Tempo em Algueirão Mem Martins

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Ermida de São Romão

A fundação é atribuída ao século XII, portanto é um dos elementos históricos mais antigos da freguesia. Foi construída aproveitando materiais romanos que já existiam no local. A zona envolvente possui importantes vestígios arqueológicos romanos e pré-históricos, sendo identificada no PDM como Estação Arqueológica de São Romão. No século XVI sofreu uma importante remodelação, incluindo alterações na capela-mor. Em 1921 foram observados vestígios de pinturas murais com cores vermelha e amarela. 

Em 1956 houve uma tentativa de recuperação: chegou a existir uma subscrição pública e o arquiteto Norte Júnior elaborou um projeto para um novo templo, mas a obra não avançou. Já em 1758, a ermida era mencionada nas Memórias Paroquiais. Do local das ruínas saíram também monumentos com inscrições, associados à ocupação romana.

As ruínas da Ermida de São Romão chegaram a constar de processos de proteção patrimonial no município de Sintra. 

Pia Batismal da Igreja do Telhal

Dentro da Igreja da Casa de Saúde do Telhal existe um pormenor que muitas vezes passa despercebido: a sua pia batismal em granito.


A peça é constituída por uma pequena coluna e por vários tambores de épocas diferentes, terminando numa taça hemisférica estriada. Esta particularidade torna a pia especialmente curiosa, pois revela que o seu conjunto foi sendo formado ou reaproveitado ao longo do tempo.

O batistério onde se encontra também merece atenção. As paredes apresentam um revestimento de azulejos azuis e brancos, enquanto a cobertura possui uma decoração em estuque com anjos e grinaldas de flores.

Mais do que um simples objeto religioso, a pia batismal é uma pequena testemunha da história do templo e das pessoas que, ao longo de gerações, passaram por este espaço para celebrar o Batismo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O Arboretum do 'Casal dos Choupos': uma história esquecida de Mem Martins

Sabia que, há mais de 75 anos, existia em Mem Martins um arboreto dedicado ao estudo das árvores e do povoamento florestal?  
Hoje, o nome Casal dos Choupos está sobretudo associado à história rural de Mem Martins e às antigas atividades agrícolas que marcaram aquela zona. 


Mas existe uma faceta muito menos conhecida da sua história. Em Fevereiro de 1949, a Gazeta das Aldeias publicou, em dois números consecutivos, um trabalho do engenheiro silvicultor Carlos Manuel Baeta Neves, intitulado:

«O Arboretum do Casal dos Choupos e o repovoamento florestal da região de Mem Martins». 
Um arboreto em Mem Martins?
A palavra arboreto designa uma área onde são cultivadas e observadas diferentes espécies de árvores, com interesse científico, florestal ou educativo. Assim, o Casal dos Choupos não era apenas uma antiga propriedade agrícola. Existia ali um espaço que despertava o interesse da silvicultura, numa época em que se procurava conhecer melhor o comportamento de diferentes espécies arbóreas e aumentar o coberto florestal.


Carlos Baeta Neves dedicou grande parte da sua atividade ao estudo das florestas portuguesas e ao comportamento de espécies florestais, incluindo espécies introduzidas no nosso país. O próprio investigador viria posteriormente a mencionar o Arboreto do Casal dos Choupos, em Mem-Martins, entre os locais onde realizou observações.

Mem Martins antes da grande urbanização
É importante imaginar como seria a nossa freguesia naquela época. Estamos no final dos anos 30 e durante os anos 40, quando Mem Martins ainda apresentava uma forte componente rural. Quintas, campos agrícolas, caminhos, terrenos de cultivo, linhas de água e manchas de vegetação faziam parte da paisagem. Os próprios nomes de algumas ruas que chegaram até aos nossos dias recordam esse passado: Rua das Eiras, Rua das Vagens, Rua da Azenha ou Rua das Hortas. Foi neste território ainda predominantemente rural que surgiu o interesse pelo repovoamento florestal da região de Mem Martins.

Carlos Baeta Neves
O autor do trabalho, Carlos Manuel Baeta Neves, foi uma figura de relevo da silvicultura portuguesa. Esteve ligado ao estudo das florestas, à arborização e à investigação sobre espécies florestais. Em 1948, participou também na fundação da Liga para a Proteção da Natureza. Por isso, a existência de um trabalho especificamente dedicado ao Arboretum do Casal dos Choupos revela que Mem Martins teve, há muitas décadas, um papel que provavelmente poucos habitantes conhecem na história do estudo florestal português.


