Tempo em Algueirão Mem Martins

segunda-feira, 6 de maio de 2019

[Público] Nova Mesquita na Tapada das Mercês


Era “uma necessidade”. Na Tapada das Mercês até há pouco mais de uma década “não havia nada” nem ninguém para ajudar os miúdos que regressavam da escola com os trabalhos de casa para fazer. Os pais, oriundos da Guiné Conacri, de Moçambique, do Senegal, que tinham imigrado para Portugal à procura de uma vida melhor, não os conseguiam ajudar. Foram eles que ajudaram a construir esta parte do concelho de Sintra — longe do bilhete-postal que é a vila de Sintra— que de aldeia passou a selva de betão. 


Estávamos em 2007 quando um grupo de “pessoas de vários países e culturas” se juntou para criar, não só um espaço de oração, mas um espaço onde se pudessem partilhar experiências, melhorar a integração dos imigrantes e, ao mesmo tempo, se promovesse o conhecimento e valorização das culturas dos seus países, e da religião islâmica. 


Em Agosto desse ano seria erguido o primeiro pilar da Comunidade Islâmica da Tapada das Mercês e Mem-Martins: uma mesquita que, ainda que fosse improvisada, se tornou espaço de culto para aquela comunidade. Até aos dias de hoje, a mesquita funciona numa garagem, onde os crentes fazem o seu culto. Se tudo correr como o previsto, a comunidade islâmica da Tapada das Mercês terá, no início do próximo ano, um local de oração mais digno, assim como um grande centro de apoio à comunidade local, que está a ser construído num terreno cedido pela autarquia.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Vale de Porcas

Por artes mágicas com pozinhos perlim-pim-pim e tudo, o que antes se chamava “Vale de Porcas” ou “Vale Porcas” sem “de”, virou “Vale Flores”. A origem do primeiro nome tem a ver com a existência de muitas cortes suínas de que até a realeza se recorria para abastecer as despensas e as salgadeiras dos Palácios da Vila e da Pena e, também, o de Queluz, desde a época dos desvarios de Carlota Joaquina que consorte rainha se tornou quando o regente D. João foi Rei com o número VI.
Este “Vale”, agora “Flores” e antes “Porcas”, corresponde à parte antiga com entrada por Ranholas ou Chão de Meninos, na banda de cima do A 16. Do lado de Mem Martins, fica então a parte nova de “Vale Flores” que nunca chegou a ser “Vale Porcas” e, antes, “Chancuda” e “Casal da Charneca”.
Extraído dos textos “Abrunheira, Terra com História” de Silvestre Félix, publicados no extinto blogue “Aldeia Viva” durante 2007 e 2008.

terça-feira, 30 de abril de 2019

SMAS de Sintra investem seis milhões de euros em Algueirão – Mem Martins

No âmbito das Presidências Abertas efetuadas pelas freguesias do concelho, Basílio Horta visitou esta segunda-feira a Freguesia de Algueirão – Mem Martins, onde foi apresentado um plano de investimentos globais do SMAS de Sintra no valor de seis milhões de euros.

Foi também assinado o auto de consignação que inicia a empreitada de remodelação da rede de drenagem de águas pluviais na bacia da Rua do Coudel, em Mem-Martins, no valor de 405 mil euros.

Esta obra irá melhorar a resposta do sistema de drenagem, uma vez que a zona envolvente é fortemente impermeabilizada e plana, condicionando as soluções convencionais de drenagem através de coletores. Será remodelado e beneficiado o sistema de drenagem pluvial existente, de forma a aumentar a capacidade de transporte, minorando a ocorrência de inundações. 

“Esta era uma obra há muito solicitada pela população, a necessidade de intervenção nas redes de distribuição de água surge devido à inadequação das redes existentes, ao elevado número de roturas, aos incómodos e prejuízos causados à população e na qualidade do serviço prestado às populações residentes”, afirmou Basílio Horta, presidente da Câmara Municipal de Sintra.


Durante a reunião de trabalho foi apresentado o projeto já adjudicado de construção de um ecocentro. Os ecocentros são recintos fechados onde se pode depositar tudo aquilo que se coloca num ecoponto, bem como todos os resíduos de características diferentes ou de grandes dimensões, que combatem a deposição ilegal de resíduos e aumenta as recolhas seletivas, num investimento de 600 mil euros.
Basílio Horta considera que “o ecocentro vem dar resposta às várias solicitações para recolha e deposição de materiais que não devem ser colocados no contentor indiferenciado”.

