22/10/2014

Usar transportes públicos? Só se deixar de ter carro ou perder rendimentos

Noticia jornal 'Publico'
A Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa promoveu um estudo sobre a satisfação dos utilizadores de transportes públicos.
Usar transportes públicos continua a ser visto por muitos como um castigo: de acordo com um inquérito realizado a cerca de dois mil habitantes da Área Metropolitana de Lisboa (AML), as pessoas que não se deslocam naqueles transportes dizem que deixar de ter automóvel ou sofrer uma redução de rendimentos seriam as principais razões que as poderiam fazer mudar de ideias. Acresce que para 60% dos não utilizadores vir a viajar de autocarro, metro, comboio ou barco é uma hipótese que nem sequer é equacionadaEstes são alguns dos resultados do Estudo de Satisfação dos Utilizadores de Transportes Públicos da AML, um trabalho que foi encomendado pela Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa (AMTL) ao ISCTE e cujos principais resultados foram dados a conhecer esta sexta-feira. A juntar ao já referido inquérito, que foi aplicado a 2008 pessoas, o estudo coordenado pela professora catedrática Elizabeth Reis incluiu 18 entrevistas etnográficas e seisfocus groups.
Além do perfil sócio-demográfico e de mobilidade dos habitantes da AML, incluindo qual a origem e o destino das suas deslocações, os inquéritos procuraram aferir qual o seu grau de satisfação com os transportes públicos. Nesse âmbito foram ouvidos não só clientes regulares dos mesmos, mas também pessoas que deixaram de os utilizar há menos de cinco anos e outras que não viajam neles há mais tempo do que isso. Olhando para o último grupo (que representa 41% dos inquiridos) verifica-se que 60% dos não utilizadores de transportes públicos dizem que com certeza que não virão a fazê-lo no futuro e que 23% o consideram pouco provável. Deixar de ter automóvel ou sofrer uma redução do rendimento são as razões mais apontadas para uma eventual alteração de atitude, seguindo-se a mudança de local de trabalho/escola/residência.    
Entre aqueles que deixaram de utilizar transportes públicos nos últimos cinco anos (16% dos inquiridos), a perspectiva é mais animadora para os operadores: 34% afirmam com certeza que não voltarão atrás na sua decisão e 32% consideram pouco provável voltarem a andar de autocarro, metro, comboio ou barco.  
E porque é que essas pessoas deixaram de andar de transportes públicos? Segundo os resultados do Estudo de Satisfação dos Utilizadores de Transportes Públicos da AML, que foram apresentados pelo director executivo e pela directora técnica da empresa de investigação e estudos de mercado Pitagórica, a mudança do local de trabalho/escola/residência foi o factor que mais pesou. Seguiu-se o facto de terem passado à condição de reformados/desempregados ou a mudança para o automóvel. Só depois disso surgiram elementos directamente associados ao serviço prestado pelas empresas de transportes, como o tempo de deslocação, o preço ou a comodidade/qualidade.    
Olhando apenas para os utilizadores, Alexandre Picoto e Rita Silva concluíram que há uma “ideia globalmente positiva dos transportes públicos da AML” e que o principal motivo para a sua utilização é económico. “Não é por ser mais sustentável ou mais agradável”, notou o director executivo da Pitagórica, frisando que “o racional é económico-financeiro”. Aos utilizadores e ex-utilizadores de transportes públicos foi também pedido que avaliassem um total de 26 indicadores. Contas feitas, aquilo com que as pessoas estão mais satisfeitas é com a rapidez do percurso, com a distância até à paragem ou estação, com o profissionalismo dos trabalhadores das empresas, com a adequação dos percursos às suas necessidades e com a frequência de veículos aos dias úteis. Já os aspectos mais contestados são o preço dos bilhetes avulso, os transportes alternativos em períodos de greve, o preço dos passes mensais, a frequência de veículos ao fim-de-semana e a frequência das greves.  
Durante a sessão de apresentação deste estudo, o director de serviços de contratualização, fiscalização e financiamento da AMTL adiantou que no primeiro semestre de 2014 os utentes dos transportes públicos fizeram 3492reclamações no chamado Livro Vermelho. Segundo Hugo Oliveira, esta foi a primeira vez (desde 2011) em que o número de queixas registado num período de seis meses ficou abaixo da barreira dos quatro mil. Explicando que em média são recebidas nove mil reclamações por ano, o dirigente considerou que esse é um número “muito alto”. Em relação aos visados nas queixas, Hugo Oliveira notou que a empresa Transportes Sul do Tejo tem tido “uma tendência muito crescente”. Quanto aos motivos que levam as pessoas a protestar, este orador notou que as questões relativas aos títulos de transportes são “uma constante”.    
Carris? Multidão. Metro e CP? Greve e sardinha em lata