Uma história que ainda tem muito para descobrir
E aqui começa a parte mais interessante. Que árvores existiam naquele arboreto? Onde ficava exatamente dentro do Casal dos Choupos? Qual era a sua dimensão? Que espécies estavam a ser estudadas? Que zonas da região de Mem Martins se pretendia arborizar?
Estas são perguntas para as quais ainda será necessário consultar documentação da época, nomeadamente os dois artigos publicados na Gazeta das Aldeias em 1949. Talvez essa investigação permita recuperar uma história praticamente esquecida da nossa freguesia.

Uma história em que árvores, ciência e floresta se cruzaram com a paisagem rural de Mem Martins, décadas antes da grande transformação urbana que conhecemos hoje.

Conhecia a existência do Arboretum do Casal dos Choupos?


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

NOVA FONTE DO ROSSIO DA FONTE 2026

Acho que a "Nova Fonte do Rossio da Fonte", junto da Capela, em Mem Martins, está concluída e pintada... 

A nova linha de água que foi desenhada e construída sempre cheio de folhas numa zona com grandes Plátanos, provoca que a água se espalhe por todo lado...

Quem assinou este projeto nunca terá previsto este cenário? 

E em dias de grande temporal? Chuvas fortes e muito vento, como será? e a ligação desta nova linha de água com a Ribeira da Lage deveria ser claramente maior...

Foi uma obra que demorou muito tempo, DESTRUIU A ANTIGA FONTE para isto... destruíram-se azulejos e memórias de um local histórico e simbólico.

Quem é o responsável???
Ninguém sabe...  todos empurram para o lado....






domingo, 6 de setembro de 2026

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Fonte do Rocio da Fonte

Era um ponto de abastecimento de água da população. Antes de a água canalizada estar generalizada, a fonte tinha uma função prática importante: moradores deslocavam-se ali para encher garrafões e recipientes. Há testemunhos de habitantes que recordam a antiga “bica” como uma pequena fonte com uma torneira de latão. O nome do largo está diretamente ligado à fonte. O próprio espaço era conhecido como Rossio da Fonte, e a fonte tornou-se um dos elementos que deram identidade ao local.

Fazia parte de um conjunto histórico muito importante: 
Fonte + Coreto + Capela 



Durante décadas, este conjunto funcionou como um verdadeiro centro de encontro e de vida comunitária de Mem Martins.

A Capela reforçou ainda mais a importância do local. A Capela de Mem Martins foi inaugurada em 1933, e as festas em honra de Nossa Senhora da Natividade passaram a ter ali um dos seus principais cenários.

O Rossio da Fonte tem uma ligação direta à antiga Comissão de Melhoramentos de Mem Martins. Na década de 1930, habitantes organizaram-se para criar equipamentos e melhorar a localidade. O terreno para a construção da capela foi adquirido à Câmara Municipal de Sintra em 1930, tendo sido desanexado do baldio então chamado “Rocio da Fonte”.

Também foi espaço de convívio. A fonte não era apenas um local para buscar água: tornou-se um ponto de encontro, onde se cruzavam moradores e onde acontecia parte da vida social da comunidade. 


Cada intervenção que foi realizada neste local, foi destruindo as memórias... 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

UMM: o jipe português que também nasceu em Mem Martins

Quando se fala da história da indústria automóvel portuguesa, há uma marca que merece ser recordada: a UMM — União Metalo-MecânicaFundada em 1977, a UMM dedicou-se à produção de robustos veículos todo-o-terreno, e começaram a ser produzidos em Portugal.


E há um pormenor que nos diz muito respeito: entre 1977 e 1980, os primeiros UMM foram montados em Mem Martins
A marca rapidamente ganhou fama pela resistência dos seus veículos, que foram utilizados pelo Exército, GNR, bombeiros, empresas, agricultores e serviços públicos. Mais tarde, o conhecido UMM Alter tornou-se um dos maiores símbolos da marca.

