros. Na altura, corria entre a população a ideia de que até viaturas dos bombeiros do Aeroporto de Lisboa tinham sido mobilizadas para enfrentar a dimensão do incêndio.
A Cruz Vermelha montou um hospital de campanha, tendo prestado assistência a muitas pessoas. Algumas foram encaminhadas para a SAP de Mem Martins, outras para o Hospital de Sintra e os casos mais graves para o Hospital de São José, em Lisboa.
Na manhã seguinte, o cenário era revelador da violência do fogo: chapas retorcidas, estores das vivendas em frente ao local do incêndio derretidos pelo calor intenso.
Na época, muito se falou da má abordagem inicial ao incêndio, da falta de preparação e do desconhecimento das matérias-primas armazenadas nos armazéns.
É certo que, hoje, uma ocorrência desta natureza seria encarada de forma diferente. Mas naquela noite de 88, Mem Martins esteve perigosamente perto de viver uma grande catástrofe — uma memória que permanece viva na história local e na lembrança de quem a testemunhou.
Ainda se lembra deste dia???
sábado, 13 de dezembro de 2025
Recordar Mem Martins

Houve um tempo em que o centro de Mem Martins pulsava vida de manhã à noite, durante todo o ano, como se cada rua tivesse o seu próprio coração. Nos anos 80 e 90, caminhar pelo centro da vila era um ritual quase diário, um encontro certo com rostos conhecidos, montras cuidadas e um vaivém constante de gente que vinha não só da Linha de Sintra, mas também de Mafra, Amadora e até de Lisboa.
Não era por acaso que muitos lhe chamavam o “Chiado da Linha de Sintra”. Havia boas lojas — daquelas que sabiam o nome dos clientes — com roupa para todas as idades, calçado de qualidade, artigos de decoração que enchiam as casas de novidades e bom gosto... e ir à Lucanda, à Targo...
As pastelarias eram pontos de encontro obrigatórios e os restaurantes faziam parte da rotina de quem ali trabalhava ou passeava. Tudo estava vivo, cuidado, pensado para quem ali vivia.
Ao fim de semana, o centro transformava‑se num verdadeiro passeio. As famílias desciam a rua sem pressa, os jovens encontravam‑se nas esquinas, os mais velhos sentavam‑se a conversar. O sábado trazia ainda a feira, com fruta e legumes saloios de qualidade, cheiros a terra fresca e cores que enchiam a vista. Era ali, entre sacos de compras e cumprimentos, que se sentia a alma da vila.
Mas era no Natal que Mem Martins se tornava especial. O frio misturava‑se com a animação das ruas cheias e com um cheiro inconfundível a bolo‑rei acabado de sair do forno. Bastava passar perto da Central, do Granada ou do Galeão para sentir no ar a doçura da época, e já havia fila à entrada para levar um Bolo Rei para casa... e no Largo da estação podíamos levar o pinheiro para fazer a árvore de Natal lá de casa.
As montras enfeitadas, as luzes refletidas nas janelas, o movimento constante de pessoas carregadas de embrulhos criavam uma atmosfera quente, humana, memorável. Comprava‑se localmente, conversava‑se, ria‑se. O Natal vivia‑se na rua.
Hoje, o contraste dói. O centro da nossa freguesia e o Largo da Estação são marcados por edifícios envelhecidos, muitos deles a precisar urgentemente de restauro. As ruas estão mal iluminadas, sem atracções, sem motivos para ficar. As pessoas já não circulam, não passeiam, não vivem o espaço. Onde antes havia encontro, há pressa; onde havia comércio vivo, há portas fechadas.
Fica a memória — e com ela a certeza de que Mem Martins já soube ser um centro vivo, bonito e desejado. Um lugar onde o comércio fazia parte da identidade da vila e onde a rua era, acima de tudo, um espaço de convivência. Recordar esse tempo não é apenas nostalgia; é também um lembrete de tudo o que ainda pode voltar a ser.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Fábrica da Messa — Memórias de Ferro
Nos anos em que Mem Martins ainda cheirava um pouco a aldeia, a fábrica da Messa erguia-se como um gigante industrial na linha de Sintra em crescimento.