Abrangendo cerca 13 mil 360 habitantes, está em concurso a remodelação da rede de distribuição com origem no reservatório de Ouressa, em que serão remodeladas as redes de abastecimento e ramais, substituindo as redes antigas em fibrocimento, com elevado número de roturas, por condutas em PEAD ou PVC, pelo valor de 1 milhão e 325 mil euros.

Também em curso está a construção da ciclovia e remodelação de redes de águas no Algueirão, substituindo as redes antigas em fibrocimento, com elevadas ocorrências de roturas, por novas, num investimento de três milhões de euros. Este é um concurso lançado em conjunto com a autarquia, assegurando a coordenação na execução dos trabalhos de remodelação das infraestruturas e a obra de construção da ciclovia. 

Já concluída está a reabilitação estrutural do reservatório das Mercês Novo, com reabilitação e reforço estrutural das duas células e câmara de manobras do reservatório, estratégicos para o abastecimento de água ao município, no valor de 569 mil euros.

A remodelação da câmara de manobras, e trabalhos de conservação e beneficiação dos reservatórios apoiado e elevado da Cavaleira, num investimento de 395 mil euros também já se encontra concluída.

Assim, na União de Freguesias Algueirão – Mem Martins foi apresentado o plano de investimentos que totaliza seis milhões de euros.

domingo, 21 de abril de 2019

Ocaso Épico [video]

A garagem do Farinha no Algueirão, era o espaço de ensaio da banda 'Ocaso Épico'. 

Os Ocaso Épico foram uma banda portuguesa de rock alternativo formada em 1981 por Farinha (nome artístico de Carlos Cordeiro), Alberto Garcia, Anabela Duarte, Ricardo Camacho e Rui Magalhães.

O primeiro tema que editam é Memórias, gravado em 19 de Outubro de 1984, que é incluído na compilação Ao Vivo No Rock Rendez-Vous em 1984 com o título Intro

O programa de rádio "Som da Frente", de António Sérgio, considera-os como a melhor banda ao vivo de 1984, em conjunto com os GNR



Nascido em 1957, Farinha estudou engenharia no Instituto Superior Técnico, cedo integrando múltiplas actividades artísticas, de onde se destaca o ter tocado gaita de foles e stylofone num grupo de música popular. Estudou guitarra, flauta e voz no Hot Clube e fez teatro no Centro Cultural Roque Gameiro e circo no Chapitô (chegando a apresentar peças de teatro no Teatro da Comuna com este grupo num espectáculo de teatro-circo de Henrique Tenreiro). A sua produção teatral rendeu-lhe o primeiro sintetizador, comprado com dinheiro que fez de um espectáculo. Paralelamente a estas actividades perfomáticas, foi sempre praticando e interiorizando filosofia oriental. 

Em 1976, fez yoga no Centro Tibetano da Ogian Centre e, em 1980, estudou filosofia yin-yang no Instituto Kuchi. Mas foi na música que a sua influência  foi mais marcante e a sua actividade mais continuada. O seu primeiro grupo de pop-rock surge em 1980 e chamava-se "WC", integrando elementos como Anabela Duarte e Manuel Machado, companheiros também de grupos posteriores, e onde explora a guitarra, a flauta e a voz.
Em 1981, forma os emblemáticos "Ocaso Épico", que marcaram inequivocamente a música pop dos anos 80. Ligados para sempre ao apogeu do Rock Rendez-Vous, foram uma das bandas que mais actuações ao vivo realizou naquela mítica sala de concertos. 

Em 1988, lançaram o disco "Muito Obrigado", editado pela Dansa do Som. Todas as letras e músicas foram compostas pelo Farinha e os músicos que participaram foram : Pedro Barrento, Rui Moreita, Zé Nabo, Alberto Garcia, Rui Fingers, Ricardo Camacho e José Carrapato, e com a colaboração de Mário Guia na gravação. 
(texto do jornal Público publicado por ocasião do falecimento de Farinha Master)