A UMM chegou também às competições internacionais, participando no exigente Paris-Dakar, e exportou veículos para vários países. Com o aumento da concorrência internacional, a produção foi diminuindo até terminar em 2006Hoje, os UMM são veículos clássicos muito procurados e continuam a despertar a paixão de muitos portugueses.



Para Algueirão-Mem Martins, fica uma memória especial: durante os primeiros anos da sua existência, a UMM fez parte da nossa paisagem industrial e a nossa terra esteve ligada ao nascimento de uma das mais emblemáticas marcas automóveis portuguesas. Onde se localizava? Em São Carlos.

Uma história que merece ser lembrada e preservada.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Adeus Quiosques em Algueirão Mem Martins

Há lugares pequenos que guardam memórias enormes. Os quiosques de jornais e revistas junto à estação da CP de Algueirão-Mem Martins eram um desses lugares.


Durante décadas, fizeram parte da paisagem e da rotina de quem todos os dias esperava pelo comboio. Eram as capas dos jornais pela manhã, as revistas da semana e aquele olhar curioso de quem passava e espreitava “as gordas” para saber as principais notícias do dia.

Antes de entrar no comboio, havia sempre aquele gesto quase automático: parar por breves segundos, ler uma manchete, comentar uma notícia, comprar o jornal ou simplesmente matar a curiosidade.


Ali não se vendiam apenas jornais e revistas. Vendiam-se momentos, hábitos e pequenos encontros que faziam parte da vida da nossa terra. Mas o tempo mudou. O mundo passou a caber num telemóvel, as notícias deixaram o papel e, pouco a pouco, aqueles espaços foram perdendo movimento até desaparecerem.


Hoje, quem passa junto à estação sente a falta daquele cenário tão familiar. Fica o vazio onde antes havia cor, movimento e histórias. São estes pequenos lugares que muitas vezes definem a memória de uma comunidade. E quando desaparecem, levam consigo um pedaço da identidade de Algueirão-Mem Martins.
Porque uma estação não é feita apenas de comboios. É feita das pessoas, das conversas, dos encontros e também daqueles pequenos cantos onde, durante tantos anos, todos nós parámos para espreitar as notícias do mundo.

Pois, parece que vamos dizer adeus definitivamente aos quiosques em Algueirão Mem Martins...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tapada das Mercês: memórias de um local com história

Antes dos prédios, das ruas movimentadas e da vida acelerada dos nossos dias, a Tapada das Mercês era um lugar de silêncio, natureza e histórias escondidas entre árvores, caminhos de terra e antigas propriedades.


O próprio nome guarda a memória desse passado. Uma tapada era um espaço fechado, muitas vezes destinado à caça, ao descanso e ao contacto com a natureza. E foi nesse cenário, entre a paisagem de Sintra e os seus campos, que esta terra ficou ligada a uma das figuras mais importantes da história de Portugal: Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.

No século XVIII, quando a região ainda era marcada por quintas, matas e propriedades senhoriais, a Tapada das Mercês fazia parte de um conjunto de terras associadas à família do Marquês de Pombal. Era um lugar de lazer, de caça e de tranquilidade, onde a nobreza procurava afastar-se da agitação da vida política e da corte.

Foi também aqui que ficou a memória da Casa Pombal, construída em 1765 por iniciativa do Marquês de Pombal e oferecida ao seu filho, Paulo de Carvalho e Mendonça. Esse solar representava a presença de uma família poderosa numa paisagem que, nessa época, ainda mantinha o encanto rural característico da região de Sintra.


A poucos quilómetros dali, a Granja do Marquês reforçava esta ligação da família Pombal às terras de Sintra, numa época em que as grandes propriedades eram espaços de produção agrícola, de descanso e de afirmação social.

Mas o tempo mudou tudo. Onde antes existiam campos, árvores, animais e caminhos antigos, nasceram novas ruas e novos bairros. A pequena paisagem rural transformou-se numa zona urbana cheia de vida, com milhares de histórias de moradores que ali construíram as suas próprias memórias.

Apesar das mudanças, o nome Tapada das Mercês continua a ser uma ponte para o passado. Quando hoje se percorrem as suas ruas, talvez seja difícil imaginar que por ali passaram outros tempos: o som dos passos nos caminhos de terra, a sombra das árvores antigas e a presença de uma época em que estas terras pertenciam ao mundo das quintas e dos senhores.