Era impossível passar por ali sem sentir o tilintar metálico das peças e o burburinho constante de quase 1700 trabalhadores, que entravam e saíam como um coração mecânico que pulsava todos os dias.
Para muitos, trabalhar na Messa não era apenas um emprego — era uma vida. Famílias inteiras tinham ali o seu sustento. Pais, irmãos, primos… todos conheciam de cor o cheiro do óleo, o peso das teclas, o orgulho de montar aquelas máquinas de escrever que iriam viajar para escritórios, escolas e repartições por todo o Mundo.
Ao final do mês, Mem Martins ganhava outra vida. Depois de receberem o salário, era comum ver grupos de trabalhadores a juntar-se nos poucos restaurantes que existiam perto da fábrica. Era ali, entre arroz de polvo, espetadas de lulas, copos de vinho tinto barato e muita conversa, que se celebrava mais um ciclo de trabalho. Havia gargalhadas, histórias repetidas, sonhos adiados e aquele sentido de camaradagem que só nasce quando se partilha o suor todos os dias.
Mesmo em frente à fábrica, numa moradia discreta mas conhecida de todos, existia a pequena casa onde os funcionários podiam comprar artigos de mercearia a preços mais simpáticos. Ali compravam-se conservas, arroz, açúcar… tudo o que ajudava a compor a mesa de casa sem apertar demasiado o cinto. Para muitos, aquela porta era quase tão importante quanto a entrada principal da própria Messa.
Mas os tempos mudam, mesmo que ninguém esteja preparado.
Quando os computadores começaram a aparecer nas secretárias — primeiro timidamente, depois com força — a Messa sentiu o impacto como um murro no estômago. As máquinas de escrever, firmes e pesadas, tornaram-se relíquias de outra era. A fábrica, que durante décadas representara modernidade e inovação, foi ficando para trás. Não conseguiu acompanhar o ritmo das novas tecnologias, e lentamente os dias de movimento constante deram lugar a corredores vazios, secções encerradas e marcas de lutas sindicais.
Até que um dia, o inevitável aconteceu: a Messa faliu. Todos ficaram em casa.
O silêncio que ficou depois do fecho parecia maior do que o ruído de todas as máquinas juntas. Mem Martins perdeu um dos seus símbolos. Muitos trabalhadores viram ali não só o fim de uma fábrica, mas o fim de uma época.
Hoje, quem passa pelo antigo lugar da Messa talvez não imagine o que ali existiu, mas secretamente ainda ouve o som da sirene a marcar o final de mais um dia de trabalho.
Na memória dos que lá trabalharam — e na história da vila — permanece viva a lembrança da fábrica que enchia os dias, os bolsos e o coração de uma comunidade inteira.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Antigo Bolo de Natal de Mem Martins
Havia um tempo em que o Natal em Mem Martins tinha um cheiro muito próprio — um aroma quente que saía das cozinhas, misturando farinha, limão e canela, e que anunciava, melhor do que qualquer calendário, que a noite mais aguardada do ano se aproximava. Era o tempo do velho Bolo de Natal de Mem Martins, um daqueles sabores que não se compravam em pastelarias nem vinham embrulhados em caixas bonitas. Não. Fazia-se em casa, com paciência, com jeito, e sobretudo com carinho.
Tinha a forma humilde de um pão saloio, mas em ponto pequeno, como se fosse uma lembrança em miniatura das tradições antigas que as famílias teimavam em preservar. A massa simples — farinha de trigo, açúcar, limão, canela e leite — era trabalhada à mão, sem segredos, mas com aquela sabedoria que passava de geração em geração. Antes de ir ao forno, levava uma camada ligeira de gema de ovo, que lhe daria, mais tarde, o brilho discreto dos bolos de antigamente.