Que palavras são associadas aos diferentes operadores de transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa? Nos focus groups em que participaram 42 pessoas, 93% das quais utilizadoras regulares desses transportes, “multidão”, “confuso” e “lento” foram algumas das palavras associadas à Carris.

O termo “caro” foi ligado à Vimeca mas também à Rodoviária de Lisboa, em relação à qual também se falou em “seca”. Para muitos, a Transportes Sul do Tejo é sinónimo de “trânsito”, “poluente”, “lento” e “filas”.


A CP é associada a “greve”, “sardinha em lata” e “rápido”, enquanto a Fertagus tem essencialmente associações positivas: “seguro”, “pontual” e “rápido”. Também o Metropolitano de Lisboa surge ligado às palavras “greve” e “sardinha em lata”, enquanto a Metro Transportes do Tejo surge ligada a “ecológico” e “confortável”, mas também “perigoso”.
“Mau cheiro” e “pessoas mal cheirosas” são ideias que se associam a vários operadores, mas só um é referido como não tendo greves: a Fertagus. 

[Jornal de Noticias] Sintra aprova discussão pública para nova área comercial

Noticia 'Jornal de Noticias' (link) 
  21.10.2014 - 22:18

A Câmara de Sintra aprovou, por maioria, submeter a discussão pública o Plano de Pormenor da Abrunheira Norte, que prevê a construção de mais uma grande superfície da Sonae no final do Itinerário Complementar 19.

























O Plano de Pormenor da Abrunheira Norte (PPAN) abrange uma área de cerca de 70 hectares, delimitados pelo IC19 (Lisboa-Sintra), Autoestrada 16 (CREL-Cascais) e EN 249-4 (junto ao Leroy Merlin), para a construção de uma área comercial, de serviços, hotelaria e parque urbano e temático, "Sintra dos Pequeninos", com miniaturas de monumentos da vila.

Na reunião do executivo, o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS), explicou que o projeto "é a cidade da Sonae" e que o "investimento global é da ordem dos mil milhões de euros, com 600 postos de trabalho diretos".

O plano teve início em 1998, por iniciativa do Carrefour, entretanto adquirido pelo grupo proprietário dos hipermercados Continente, e integra a Área Urbanística de Génese Ilegal (AUGI) de Colónia e Sesmarias.

Além de uma área comercial, com cerca de 20 mil metros quadrados, o plano prevê espaços para serviços, unidade de saúde, dois hotéis e loteamentos de habitação unifamiliar, num total previsto de cerca de mil habitantes.

parque urbano temático, com um circuito de manutenção e ciclovia, estende-se por dez hectares e inclui zonas de estadia e equipamentos na "Sintra dos Pequeninos", que consiste em elementos escultóricos ou construtivos reproduzindo os principais monumentos da vila classificada pela UNESCO como património mundial.

Numa área adicional de quatro hectares desenvolve-se o parque de recreio e lazer, associado à ribeira de Caparide-Manique, estando ainda prevista uma bacia de retenção na confluência com outra linha de água.