A Tapada das Mercês não é apenas um lugar no mapa. É uma página viva da história de Sintra, onde o presente cresceu sobre as marcas de um passado que merece ser lembrado.

FONTE: Museu do Ar: As propriedades conhecidas por Granja do Marquês e Quinta das Mercês, foram arrendadas ao Estado Português pelo 5º Marquês de Pombal, por um período de 30 anos pelo valor de 84 000 réis, com o intuito de fundar um estabelecimento que ministrasse o ensino da prática agrícola.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Bairro Teimoso - Mem Martins

Os antigos habitantes de Mem Martins apelidavam aquele conjunto de casas, perto do Cruzeiro como “Bairro Teimoso”. Era uma pequena comunidade onde as portas se abriam facilmente, as crianças brincavam na rua até o sol desaparecer e os vizinhos sabiam sempre quem precisava de ajuda.

Ali perto do Cruzeiro, por onde hoje passam milhares de carros, existia um Mem Martins mais calma, feita de conversas à porta, de bicicletas encostadas aos muros e de gente que se cumprimentava pelo nome.

O nome "Teimoso" ficou ligado a uma zona que, apesar das mudanças e do crescimento da vila, parece ter mantido a sua identidade. Enquanto os prédios foram aparecendo e os campos deram lugar a novas construções, aquele pedaço de Mem Martins continuou agarrado às suas memórias, atualmente bem escondido.

Muitos moradores antigos ainda recordam os tempos em que o Cruzeiro era um verdadeiro ponto de encontro. Era ali que se marcavam encontros, onde se esperava alguém, onde se comentavam as novidades da terra e onde se sentia o pulsar de uma comunidade que crescia.

O Bairro Teimoso é uma dessas páginas da história de Mem Martins que merece ser contada: uma história feita não apenas de ruas e casas, mas das pessoas que ali viveram, trabalharam, brincaram e ajudaram a construir a vila que hoje conhecemos. Ali também existiram construções tipicamente saloias que foram demolidas, onde hoje já existem prédios. 



Fonte dos Casais de Mem Martins

Houve um tempo em que uma simples fonte era muito mais do que um lugar onde se ia buscar água. Era um ponto de encontro, um lugar de passagem obrigatória, onde se cruzavam rostos conhecidos e onde cada ida à fonte trazia sempre uma conversa nova.

Antes da água canalizada chegar a todas as casas, a Fonte dos Casais fazia parte do dia a dia de muitas famílias. Ao ombro ou pela mão, levavam-se cântaros, bilhas e garrafões, num caminho que já todos conheciam. A água era preciosa e cada viagem tinha um propósito, mas acabava muitas vezes por ser também um momento de convívio.
Enquanto se esperava pela vez de encher os recipientes, as conversas iam surgindo naturalmente. Falava-se da vida, das dificuldades, das alegrias, das festas, das colheitas e das histórias da terra. Era ali que se sabiam as novidades, que se combinavam encontros e que se reforçavam amizades antigas.
A fonte era uma espécie de jornal da comunidade, mas sem páginas nem letras. As notícias passavam de pessoa para pessoa, entre sorrisos, cumprimentos e pequenas conversas que faziam parte da rotina de quem ali vivia.
Muitas crianças cresceram a acompanhar os pais ou os avós nesses caminhos até à fonte. Eram tempos em que se aprendia o valor da água, o respeito pela natureza e a importância da entreajuda. Um simples gesto, como ajudar a carregar um garrafão, fazia parte da vida familiar.

Hoje, abrir uma torneira e ver a água correr parece algo garantido. Mas houve uma época em que cada litro de água trazia consigo uma história: o caminho até à fonte, o encontro com os vizinhos, o som das conversas e até aquele momento de descanso à sombra enquanto se esperava.
A Fonte dos Casais guarda na sua memória muito mais do que água. Guarda vozes, rostos e lembranças de uma comunidade que se encontrava junto a uma nascente, onde cada pessoa levava para casa um recipiente cheio… mas deixava também um pouco de conversa e amizade.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Santos Popular em Algueirão Mem Martins