E quando finalmente saía do forno, ainda quente, era pincelado com manteiga derretida. Essa última carícia dava-lhe o sabor aconchegante que muitos ainda procuram na memória: o sabor de um Natal vivido devagar, entre vizinhos que se conheciam pelo nome e famílias reunidas à volta da mesa.
O Bolo de Natal de Mem Martins não tinha marca, nem fabricante. Tinha origem. Tinha história. Tinha lugar. Era um símbolo discreto, quase secreto, de uma terra onde as tradições se cozinhavam em lume brando e onde cada casa acrescentava ao bolo um pouco de si.
Hoje, recordar esse bolo é lembrar também o espírito de um Natal mais simples, mais perto das pessoas, mais perto de casa. Um Natal que talvez já não exista como antes — mas que continua guardado no coração de quem cresceu com o cheiro desse bolo a perfumar a cozinha.
sábado, 15 de novembro de 2025
Feira de Fanares
A antiga feira de Fanares tinha um encanto próprio, daqueles que só quem cresceu em Algueirão Mem Martins conhece bem.
Realizava-se religiosamente ao sábado e à quarta-feira de manhã, quando ainda o sol mal tinha acordado e já se sentia no ar o movimento apressado das bancas a serem montadas. O cheiro a fruta saloia — doce, fresca, de cores vivas — enchia o espaço inteiro. Eram morangos, maçãs, laranjas, figos e uvas de uma qualidade que parecia impossível de encontrar noutro lugar. A fruta vinha ainda com o toque da terra, e com as histórias dos agricultores que a criavam.
Ao passar o túnel estreito debaixo dos prédios, abria-se um novo universo. Ali encontrávamos de tudo um pouco: bancas de roupas empilhadas com camisolas de lã e casacos baratos, cassetes quase pirata com coletâneas improváveis, e aquelas verdadeiras “oportunidades” que só quem frequentava a feira entendia — coisas úteis, outras nem tanto, mas sempre com um charme especial.
No edifício principal da feira vivia outro ritual próprio: o peixe fresco da costa atlântica. As peixeiras eram figuras queridas, mulheres de voz forte e sorriso fácil, que conheciam o nome da maioria dos seus clientes. Sabiam quem gostava da pescada mais alta, quem queria a dourada mais brilhante, quem levava sempre uns carapaus para o almoço de domingo. Entre pregões, risadas e conversas sobre o tempo, transformavam a compra do peixe em algo muito mais pessoal.
A feira de Fanares era mais do que comércio. Era encontro, rotina, vizinhança viva. Um pedaço de Mem Martins que permanece na memória de quem lá passou — com saudade, com histórias, com aquele espírito simples e genuíno que já não se encontra em muitos lugares.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Externato Rainha Sta Isabel, em Fanares
Na tranquila rua de Fanares, em Mem Martins, existiu durante alguns anos o Externato Rainha Santa Isabel, uma pequena escola que marcou a infância de muitas meninas da zona. Funcionava numa moradia acolhedora, com o ambiente familiar e simples típico das escolas de bairro de outros tempos.
Era uma escola onde o riso das meninas — todas com o seu bibe cor-de-rosa, igual e inconfundível — enchia o pátio e as salas de madeira. As recordações desse tempo ainda vivem na memória de quem lá estudou: os cheiros, os cadernos cuidadosamente forrados, as vozes das professoras, o toque da campainha improvisada.
Hoje, a casa já não existe. Foi demolida, e no seu lugar ergue-se agora um prédio moderno, sem graça nem história, como tantos outros. Mas para quem ali passou a infância, o número da rua de Fanares onde se encontrava o Externato continua a guardar um pedaço de Mem Martins que já não volta — um tempo em que aprender era também brincar, e as escolas tinham alma.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
Veraneantes em Algueirão Mem Martins
Antes de Algueirão Mem Martins se transformar num dos principais centros urbanos dos subúrbios de Lisboa, e a freguesia com mais habitantes de Portugal, era apenas uma aldeia discreta, rodeada de quintas e pinhais, onde o ar fresco natural da Serra de Sintra atraía famílias da capital em busca de descanso.
