Tempo em Algueirão Mem Martins

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Bairro Teimoso - Mem Martins

Os antigos habitantes de Mem Martins apelidavam aquele conjunto de casas, perto do Cruzeiro como “Bairro Teimoso”. Era uma pequena comunidade onde as portas se abriam facilmente, as crianças brincavam na rua até o sol desaparecer e os vizinhos sabiam sempre quem precisava de ajuda.

Ali perto do Cruzeiro, por onde hoje passam milhares de carros, existia um Mem Martins mais calma, feita de conversas à porta, de bicicletas encostadas aos muros e de gente que se cumprimentava pelo nome.

O nome "Teimoso" ficou ligado a uma zona que, apesar das mudanças e do crescimento da vila, parece ter mantido a sua identidade. Enquanto os prédios foram aparecendo e os campos deram lugar a novas construções, aquele pedaço de Mem Martins continuou agarrado às suas memórias, atualmente bem escondido.

Muitos moradores antigos ainda recordam os tempos em que o Cruzeiro era um verdadeiro ponto de encontro. Era ali que se marcavam encontros, onde se esperava alguém, onde se comentavam as novidades da terra e onde se sentia o pulsar de uma comunidade que crescia.

O Bairro Teimoso é uma dessas páginas da história de Mem Martins que merece ser contada: uma história feita não apenas de ruas e casas, mas das pessoas que ali viveram, trabalharam, brincaram e ajudaram a construir a vila que hoje conhecemos. Ali também existiram construções tipicamente saloias que foram demolidas, onde hoje já existem prédios. 



Fonte dos Casais de Mem Martins

Houve um tempo em que uma simples fonte era muito mais do que um lugar onde se ia buscar água. Era um ponto de encontro, um lugar de passagem obrigatória, onde se cruzavam rostos conhecidos e onde cada ida à fonte trazia sempre uma conversa nova.

Antes da água canalizada chegar a todas as casas, a Fonte dos Casais fazia parte do dia a dia de muitas famílias. Ao ombro ou pela mão, levavam-se cântaros, bilhas e garrafões, num caminho que já todos conheciam. A água era preciosa e cada viagem tinha um propósito, mas acabava muitas vezes por ser também um momento de convívio.
Enquanto se esperava pela vez de encher os recipientes, as conversas iam surgindo naturalmente. Falava-se da vida, das dificuldades, das alegrias, das festas, das colheitas e das histórias da terra. Era ali que se sabiam as novidades, que se combinavam encontros e que se reforçavam amizades antigas.
A fonte era uma espécie de jornal da comunidade, mas sem páginas nem letras. As notícias passavam de pessoa para pessoa, entre sorrisos, cumprimentos e pequenas conversas que faziam parte da rotina de quem ali vivia.
Muitas crianças cresceram a acompanhar os pais ou os avós nesses caminhos até à fonte. Eram tempos em que se aprendia o valor da água, o respeito pela natureza e a importância da entreajuda. Um simples gesto, como ajudar a carregar um garrafão, fazia parte da vida familiar.

Hoje, abrir uma torneira e ver a água correr parece algo garantido. Mas houve uma época em que cada litro de água trazia consigo uma história: o caminho até à fonte, o encontro com os vizinhos, o som das conversas e até aquele momento de descanso à sombra enquanto se esperava.
A Fonte dos Casais guarda na sua memória muito mais do que água. Guarda vozes, rostos e lembranças de uma comunidade que se encontrava junto a uma nascente, onde cada pessoa levava para casa um recipiente cheio… mas deixava também um pouco de conversa e amizade.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

CREL da água em 2001

Em 2001 era inaugurada uma importante obra de abastecimento de água que ficou conhecida popularmente como a “CREL da Água”. O nome surgiu por comparação com a verdadeira CREL (Circular Regional Exterior de Lisboa), devido à dimensão e ao percurso estratégico desta infraestrutura, que atravessava vários concelhos da Grande Lisboa.