O plano considera uma distribuição multifuncional de usos do solo repartida em 32% para atividades económicas e turismo, 22% com função residencial e 42% para usos de recreio, lazer, proteção e enquadramento e espaço rústico de produção (hortas comunitárias).

"Zona com sobrecarga de áreas comerciais"
O vereador Pedro Ventura justificou a abstenção da CDU na votação do plano por este ter "muitos aspetos positivos", como o parque urbano, as áreas de hotelaria e de serviços, a requalificação da AUGI, mas apontou como negativa "a área comercial de grande dimensão".

"Naquela zona existe uma sobrecarga de áreas comerciais", frisou o autarca, mencionando o Fórum Sintra e o futuro centro comercial Jumbo, a construir no nó de Mem Martins do IC19.

Pedro Ventura defendeu que "seria mais interessante naquela zona outro tipo de serviços, ligados à química, à farmacêutica ou mesmo de serviços partilhados".

O vereador independente Marco Almeida, que se absteve na votação, valorizou a oportunidade de investimento, mas notou a importância de ser acautelada a questão da "mobilidade numa zona que tem uma intensa procura" e "que é uma zona estratégica do concelho".

"É um dos investimentos mais importantes que Sintra teve, senão o mais importante", vincou Basílio Horta, acrescentando que "a parte comercial é uma pequena parte de tudo o resto", nomeadamente dos hotéis e da saúde.

O autarca admitiu que a câmara pode "discutir até ao limite a redução da parte comercial", mas trata-se de uma propriedade privada e o plano vai permitir requalificar um espaço importante do concelho.

19/10/2014

Procissão Nossa senhora Mercês 2014

Festa de Nossa Senhora das Mercês 2014
26out » 14h30

Foto do interior da capela

[Jornal de Sintra] Escola Secundária Mem Martins » Adelino Gomes celebra Abril com alunos no dia 23Out

Noticia 'Jornal de Sintra' (link)

A 23 de outubro, pelas 15.30, decorrerá, na Biblioteca da Escola Secundária de Mem Martins um evento muito especial inserido nas comemorações dos 40 anos do 25 de abril. 

Nesse dia e nessa hora, o jornalista Adelino Gomes conversará com os alunos e docentes da escola sobre aquele dia inicial inteiro e limpo (como lhe chamou Sophia). 

Testemunha da revolução enquanto jornalista e enquanto cidadão, Adelino Gomes por certo irá relatar muitas das suas recordações, que de resto ainda recentemente partilhou por escrito no seu livro Os Rapazes dos Tanques, com textos seus e com fotos de Alfredo Cunha.

Com Adelino Gomes estará também presente o ex-furriel Augusto Raposeiro, militar de abril que, integrado na coluna do capitão Salgueiro Maia, foi participante ativo do movimento desde a primeira hora. De salientar que Augusto Raposeiro é cidadão sintrense, tendo em Mem Martins exercido o seu
ofício de livreiro durante muitos anos (lembram-se da livrariaAstrolábio?).

Esta iniciativa, que é organizada pelo Clube Europeu da Escola, é aberta a toda a comunidade, como é timbre das muitas actividades culturais e cívicas que a Escola Secundária de Mem Martins (escola sede do respetivo Agrupamento de escolas) leva a cabo.

Sérgio Luís de Carvalho

18/10/2014

[Jornal de Noticias] Acidente fatal de gravida residente em Mem Martins

O despiste de um veículo ligeiro, pelas 7.45 horas desta sexta-feira, em Alcácer do Sal, causou a morte da condutora, grávida de 7 meses. Os médicos tentaram salvar o bebé fazendo uma cesariana, mas a menina acabou também por morrer.
Local onde ocorreu o acidente mortal                                                  PAULO LOURENCO/JN


O carro despistou-se, na Estrada Nacional 5, num troço conhecido como "a descida da terça", pouco antes da localidade de Alberge, Alcácer do Sal.
A condutora, de 31 anos, e grávida de 7 meses, seguia para o emprego, em Alcácer do Sal, quando o veículo entrou em despiste, roçou na vedação de um campo agrícola e embateu lateralmente numa árvore.
Grávida e bebé morrem em despiste de carro
Carro entrou em despiste e embateu lateralmente numa árvore 
 
FOTO PAULO LOURENCO/JN





No local estiveram os Bombeiros Voluntários de Alcácer do Sal e a VMER do Litoral Alentejano. Quando chegaram, as equipas de socorro encontraram a mulher, dentro do veículo, em paragem cardíaca. Foi depois transportada para o centro de saúde de Alcácer, onde foi declarado o óbito.