No início do século XX, quando a ligação ferroviária entre Lisboa e Sintra se consolidou, Algueirão Mem Martins tornou-se um ponto de paragem para quem desejava ficar "perto da serra”.
O comboio - símbolo de progresso e elegância - permitia que famílias abastadas de Lisboa viajassem facilmente até à vila de Sintra. Chegavam com bagagens, criadas e crianças, para passar semanas ou meses em casas alugadas ou propriedades próprias.
Entre os veraneantes, várias famílias conhecidas deslocavam-se até cá. Eram casas de linhas românticas, com azulejos e alpendres onde se tomava o chá com vista para a serra.
As manhãs começavam cedo, com o som distante do comboio e o cheiro do pão. Os veraneantes passeavam pela estrada de terra que ligava Algueirão, Tapada das Mercês e a Quinta da Fanares, e de costume cumprimentavam os lavradores locais com um aceno educado.
As senhoras visitavam as pequenas mercearias para comprar fruta fresca, leite e flores - produtos simples, mas “de uma pureza que em Lisboa já não se encontrava”, como escreveu um jornalista de 1932 no Diário de Notícias, referindo-se à calma bucólica de Algueirão Mem Martins.
Para os habitantes locais, a chegada das famílias de Lisboa era um acontecimento. Os meninos de cá corriam até à estação para ver “os senhores da cidade” e os seus modos refinados.
Os veraneantes que passavam a temporada cá tinham pequenos rituais que se repetiam ano após ano. Um deles era a paragem obrigatória no Casal da Cavaleira e no Casal de São José, onde compravam ovos frescos, colhidos há poucas horas, vindos das galinhas que ali se criavam ao ar livre. Esses produtos, simples e genuínos, tornavam as refeições ainda mais saborosas.
Outro destino certo era o Moinho de Sacotes e do Algueirão, onde muitos iam levar o cereal para moer ou apenas buscar farinha acabada de fazer. O cheiro a grão moído e o som das mós a girar eram parte da paisagem sonora das férias na terra - um símbolo da vida calma e autêntica que os veraneantes tanto prezavam.
O Progresso Clube de Algueirão-Mem Martins, foi uma coletividade que surgiu nos anos 40, do século XX, fundada sobretudo por famílias vindas de Lisboa que tinham casas de veraneio na zona - uma época em que a vila ainda era fortemente rural e marcada pela cultura saloia. Esses lisboetas procuraram criar um espaço de convívio “à sua maneira”, com bailes, jogos e eventos sociais, distanciando-se da população mais rural, tanto em hábitos como em estatuto social.
O nome “Progresso” reflectia essa ideia de modernidade e distinção urbana, em contraste com a vida mais campestre da população nativa.
Enquanto outras coletividades de cá (Mem Martins Sport Clube e Recreios Desportivos do Algueirão) tinham uma base mais comunitária e local, com espírito mais rural, com gente de trabalho mas mais humilde.
O Progresso Clube manteve durante bastante tempo uma certa aura de exclusividade social e cultural.

Nos dias quentes de verão, os veraneantes divertiam-se ao passear pelas nossas ruas soalheiras, sempre com a humidade oriunda da Serra.
Achavam curioso - e até encantador - ver, em certos quintais, grandes tabuleiros expostos ao sol, cobertos de pequenas rodelas de massa dourada.
Eram as cascas das queijadas de Sintra, deixadas a secar pacientemente antes de receberem o recheio doce e perfumado que lhes daria fama. O ar cheirava a farinha e a leite, e o quotidiano simples das gentes locais transformava-se, aos olhos dos visitantes, numa cena de autêntico encanto saloio.
