O Ponto Kultural em Mem Martins apresenta esta quinta-feira, 23 de abril às 19h00, o documentário “Filhos do Meio – Hip Hop à Margem”, seguido de uma roda de conversa com convidados ligados ao projeto. A sessão será moderada por Ricardo Farinha e contará com a participação do realizador Luís Almeida, Ghoya e Teresa Fradique.
O documentário explora o desenvolvimento do hip hop na Margem Sul do Tejo, com destaque para territórios como Almada e Miratejo, reconhecidos como alguns dos primeiros centros deste movimento em Portugal. A narrativa constrói-se a partir dos testemunhos de protagonistas que viveram o surgimento do género, revelando histórias, referências e dinâmicas culturais que marcaram esse período.
Através de imagens de arquivo, fotografias e relatos diretos, o filme percorre momentos-chave da cultura hip hop em Portugal, desde as primeiras batalhas de rimas nas ruas até concertos e gravações. São também destacados nomes como Black Company, Líderes da Nova Mensagem e Chullage, bem como outros contributos menos documentados, fundamentais para a afirmação do movimento.
Mais do que um registo musical, “Filhos do Meio – Hip Hop à Margem” propõe uma reflexão sobre o contexto social e cultural que permitiu o crescimento do hip hop em Portugal, abordando temas como identidade, território e memória coletiva.
Música dedicada à velhinha fonte que existe no Largo Rossio da Fonte, em Mem Martins, junto da Capela de Nossa Senhora da Natividade, que foi alvo de obras profundas, e onde a Fonte desapareceu, sem ser apresentado à população o novo Projeto para o espaço.
“Quantos Prédios na Tapada?” é um boom bap clássico de bairro, com alma e memória, inspirado na vivência urbana da Tapada das Mercês, em Sintra. A letra retrata o quotidiano entre prédios, escadas longas e elevadores avariados, onde o betão convive com a diversidade cultural e a força de quem ali constrói vida todos os dias.
Entre o som do comboio que cruza a linha e o vento que sopra da serra, a música mistura realidade crua com orgulho comunitário. Fala de mães guerreiras, miúdos que sobem e descem andares, vizinhos de várias nacionalidades e da riqueza cultural que se sente em cada patamar.
Não é um postal ilustrado.
É retrato verdadeiro. É identidade.
E no meio do betão, fica sempre a pergunta que ecoa:
Papillon está a preparar-se para voltar a descolar, que é como quem diz que o rapper de Mem Martins está a lançar música nova e a preparar o caminho para a chegada de um novo álbum. O ex-GROGNaton refere que “¡ +1 !” é “um hino que pretende representar os sonhos daqueles que lutam por um mundo melhor, um lembrete de que os sacrifícios das gerações anteriores não foram em vão e da responsabilidade de manter esse sonho vivo.” GOIAS, Ariel, Migz e Púrpura assinam a produção do mais recente avanço do sucessor de Jony Driver, cuja apresentação ao vivo já está marcada para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no dia 20 de Março de 2026.
29 de maio, os @instinto26 convidam a ouvir o novo álbum “Priceless” antes do lançamento oficial, numa Listening Party especial, às 17h00, no Mercado de São Carlos, em Mem Martins, com o apoio da Junta de Freguesia de Algueirão Mem Martins e da Câmara Municipal de Sintra.
O single “Priceless” dos Instinto 26, produzido por Fumaxa e Daus e com a participação especial de Evandro, não apenas dá nome à música com também abre as portas para o tão esperado album de estreia do Grupo, nascido e criado na Freguesia de Algueirão Mem Martins.
Antes do lançamento oficial, os @instinto26 apresentam o álbum “Priceless”, no Mercado de São Carlos, em Mem Martins
Os Instinto 26 são um grupo de música urbana, constituído por Yuran, Julinho KSD, Trista e Kibow.
A par da apresentação do álbum, o coletivo @unidigrazz apresentará uma instalação artística de fotografia e pintura digital.
O ponto de partida deste roteiro do rap de Mem Martins é a Rua Artur de Sousa, em homenagem ao futebolista que ficou mais conhecido como Pinga, madeirense que foi durante o final dos anos 1940 um dos melhores jogadores portugueses, no FC Porto.
No Casal de São José, as ruas homenageiam heróis da bola, mas a vida fá-lo com outros heróis: este é o bairro que é um forte candidato a capital do rap. Um dos poucos bairros sociais desta freguesia, que serviu para realojar quem dantes vivia ali em barracas, mas também pessoas de outros sítios, foi imortalizado na música (e na gíria local) como KS Drama, termo cunhado pelo rapper Landim e apropriado anos mais tarde por Julinho KSD e tantos outros.
Foi aqui que muitos dos pioneiros do hip hop cresceram juntos e deram os primeiros passos. Logo nos anos 90, com os Da Blazz — inspirados por referências nacionais como a compilação “Rapública” (1994) e nomes como Boss AC ou General D. Eram seis elementos: Dinga, Drayzze, Blayzze, Jay, Jungle e Vatta. E já cruzavam o português e o crioulo cabo-verdiano para escreverem as letras.
“Tem a ver com a nossa vivência. Desde que nascemos que levámos com as duas línguas ao mesmo tempo, por isso para nós era natural”, explica Dinga, cujos pais são de Cabo Verde. O que não era tão normal, naquela altura, era este género de música chamado rap e esta cultura suburbana conhecida como hip hop. Não era socialmente aceite como hoje. Soava estranho, e o mainstream não percebia bem o que aquilo significava. Os Da Blazz, conta Dinga, foram confrontados com esses preconceitos e discriminação. Como todos os pioneiros.
“Tínhamos dificuldades em arranjar estúdio, e levávamos com o preconceito: estes gajos do rap e da street! Hoje é natural um miúdo querer fazer rap, os papás darem apoio e está tudo bem. Na altura, olhavam para nós e disseram: vocês não vão gravar aqui. Éramos conotados com a marginalidade. Ou com sermos agressivos. Não foi fácil encontrar a primeira editora que nos quis apoiar. E os nossos pais também não percebiam aquilo.”
O primeiro contrato foi com a editora de música tradicional Sons d’África, sedeada na Amadora. Um dos filhos do dono tinha gostado do que ouvira do grupo de Mem Martins. O primeiro álbum foi lançado em 1999: “Catchores Di Pinga”.
E é um título que tem uma explicação local. “As cotas, quando vínhamos das festas a fazer barulho, chamavam-nos catchores (cães em crioulo), e nós até gostávamos por causa do ‘my dawg’ dos Estados Unidos, que ouvíamos no rap americano. E diziam: catchores lá di Pinga”, referindo-se à tal Rua Artur de Sousa, ou Pinga, onde viviam. Acabaram por adotar a expressão para se referirem a eles próprios.
Este primeiro disco teve uma repercussão sobretudo local, e noutros bairros periféricos de Lisboa. O segundo álbum, “Dados” (2002) —mais maduro e elaborado, com canções mais apelativas para um público maior — trouxe um single que se tornaria conhecido a nível nacional, e que também chegaria com impacto a Cabo Verde: “Rola Dodo”, https://www.youtube.com/watch?v=sd4GHiv5VTE a canção do “charuto cubano”, cujo videoclip passava diariamente no canal Sol Música e que apresentou muitos à música dos Da Blazz.