Os médicos decidiram fazer uma cesariana numa tentativa de salvar o bebé, mas tal já não foi possível, tendo a menina também falecido.

Cristina residia em Mem Martins, Sintra, com o companheiro e esperavam o primeiro filho.

17/10/2014

Projecto Novo Hiper Continente - entrada de Mem Martins (Abrunheira)

Clica nas imagens para aceder à edição nº1 do Jornal da Região, com as noticias completas

Incluído no Plano de Pormenor da Abrunheira Norte,está projectada uma nova superfície comercial, hipermercado Continente, mesmo às portas de Mem Martins, situado na União de Freguesias de Sintra
[há uns atrás já se falava na construção nestes terrenos, de um hipermercado Carrefour)

Abaixo, excerto da noticia no Jornal da Região de Sintra
edição nº1 de 15 a 21 de Outubro de 2014

(clica para ler a noticia completa e ver imagens do projecto)

Terreno do projecto visto do IC19

Terreno do projecto do lado esquerdo (Abrunheira)

Abaixo, assinalado a vermelho, 
o terreno onde está projectado novo 'hipermercado Continente'


Obrigado!!! (mensagem de agradecimento dos BVAMM)

No âmbito do DECIF 2014 (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais) as Empresas: Adreta, Resiquímica, Solar de São Carlos, Quente e Frio, Tendinha, Pingo Doce do Fórum Sintra e a Panialves forneceram as refeições diárias para as equipas do dispositivo, queremos deixar um especial agradecimento a estas Empresas.

O nosso mais sincero obrigado por toda a colaboração e disponibilidade, foram um exemplo do apoio da Sociedade Civil.

16/10/2014

'Viagem' » Espaço TapaFuros (Belavista) 17/18Out

É com muito prazer que os Frente&Verso apresentam novamente a Viagem, desta vez no âmbito do festival 24 anos, 24 espectáculos do Teatro TapaFuros 

Vamos estar em cena dia 17 e 18 de Outubro no Espaço TapaFuros (Estúdio Doiséme) no centro comercial Bela Vista em Mem Martins.



Para reservas e mais informações:
933 873 659/966 653 155
reservas@teatrofrenteverso.pt





15/10/2014

A tradicional Feira das Mercês

Feira das Mercês em 1956
A Feira das Mercês é a maior e mais característica feira da região saloia. Não se conhecem com exactidão as suas origens, mas estas são seguramente muito antigas; segundo uma tradição, esta feira seria herdeira de um muito remoto mercado de escravos árabe. Foi transferida para Oeiras em 1771, por iniciativa do Marquês de Pombal, mas viria a regressar ao local original por ordem da Rainha D. Maria I. 

Esta feira teve grande influência na economia de Rio de Mouro, que era - e assim permaneceu até à primeira metade do século XX - uma freguesia essencialmente rural, com quintas, hortas, vinhas, olivais, pomares, e criação de gado. 

O recinto onde se realiza actualmente fica situado na Quinta das Mercês (ou da Marquesa), na zona norte da Tapada das Mercês. Junto do local fica a Capela de Nossa Senhora das Mercês e Cruzeiro, e ainda o célebre Muro do Derrete, ou do namoro, que delimitava a feira, dando nome a uma rua que aí passa. Junto deste muro sentavam-se as "raparigas casadoiras", e os seus namorados. Na referida capela está uma imagem de Nossa Senhora das Mercês, muito venerada na freguesia, que é levada em procissão na feira. 