Estes momentos desapareceram com o tempo, mas eu lembro-me bem, que à cerca de 40 anos, em Algueirão Mem Martins, existia a tradição de "saltar à fogueira"
Nas pracetas, nas ruas e nos bairros, os jovens durante a semana arranjavam madeira, construíam uma pequena barraca (muitas vezes com madeira roubada das obras), e nas vésperas dos Santos Populares, as pessoas juntavam-se na rua, a confraternizar em redor do fogo da fogueira...
Existia sempre o comportamento perigoso e arriscado de saltar a fogueira... uma corrida e um salto por cima do fogo, e tínhamos herói... (acredito que este comportamento tenha um significado histórico ou mitológico... não sei...)
Outra tradição, era procurar no mato alcachofras para serem queimadas nestas fogueiras.  Nesse tempo, eu não sabia o significado desta tradição, mas aqui está o significado:
"Nessas fogueiras, os rapazes e raparigas solteiros, queimavam a crista de uma alcachofra pensando na pessoa amada, depois mergulhavam em água fria, a crista queimada e enterravam-na na terra num lugar escolhido por cada um. No dia seguinte todos iam ver as alcachofras que haviam queimado na noite anterior. Se a crista da alcachofra estivesse florida, então o seu amor seria correspondido, se não estivesse novamente reflorescido, então a pessoa que tinha pensado aquando queimavam a dita alcachofra  não o correspondia em amor."


Nestas noites, era giro circular por Algueirão Mem Martins com os olhos bem aberto para dizer "...olha, está ali uma fogueira..." e sentir o clima de festas pelas ruas... lembro da animação em Santa Teresinha, no Bairro das Eiras, Zona da Torre da Águia, na Capela e noutros sitios... outros tempos...

Também te lembras???

terça-feira, 2 de junho de 2026

[Jornal de Sintra] A inauguração do Cine-Teatro Chaby


Excertos de noticia do 'Jornal de Sintra' 
de 7 de Setembro de 1947

A CONSAGRAÇÃO DE UMA GRANDE OBRA
O que foi a inauguração em Mem Martins do Cine-Teatro 'Chaby'
a melhor sala de espectáculos do concelho

A criação do Cine-Teatro «Chaby» vale duplamente, pelo que representa de esforço construtivo, de amor bairrista, e como perene consagração dum dos maiores - senão o maior - vultos da cena portuguesa: o grande actor Chaby Pinheiro, que se finou em Algueirão, pouco tempo depois de emprestar o seu desinteressado concurso a uma humilíssima festa de beneficência, que ali se realizou num tosco barracão.
Chaby Pinheiro
Já passava das 22 horas, com a sala completamente cheia, quando foi dado inicio à sessão cinematográfica. Muitas senhoras emprestavam brilho à festa. No balcão inúmeros convidados, artistas, críticos de cinema, técnicos da Lisboa Filmes, jornalistas. Na plateia Algueirão e Mem Martins em peso, muitas pessoas de Lisboa e bastantes de Sintra.

prof. dr. Joaquim Fontes
Entre os presentes lembra-nos ter visto os srs.: prof. dr. Joaquim Fontes, Lúcio Mendes, sub-director do Conservatório Nacional, o actor Villaret, os técnicos da Lisboa Filmes srs. Francisco Quintela, Henrique Domiguez, António Redondo e Fernando Cruz, o critico de cinema sr. Faria da Fonseca, etc.

Nos camarotes do primeiro balcão tomaram lugar os srs. dr Mário Madeira, governador civil de Lisboa, engº Carlos Santos, presidente da Câmara de Sintra, cap. Américo dos Santos, vice-presidente, e alguns vereadores.

O espectáculo abriu com documentário «O dia do luzito», consagrado à Mocidade Portuguesa. Seguiu-se «Sinfonia de Cristal», magnifico filme das grandes actividades videiras da Marinha Grande, de grande beleza fotográfica, cheio de luz e de interesse documental, esplêndida produção da Lisboa Filmes que já trabalha com acerto e segurança este género difícil de películas. Depois, «70 anos de Mutualismo» mostrou-nos com claresa toda a obra maravilhosa da prestimosa «Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comercio». E o publico repousou a vista, agradado desta primeira parte do espectáculo, onde teve o prazer de admirar lindas imagens reproduzidas fielmente pela magnifica aparelhagem Western Electric.

