A Quinta do Scoto está situada em Meleças, no concelho de Sintra, e ocupa um lugar importante no património português. Segundo a inscrição na base da cruz de pedra existente sobre a porta da antiga capela, a construção da Quinta foi concluída em 1746. Isto aconteceu apenas nove anos antes do grande terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e muitos edifícios das localidades vizinhas, incluindo Sintra.
Felizmente, a Quinta sobreviveu ao terramoto. No interior da capela existe uma placa de azulejos, datada de 1757, dando graças a Nossa Senhora da Misericórdia e a São Marçal, em agradecimento pela sobrevivência ao violento terramoto ocorrido dois anos antes.
Características especiais
A Quinta conserva várias características muito próprias da época em que foi construída. Entre elas encontram-se os bancos de pedra maciça junto às janelas. Antes da existência de iluminação elétrica, as senhoras da casa senhorial sentavam-se nesses bancos para coser e observar o movimento no exterior.
Todas as janelas do rés-do-chão estão protegidas por grades metálicas exteriores, enquanto as janelas de grande altura do piso superior possuem guardas de ferro, elementos igualmente característicos daquele período.
Mas uma das características mais extraordinárias da Quinta são os azulejos tradicionais, feitos à mão, em tons de azul e branco, que revestem as salas de receção do piso térreo.
Existem mais de 4.500 azulejos, datados da primeira metade do século XVIII, da época em que a Quinta foi construída. Em muitas das salas, os azulejos apresentam padrões tradicionais, incluindo representações de querubins e flores, repetidos com grande precisão ao longo das paredes.
O ponto alto encontra-se na sala de jantar, decorada com raros e únicos azulejos figurativos que representam edifícios, homens e mulheres da nobreza, carruagens, cavalos, cães, cenas de caça, entre outros elementos.
Segundo a tradição, estes azulejos representam cenas dos arredores da Quinta na época da sua construção. Como muitos dos edifícios existentes na região não sobreviveram ao terramoto de 1755, os azulejos poderão constituir um valioso registo da paisagem e da vida local daquele período.
Rocha Martins e o Marquês de Pombal
O historiador e escritor português Rocha Martins, autor de várias obras de referência, viveu durante a década de 1940 numa pequena casa situada na extremidade da Quinta. Rocha Martins relata que um dos primeiros proprietários da Quinta do Scoto terá sido o capelão do Marquês de Pombal. Em 1777, após uma mudança na monarquia portuguesa, o Marquês de Pombal caiu em desgraça junto da nova rainha de Portugal. Segundo o relato, terá passado os seus últimos dias na Quinta, na companhia do seu capelão, antes de ser banido para a sua propriedade no Norte de Portugal.
As tropas de Napoleão
Existe ainda uma tradição segundo a qual, durante a Guerra Peninsular, quando a França ocupou Portugal no início do século XIX, o exército de Napoleão Bonaparte terá acampado nos terrenos da Quinta. A localização estratégica da Quinta e a abundância de água terão sido fatores que contribuíram para a escolha daquele local.





