Tempo em Algueirão Mem Martins

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Saloios

Quando ouvimos falar em saloios, pensamos muitas vezes nas zonas rurais que rodeavam Lisboa, nas hortas, nos agricultores e nos produtos que chegavam à cidade. Mas a palavra saloio tem uma história muito mais rica.

O que significa “saloio”? 
Tradicionalmente, chamavam-se saloios às populações rurais que viviam nos arredores de Lisboa, sobretudo na região conhecida como Região Saloia. Esta região abrangia diversos territórios dos atuais concelhos de Sintra, Mafra, Loures, Odivelas, Amadora e Cascais, entre outros locais próximos da capital.

Os saloios viviam sobretudo da agricultura e da criação de animais. Cultivavam trigo, milho, legumes, frutas e outros produtos agrícolas, que eram posteriormente vendidos ou transportados para Lisboa. Uma ligação muito forte a Lisboa. Durante séculos, Lisboa dependia bastante das terras que a rodeavam.

Os saloios tinham, por isso, um papel importante no abastecimento da cidade. Todos os dias chegavam a Lisboa produtos provenientes das zonas rurais vizinhas, transportados por carroças, animais e, mais tarde, por outros meios de transporte.

Era uma relação de proximidade entre a cidade e o campo: Lisboa consumia e a região saloia produzia.

E de onde vem a palavra “saloio”?

A origem da palavra não é totalmente consensual. Uma das explicações mais divulgadas relaciona “saloio” com o termo árabe “ṣaḥrāwī”, associado a quem vive no campo ou no deserto.

Ao longo dos séculos, a palavra passou a ser utilizada para designar as populações rurais dos arredores de Lisboa.

Com o tempo, “saloio” deixou também de ser apenas uma designação geográfica ou social e passou a fazer parte da identidade cultural da região.

Os saloios de Sintra

A zona de Sintra tem uma ligação particularmente forte à cultura saloia.

Muito antes da enorme expansão urbana que conhecemos atualmente, grande parte do território era constituída por campos agrícolas, quintas, casais e pequenas povoações.

Locais que hoje fazem parte da área metropolitana de Lisboa tinham uma vida profundamente ligada à agricultura.

Algueirão e Mem Martins não ficaram à margem dessa transformação.

O crescimento urbano alterou profundamente a paisagem e o modo de vida local, mas muitos nomes de lugares, quintas, caminhos e tradições ainda recordam esse passado rural.

Saloio não é sinónimo de “ignorante”

É importante esclarecer uma ideia que ainda hoje pode causar alguma confusão.

A palavra “saloio” também foi utilizada de forma depreciativa, para caracterizar alguém considerado ingénuo, pouco sofisticado ou rude.

Mas esse significado não corresponde à origem histórica do termo.

Ser saloio, no seu sentido tradicional, está relacionado sobretudo com uma população rural dos arredores de Lisboa e com uma determinada forma de viver, trabalhar e relacionar-se com a terra.

Hoje, a região está profundamente urbanizada e integrada na Área Metropolitana de Lisboa. No entanto, a identidade saloia continua presente em muitos aspetos da cultura local: na gastronomia, nas festas e tradições populares, nas antigas quintas e propriedades agrícolas, nos produtos da terra, na arquitetura rural, nas histórias e memórias das populações, e até em muitos nomes de lugares.

Por isso, quando falamos dos saloios, não estamos apenas a falar de pessoas que viviam no campo. Estamos a falar de uma população, de um território, de uma cultura e de uma parte importante da história dos arredores de Lisboa.

E Algueirão–Mem Martins?

A história de Algueirão–Mem Martins também pode ser contada através dessa transformação: de um território marcado por quintas, campos e atividades agrícolas para uma das zonas urbanas mais populosas do concelho de Sintra.

Conhecer o passado saloio da região é, por isso, uma forma de compreender melhor como era Algueirão–Mem Martins antes da urbanização que hoje conhecemos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Demolição antiga Sede Progresso Clube

 


[Jornal de Sintra] Novo diretor do Agrupamento de escolas de Mem Martins

 


[TSF] As obras na estação de comboios de Algueirão-Mem Martins vão arrancar no próximo ano.

Há já alguns anos que os utentes da linha ferroviária de Sintra se queixam da falta de abrigos e dos maus acessos à estação de comboios. Até 2030 as intervenções deverão estar terminadas.

A linha de Sintra fornece cerca de metade das viagens da Comboios de Portugal (CP) a nível nacional. Quem o garante é o presidente da Câmara Municipal de Sintra e acrescenta que atualmente a estação ferroviária de Algueirão-Mem Martins "é um apeadeiro pelas condições que tem, nem tem estatuto de estação. Marco Almeida confirma ainda que tem tido algumas reuniões com o ministério das Infraestruturas de forma a avançar com os trabalhos de remodelação. Explica que o ministro Miguel Pinto Luz "fez questão de dizer à IP [Infraestruturas de Portugal] que a reformulação do apeadeiro em estação tinha que ser urgente". Neste sentido, já é certo que, durante o próximo ano de 2027, a estação de comboio vai ter "uma primeira intervenção" que inclui "colocação de coberturas e a pintura da estação". O objetivo é, indica o presidente da Câmara Municipal de Sintra, "dar mais dignidade e mais conforto aos utentes que usam aquela estação". Deixa ainda o compromisso de que "até 2030 ela esteja completamente reformulada".

Fonte: Obras na estação de Algueirão-Mem Martins começam em 2027


sábado, 12 de setembro de 2026

Forno da Padaria Primavera

Imagem do forno do pão da antiga padaria primavera, no largo da estação de Mem Martins



CETOP

O CETOP era o Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância, uma instituição de ensino por correspondência que funcionava em Mem Martins.

Nos anos 70, oferecia cursos técnico-profissionais por correspondência em áreas como: Eletricidade, Mecânica, Automóveis e motores, Desenho Técnico, Construção Civil, Comércio e Secretariado, Contabilidade, Corte e Confeção, Higiene e Saúde, Cultura Geral


Um anúncio da época confirma o endereço “Apartado 7 – Mem Martins” e apresenta precisamente o CETOP como Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância. Curiosamente, o CETOP acabou também por ficar associado à edição de livros técnicos, existindo numerosas obras publicadas pelas Edições CETOP, Mem Martins.