Na segunda parte da sessão foi apresentado o filme «Três Espelhos» última produção da Lisboa Filmes, executada nos seus estúdios e laboratórios e realizada por Ladislau Vajda, com João Villaret no protagonismo.

***
Novo intervalo e o espectáculo continua agora com um acto de consagração à memória de Chaby Pinheiro. Abre-o o actor Vasco Santana, que fala em nome do Grémio dos Compositores Teatrais...

No acto de variedade que se segue Vasco Santana recita um conhecido monólogo da comédia o «Conde Barão», imitando Chaby Pinheiro com graça e verdade; Ribeirinho recita «Rataplam», monólogo do reportório do grande actor; Costinha diz «Cantor maluco» e faz um dialogo cheio de humor com Luisa Durão.
***
Num dos corredores deparou-se-nos o sr. eng. Carlos Santos, Presidente da Câmara Municipal. Amavelmente diz-nos, acerca do Cine Teatro «Chaby», numa resposta pronta: "Incontestavelmente uma boa obra, mesmo uma grande obra que muito veio valorizar o concelho e muito especialmente Mem Martins e Algueirão. Esforço digno de registo, aliado a uma grande coragem e espírito de iniciativa. A construção desta casa veio dar uma grande lição a Sintra, onde se debate ainda uma velha questão sobre a possibilidade de poderem ou não existir dois cinemas na vila... "
***
"Creio até que de Sintra virá também muita gente, especialmente quando estiver concluída a avenida da Portela a Mem-Martins que passa à porta do cinema. Depois será um passeio de Sintra até cá."

- E as obras da Avenida continuam? - atalhamos
- Certamente. O sr. ministro das Obras Publicas já aprovou a verba necessária para os trabalhos.
***
- Quer dizer-nos alguma coisa sobre o Cine Teatro «Chaby»?
É uma magnifica sala de espetáculos, tem boas condições acústicas, moderníssima aparelhagem sonora e de projeção, mas o som não está ainda devidamente regulado, pois é suscetíveis de melhorar bastante. Compreende, é uma aparelhagem muito aperfeiçoada e complexa e é preciso estudá-la melhor para se tirar dela o rendimento máximo.
***
 Alfredo Pimenta Araújo , presidente do «Progresso Clube», cavaqueava numa roda de amigos:
Como presidente do nosso clube, como encaras tu, velho amigo, a criação do Cine-Teatro?
Como um útil e grande empreendimento para Algueirão e Mem Martins. Digna de todos os louvores, esta iniciativa merece ser encarada com o máximo apreço e oxalá que o público a compreenda e corra a prestar o concurso da sua presença sem a qual não haverá empresa que possa manter-se.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Da GNR para a PSP, em 2007

Durante várias décadas, Mem Martins teve um posto da GNR que fazia parte do quotidiano da população e assegurava o policiamento de uma área que, entretanto, viria a crescer de forma extraordinária.


Com a expansão urbana, a realidade da freguesia foi-se transformando e a necessidade de novas instalações para as forças de segurança tornou-se fundamental. No final da década de 1990, chegou a estar previsto um importante investimento num novo Quartel da GNR em Mem Martins.

O projeto chegou a ser incluído no Orçamento do Estado, com programação financeira prevista para o período de 1999 a 2003. Apesar do projeto, a história acabaria por tomar outro rumo.

Uma das curiosidades mais interessantes relacionadas com o antigo posto é que as instalações que durante anos estiveram associadas à GNR acabariam por ser ocupadas pela PSP. Em junho de 2007, a PSP entrou nas instalações até então utilizadas pelo posto de Algueirão-Mem Martins da GNR.

A mudança não se resumiu a uma simples troca de placa na fachada. Na noite da transição, militares da GNR e agentes da PSP protagonizaram uma verdadeira passagem de testemunho: a GNR deixou as instalações e a PSP começou a instalar os seus equipamentos e a assumir o novo espaço.

A primeira ocorrência registada pela PSP, ocorreu durante a cerimónia de mudança, e foi um acidente de viação no bairro de Ouressa.


domingo, 5 de abril de 2026

Projeto da Capela de Mem Martins

A planta, os alçados e corte da Capela de Nossa Sra Natividade, em Mem Martins.

Projeto de 931, assinado por Felix Alves Pereira