Fonte: Direcção Geral do Património Cultural




14/10/2014

O cão Farófias, a gata Estrela e o Dom Corujão


Entre o dia 13 de Outubro e o dia 11 de Novembro, a bYfurcação - Associação Cultural, em parceria com a Junta de Freguesia, vai promover um espectáculo teatral nas escolas da freguesia.


A peça com o nome "O cão farófias, a gata estrela e dom corujão o mocho sabichão", visa sensibilizar as crianças em relação ao abandono e ao tratamento dos animais domésticos.

DINAMIZA-TE »18out

Dinamiza-te 

No próximo sábado, dia 18 de outubro, a Dínamo – Associação de Dinamização Sócio-Cultural, em parceria com a junta de freguesia de Algueirão Mem-Martins e com o apoio do Centro Comercial Floresta Center, vai promover uma ação de requalificação urbana na estação das Mercês.

Sob a tutela do grafiter Nomen, 14 jovens voluntários vão limpar e pintar algumas paredes da estação, dando assim uma nova imagem a um recanto da estação.




Para mais informações contactar a Dínamo.

13/10/2014

Mensagem no Centro de Saúde



Mensagem à entrada do Centro de Saúde, 
na Estrada de Mem Martins

[Jornal i] Jihadista português. Em Mem Martins confunde-se o Estado Islâmico com o ébola e a novela

 (clica no logo para aceder ao link)


No subúrbio de Lisboa onde Fábio, agora Abdu Rahman, cresceu, toda a gente parece ter a certeza de que o jihadismo não o colheu ali. Jovens, entre eles um ex-colega, e uma antiga professora de francês partilham as suas opiniões


Na leitaria que recebe os passageiros da linha de comboios de Sintra à entrada da estação Algueirão-Mem Martins, ninguém parece ter uma opinião formada sobre o Estado Islâmico (EI). Mas já todos ouviram falar de Fábio Poças, agora Abdu Rahman al-Andalus, o rapaz "pacato" de 22 anos que, depois de se mudar de Mem Martins para Londres sozinho, partiu há um ano para a Síria a fim de se juntar ao grupo. É o "jihadista português", um de pelo menos 12 nacionais ou luso-descendentes que já se juntaram às fileiras do bando armado nascido com a guerra da Síria e que, há alguns meses, depois da tomada de Mossul no Iraque, anunciou a instalação de um califado islâmico naquela região do Médio Oriente.

"O Estado Islâmico? Só ouvi falar por aí, mas não sei o que é, deve ser mais um bando de malucos", larga uma senhora sobre a sua bica ao balcão, enquanto o anfitrião da leitaria se ri, nervoso. "O meu sobrinho que está ali fora é que deve saber onde pode encontrar jovens para lhe falar disso", diz-nos o dono do café.

O sobrinho chama-se Fábio, como Abdul se chamava quando vivia naquele subúrbio da capital portuguesa. Quando lhe mostramos a capa da "Sábado", onde Abdu Rahman surge com o dedo indicador da mão direita erguido no ar e a bandeira negra do EI na mão esquerda, confirma que é Fábio.

"Tem o mesmo nome que eu, não podia ser boa peça...", diz a rir. Respondemos-lhe que já não se chama Fábio, que agora tem um nome árabe. "Ele levou uma lavagem lá em Londres, aqui é que não foi!", responde cheio de certezas o homónimo, três anos mais velho que o Fábio que já não o é. "Eu no início até pensava que era mais uma palhaçada do 'Correio da Manhã'", mas é mesmo ele... Fui colega dele, não éramos da mesma turma mas às vezes jogávamos futebol nos intervalos. Era o que ele gostava de fazer, jogar futebol. Acho que foi por isso que desistiu da escola no 11º ano, para ir para um clube de Londres", acrescenta a endireitar o boné na cabeça.