Muitos nomes famosos tinha especial gosto por este local, como as pessoas do Grupo Onomástico "Os Carlos", que escolheu uma zona da freguesia, adquirindo 14mil m2 para implementar "Casa de Repouso de Carlos doentes", "Casa de agasalho para Carlos Inválidos" e "Colónia de Verão para Carlos Miúdos".
Este projecto acabou por nunca ser implementado, ficando apenas a memória na zona, e muitos Homens da freguesia nascido nesta altura também terem ficado com o nome de Carlos.
Muitos nomes deixaram fortes memórias, como foi o caso do Professor Dr. Joaquim Fontes, que era um médico Obstetra que residia em Lisboa, e tinha a sua Quinta em Mem Martins, o "Casal dos Choupos" e foi um dos grandes incentivadores da criação das Festas de Nossa Sra da Natividade.
Fala-se que a Sta padroeira de Mem Martins é a Sra Natividade pelo motivo do dr. Joaquim Fontes ser obstetra.
Com o crescimento urbano e o aparecimento das primeiras fábricas e conjuntos habitacionais nas décadas de 1950 e 1960, Algueirão-Mem Martins começou a mudar. As casas senhoriais foram sendo vendidas ou demolidas, as grandes quintas divididos em lotes, e o comboio passou a trazer sobretudo trabalhadores pendulares, e não veraneantes.
O tempo apagou muito, mas não tudo.
Nas memórias de quem ainda recorda, Algueirão-Mem Martins que foi, durante meio século, um refúgio de veraneio - um lugar onde o campo e a cidade se encontravam, e onde a Serra de Sintra era, mais do que cenário, um remédio para o corpo e para a alma.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
domingo, 10 de agosto de 2025
quarta-feira, 6 de agosto de 2025
domingo, 27 de julho de 2025
sexta-feira, 30 de maio de 2025
sábado, 1 de março de 2025
[sintranoticias] Antiga fábrica da Samsung demolida para nascer novo parque empresarial
A antiga fábrica da Samsung, em Sintra, está a ser demolida. No local vai surgir um moderno parque empresarial, construído pelo grupo VGP.
O grupo belga VGP, cotado na Euronext de Bruxelas e que detém 100 parques semi-industriais e logísticos em 17 países europeus, comprou o terreno em 2021, em São Pedro de Penaferrim, onde pretendia construir o parque empresarial.
A pandemia de COVID-19 e a situação de instabilidade internacional, atrasou o projeto que avança agora reformulado, relativamente ao que era previsto em 2021.
O VGP prévia, em 2021, ter uma área bruta locável de 13 000 m², gerar cerca de 130 novos postos de trabalho, num terreno com mais de 27 000 m². Nesse ano era previsível um investimento de cerca de 12 milhões de euros.
O novo projeto que avança agora, praticamente duplica a dimensão do parque empresarial. São mais de 54 000 m² de terreno com 22 486 m² de área bruta locável.
O VGP Park Sintra, ainda sem data prevista para a sua abertura, situa-se junto do IC19 e A16, permite acesso rápido a Lisboa, ao aeroporto e ao porto marítimo.
O parque dispõe de instalações de alta qualidade, adequadas para logística, armazenagem, atividades comerciais e indústria ligeira. Oferece soluções personalizadas, uma rede completa de infraestruturas internas e acesso facilitado ao transporte público.
A localização privilegiada do parque proporciona fácil e rápido acesso a todo o concelho de Sintra e regiões circundantes, dispondo de uma ampla oferta de mão-de-obra na região de Sintra, onde habitam cerca de 400 mil habitantes.
Fábrica da Samsung fechou há 24 anos
Fecho foi atribuído à decisão da multinacional de deslocar a produção para outras subsidiárias. A fábrica operava desde 90, era considerada uma das principais empregadoras industriais na região, sendo que o seu encerramento causou um forte impacto na economia da região.
Encerrou 'Padaria Primavera'
Durante 83 anos de portas abertas, hoje a Padaria Primavera fechou portas nos Largo 25 de Abril, nº2, em Mem Martins.











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