Tempo em Algueirão Mem Martins

terça-feira, 22 de setembro de 2026

História da Quinta do Scoto

A Quinta do Scoto está situada em Meleças, no concelho de Sintra, e ocupa um lugar importante no património português. Segundo a inscrição na base da cruz de pedra existente sobre a porta da antiga capela, a construção da Quinta foi concluída em 1746. Isto aconteceu apenas nove anos antes do grande terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e muitos edifícios das localidades vizinhas, incluindo Sintra.

Felizmente, a Quinta sobreviveu ao terramoto. No interior da capela existe uma placa de azulejos, datada de 1757, dando graças a Nossa Senhora da Misericórdia e a São Marçal, em agradecimento pela sobrevivência ao violento terramoto ocorrido dois anos antes.

Características especiais 
A Quinta conserva várias características muito próprias da época em que foi construída. Entre elas encontram-se os bancos de pedra maciça junto às janelas. Antes da existência de iluminação elétrica, as senhoras da casa senhorial sentavam-se nesses bancos para coser e observar o movimento no exterior.

Todas as janelas do rés-do-chão estão protegidas por grades metálicas exteriores, enquanto as janelas de grande altura do piso superior possuem guardas de ferro, elementos igualmente característicos daquele período.

Mas uma das características mais extraordinárias da Quinta são os azulejos tradicionais, feitos à mão, em tons de azul e branco, que revestem as salas de receção do piso térreo.

Existem mais de 4.500 azulejos, datados da primeira metade do século XVIII, da época em que a Quinta foi construída. Em muitas das salas, os azulejos apresentam padrões tradicionais, incluindo representações de querubins e flores, repetidos com grande precisão ao longo das paredes.

O ponto alto encontra-se na sala de jantar, decorada com raros e únicos azulejos figurativos que representam edifícios, homens e mulheres da nobreza, carruagens, cavalos, cães, cenas de caça, entre outros elementos.

Segundo a tradição, estes azulejos representam cenas dos arredores da Quinta na época da sua construção. Como muitos dos edifícios existentes na região não sobreviveram ao terramoto de 1755, os azulejos poderão constituir um valioso registo da paisagem e da vida local daquele período.

Rocha Martins e o Marquês de Pombal
O historiador e escritor português Rocha Martins, autor de várias obras de referência, viveu durante a década de 1940 numa pequena casa situada na extremidade da Quinta. Rocha Martins relata que um dos primeiros proprietários da Quinta do Scoto terá sido o capelão do Marquês de Pombal. Em 1777, após uma mudança na monarquia portuguesa, o Marquês de Pombal caiu em desgraça junto da nova rainha de Portugal. Segundo o relato, terá passado os seus últimos dias na Quinta, na companhia do seu capelão, antes de ser banido para a sua propriedade no Norte de Portugal.

As tropas de Napoleão
Existe ainda uma tradição segundo a qual, durante a Guerra Peninsular, quando a França ocupou Portugal no início do século XIX, o exército de Napoleão Bonaparte terá acampado nos terrenos da Quinta. A localização estratégica da Quinta e a abundância de água terão sido fatores que contribuíram para a escolha daquele local.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Obras no Apeadeiro de Algueirão Mem Martins

A Estação de Algueirão–Mem Martins poderá entrar nos próximos anos num novo ciclo de requalificação, com intervenções destinadas a melhorar as condições oferecidas diariamente aos milhares de passageiros que utilizam a Linha de Sintra.

De acordo com informação recentemente divulgada, está prevista uma primeira intervenção a partir de 2027, que deverá incluir trabalhos de beneficiação das atuais instalações, nomeadamente coberturas e pintura, procurando melhorar as condições de utilização e proteção dos passageiros.

A intervenção não deverá ficar, contudo, por estes trabalhos iniciais. Está prevista uma reformulação mais profunda da estação, com o objetivo de melhorar a infraestrutura ferroviária e as condições de conforto e utilização.

A intenção apontada é que o processo de requalificação se desenvolva nos próximos anos, com uma previsão de conclusão global até 2030.

Paralelamente à intervenção na estação ferroviária, está prevista uma importante obra no espaço público envolvente.