Mas, afinal, qual era a razão desta obra?
Durante muitos anos, o crescimento urbano acelerado de zonas como Agualva Cacém, Algueirão-Mem Martins, Massamá, Amadora, Oeiras e Cascais trouxe novos desafios no fornecimento de água. Era necessário criar uma rede mais moderna, com maior capacidade e mais segurança, capaz de acompanhar o aumento da população e garantir o abastecimento mesmo em períodos de maior consumo.

A obra consistiu na construção de um grande adutor de circunvalação, uma extensa conduta de transporte de água que permitia reforçar a ligação entre os sistemas de abastecimento da região de Lisboa. Esta infraestrutura funcionava como uma verdadeira “autoestrada da água”, levando grandes volumes de água através de uma rede subterrânea de grande dimensão. 

Para os moradores de Algueirão-Mem Martins, esta foi uma obra pouco visível no dia a dia, porque grande parte dela ficou escondida debaixo da terra, mas teve um impacto fundamental: garantir maior estabilidade no abastecimento de água numa freguesia que, nas últimas décadas do século XX, tinha crescido rapidamente com novos bairros, prédios e milhares de novos habitantes.

Hoje, muitos passam junto dos locais onde esta infraestrutura existe sem imaginar a importância daquela obra iniciada no final do século passado e concluída no início dos anos 2000. A “CREL da Água” ficou assim como uma das grandes obras de bastidores que ajudaram a preparar o futuro.


terça-feira, 14 de julho de 2026

Nasce nova Fonte, no Rossio da Fonte

A Fonte do Rossio da Fonte, em Mem Martins está a ganhar forma para colocar antigos azulejos???

Assim parece...






segunda-feira, 13 de julho de 2026

Antigos problemas no abastecimento de Àgua em Algueirão Mem Martins

A falta de água que hoje preocupa algumas a zona da Costa de Caparica, faz-nos recuar no tempo e recordar uma realidade que muitos habitantes de Algueirão-Mem Martins ainda guardam na memória.

Houve uma época em que abrir a torneira e ver sair água não era algo garantido. Numa vila que crescia a grande velocidade, com novos bairros a nascer e cada vez mais famílias a escolherem Algueirão-Mem Martins para viver, o abastecimento de água nem sempre conseguia acompanhar esse crescimento.
Muitos moradores lembram-se bem dos dias em que era preciso encontrar alternativas. Algumas famílias recorriam aos poços existentes nas propriedades, utilizando essa água para várias necessidades do dia a dia. Outros carregavam garrafões e garrafas até às fontes de Sintra, onde a água era procurada por quem precisava de garantir o abastecimento em casa. Quem morava nos pisos mais altos dos prédios que já existiam na freguesia, este drama era uma grande realidade.

A Fonte da Sabuga, em Sintra, tornou-se um desses locais de memória. Era habitual ver pessoas a encher recipientes, numa imagem que hoje parece pertencer a outro tempo, mas que para muitos foi uma rotina durante anos. A viagem até à fonte fazia parte da vida de muitas famílias, numa época em que a água era valorizada de uma forma muito diferente.
Era uma altura em que se aprendia a poupar cada gota. A água servia primeiro para o essencial, e cada recipiente cheio representava uma pequena segurança para a família.

Com o crescimento da população e a necessidade de melhorar o abastecimento, foram sendo construídas novas infraestruturas que permitiram captar, reservar e tratar água com maior capacidade e qualidade. A grande transformação permitiu deixar para trás esses tempos de incerteza e trouxe uma nova tranquilidade às casas da nossa vila.

Hoje, quando surgem notícias sobre falta de água, estas histórias regressam à memória de quem viveu esses anos. São recordações de uma Algueirão-Mem Martins diferente, onde a entreajuda, a adaptação e a simplicidade faziam parte do quotidiano.
Porque antes de a água chegar facilmente a todas as torneiras, houve uma geração que conheceu o valor de cada gota.