Como a senhora que entretanto abandonou a leitaria, Fábio não tem grande opinião sobre o Estado Islâmico, mas tem algumas certezas sobre a vida do conterrâneo e muitas sobre como é que ele acabou a juntar-se ao EI. "Ele morava em Ouressa, depois mudou-se com a mãe para o Cruzeiro, antes de ir para Londres. Era muito fechado, se calhar esse é que era o problema dele... E lá em Londres de certeza que começou a usar o darknet, escreve aí, é a maneira de usar a internet para comunicar sem que detectem os movimentos deles, de certeza que lá em Londres ele se meteu no darknet e foi assim que lhe lavaram a cabeça."

Terá sido o cérebro a ser lavado. Na entrevista que deu à revista semanal, uma tão aplaudida quanto criticada como "propaganda", Fábio, agora Abdu, parece certo de que está a ajudar aqueles que tanto Bashar al-Assad como os insurrectos que o Ocidente financia contra o regime sírio têm andado a oprimir, à vez, em mais de três anos de guerra civil.

Meses antes de partir para a Síria, numa das últimas publicações na sua conta de Twitter, Fábio anunciou que acabara de tomar "a decisão da sua vida", uma que começou oficialmente em Outubro de 2013, quando se mudou para Minbij, no Norte da Síria. Desde então escalou na formação islamita sunita e é hoje um "treinador militar"; pelas suas mãos já teriam passado mais de mil recrutas, garante o próprio, e entretanto já tem três mulheres, entre elas Ângela, uma portuguesa do Alentejo que foi viver para a Holanda, de onde partiu para Minbij a fim de se juntar ao futuro marido, depois de se conhecerem na Internet.

Em Mem Martins ninguém sabia que Fábio agora tem três mulheres, nem ninguém sabe bem o que o levou a deixar--se seduzir por um fundamentalismo que nem a Al-Qaeda parece aprovar ou apoiar. O colega Fábio, o que ainda o é, indica- -nos o caminho para a escola onde estudou com o jihadista português, a Ferreira de Castro, em Ouressa. "Aquilo lá é só quadrilheiras, de certeza que vão querer falar!" À chegada, nenhuma porteira ou auxiliar, apenas um porteiro que não sabe quem é Fábio, ou Abdu, nem o que é o Estado Islâmico e que não tem interesse em conversar sobre o assunto.

Já C., uma antiga professora de francês do jovem nos seus 8º e 9º anos, explica ao i, num tom plácido, o mesmo que o ex-colega de Abdu garantia um pouco antes: que "não foi certamente em Mem Martins" que o rapaz teve contacto com o Islão e com a interpretação arcaica das escrituras que está a alumiar a cruzada do EI. "Era um aluno pacato, muito calado. Não era muito bom a francês mas não porque não quisesse, acho eu, era mais porque gostava muito de desporto e só queria jogar futebol, vinha quase sempre para as aulas equipado e com chuteiras", explica, contrariando em certa medida o autoelogio de Fábio à "Sábado"("Sou bom a aprender línguas.")

"Sabe qual é que acho que é o problema?", acrescenta a professora em modo retórico. "É quando os miúdos não têm um bom acompanhamento familiar... Ele foi para Londres sozinho quando era tão jovem, uma cabeça sem acompanhamento fica mais vulnerável. Porque é como lhe digo, Mem Martins é um sítio perigoso mas o Fábio nem sequer andava metido em gangues, nunca soube de ter arranjado problemas com alguém..."

ESTADO QUÊ? Na escola Ferreira de Castro, nenhum dos jovens que fala com o iparece saber - ou querer saber - ao certo o que é o Estado Islâmico, como surgiu, que pretensões tem, onde e como actua... O grupo só não passa totalmente despercebido porque, há pouco tempo, uma novela portuguesa da TVI, "Jardins Proibidos", incluiu uma referência à actualidade, na voz de uma personagem que chora desalmada porque a irmã Sandra "agora chama-se Leila, usa uma burqa e um daqueles véus que só deixa os olhos de fora e pertence a esses grupos que usam metralhadoras e treinam as pessoas e matam as pessoas".

É essa a referência evocada quando se pergunta sobre o Estado Islâmico aos jovens. Um deles oferece-se para nos mostrar o caminho da escola para o parque desportivo do Casal de São José, que alberga o clube de futebol Arsenal 72, onde Fábio jogava quando morava em Mem Martins. Pelo caminho falamos-lhe do jovem jihadista português e o rapaz angolano, de pele mais escura que o angolano Fábio/Abdu nascido em Benguela, entra numa dissertação sobre a natureza ter formas de equilibrar o mundo.

"Isso do Estado Islâmico é como o ébola, você vê, agora veio aí esse vírus, mata umas pessoas, e a seguir volta tudo ao mesmo." Tentamos orientá-lo de volta ao tema e perguntamos se sabe o que os militantes do grupo têm feito e onde. "Isso é lá no outro lado do mundo, não é? Aquilo é diferente, eles lá sabem. Cada um tem as suas crenças e a natureza é que sabe. Digo-lhe, isso é mesmo como o ébola", sublinha. E segue caminho. No Arsenal 72 não há quem acuda: os campos de terra batida estão vazios à excepção de um rapaz negro que treina capoeira de headphones nos ouvidos e um homem que passeia o seu chihuahua e que nos indica que "só lá para o final da tarde é que chega alguém à secretaria" do clube.

Depois de uma curta viagem de Mem Martins à vizinha Tapada das Mercês, na Associação da Comunidade Islâmica da Tapada das Mercês e Mem Martins (ACITMMM) somos novamente empurrados para o ébola. Enquanto a comunidade termina a oração da tarde nas mesquitas improvisadas nas garagens das traseiras, lemos os avisos em letras garrafais colados na porta de entrada da associação, que pedem a todos os membros que informem as autoridades se tiverem regressado recentemente de países como a Libéria e a Serra Leoa, na África Ocidental, onde o surto viral já matou mais de quatro mil pessoas em pouco mais de seis meses, ou que vão ao hospital se tiverem sintomas como febre e diarreia.

Aqui o ébola parece ser uma preocupação maior do que o EI, sobretudo tendo em conta que é composta por "emigrantes negros africanos", explica Moctar Diallo, coordenador da associação, que nunca ouviu falar de Fábio.

Durante mais de uma hora, o senegalês de 47 anos há-de falar sobre o trabalho da ACITMMM, que há um ano foi distinguida com o prémio Solidar Silver Rose de Justiça Social Europeia, sobre como estão a tentar rentabilizar o espaço alugado a 100 metros da estação das Mercês, sobre os cursos e programas que têm, os alertas constantes aos membros sobre a paz que o profeta Maomé prega em nome de Alá, sobre a importância de se viver em simbiose com a natureza e de nos lembrarmos que, "como humanos, somos imperfeitos".

Sobre o EI não diz muito, só que "é também contra isso" que a associação luta, apesar de admitir que nas hutba, espécie de palestras do imã antes de cada oração - onde se fala sobre "como está o mundo, a comunidade e a sociedade em que vivemos" - ainda não se fez referências ao grupo extremista.

Ainda assim, Moctar tem uma opinião pessoal. "O problema é que a maior parte da sociedade islâmica é ignorante, não sabem nada. Nem eles nem outros noutras sociedades. Nós, muçulmanos, rezamos cinco vezes por dia para não nos esquecermos que somos imperfeitos e que devemos ser solidários e pacíficos. Se calhar devíamos rezar 52 vezes por dia e não cinco! Hoje temos um grande problema: não se apoia nem se investe no lado humano, em lado nenhum do mundo. Quando a verdade é que, se alguém está na rua a fazer o mal, ou se um jovem português sai de Mem Martins para ir para a Síria juntar-se a este grupo, eu tenho culpa disso e você também. Temos todos culpa."