Em 2026 foi celebrado um contrato para a “Requalificação do Espaço Público do Algueirão e do Largo 25 de Abril/Largo da Estação, em Mem Martins”, uma intervenção que representa um investimento superior a 2,4 milhões de euros.

A obra inclui também a reformulação de redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais e tem um prazo de execução previsto de 540 dias.

A conjugação destas intervenções poderá significar uma transformação significativa de toda a zona da estação, não apenas no espaço ferroviário, mas também nas áreas públicas que fazem a ligação à estação e ao centro de Mem Martins.

A Estação de Algueirão–Mem Martins é uma das principais portas de entrada e saída da freguesia e desempenha um papel fundamental na ligação ferroviária a Lisboa e aos restantes pontos da Linha de Sintra.

Depois de anos de reivindicações relacionadas com as condições da estação, as intervenções previstas poderão representar uma mudança importante para quem utiliza diariamente o comboio.

2027 será, assim, um ano que poderá marcar o início de uma nova fase para a Estação de Algueirão–Mem Martins, ficando o grande desafio para os anos seguintes: concretizar a requalificação anunciada e devolver à estação condições adequadas à dimensão e importância da população que serve.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Ermida de São Romão

A fundação é atribuída ao século XII, portanto é um dos elementos históricos mais antigos da freguesia. Foi construída aproveitando materiais romanos que já existiam no local. A zona envolvente possui importantes vestígios arqueológicos romanos e pré-históricos, sendo identificada no PDM como Estação Arqueológica de São Romão. No século XVI sofreu uma importante remodelação, incluindo alterações na capela-mor. Em 1921 foram observados vestígios de pinturas murais com cores vermelha e amarela. 

Em 1956 houve uma tentativa de recuperação: chegou a existir uma subscrição pública e o arquiteto Norte Júnior elaborou um projeto para um novo templo, mas a obra não avançou. Já em 1758, a ermida era mencionada nas Memórias Paroquiais. Do local das ruínas saíram também monumentos com inscrições, associados à ocupação romana.

As ruínas da Ermida de São Romão chegaram a constar de processos de proteção patrimonial no município de Sintra. 

Pia Batismal da Igreja do Telhal

Dentro da Igreja da Casa de Saúde do Telhal existe um pormenor que muitas vezes passa despercebido: a sua pia batismal em granito.


A peça é constituída por uma pequena coluna e por vários tambores de épocas diferentes, terminando numa taça hemisférica estriada. Esta particularidade torna a pia especialmente curiosa, pois revela que o seu conjunto foi sendo formado ou reaproveitado ao longo do tempo.

O batistério onde se encontra também merece atenção. As paredes apresentam um revestimento de azulejos azuis e brancos, enquanto a cobertura possui uma decoração em estuque com anjos e grinaldas de flores.

Mais do que um simples objeto religioso, a pia batismal é uma pequena testemunha da história do templo e das pessoas que, ao longo de gerações, passaram por este espaço para celebrar o Batismo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

38 anos do Incêndio na Printer/Duraplás

Em setembro de 1988, um incêndio de grandes proporções na zona industrial de Mem Martins colocou bombeiros, empresas e população perante uma realidade preocupante: os riscos eram elevados, mas os meios para lhes fazer frente eram insuficientes.


A notícia, publicada a 30 de novembro de 1988, dava conta das consequências do incêndio ocorrido no dia 17 de setembro, que atingiu as instalações das empresas Printer e Duraplas. O fogo destruiu duas fábricas e provocou ferimentos em cerca de 60 bombeiros, levantando sérias dúvidas sobre as condições de segurança existentes naquela zona industrial.

Segundo os relatos dos bombeiros de Algueirão-Mem Martins, o combate às chamas foi particularmente difícil. As instalações armazenavam materiais e produtos potencialmente perigosos e, durante a operação, chegaram a ocorrer explosões, com o incêndio a atingir dezenas de viaturas. Mas o fogo não revelou apenas os perigos existentes nas fábricas. Trouxe também para a primeira linha de discussão um problema que os bombeiros já vinham denunciando: a falta de equipamento adequado para combater incêndios industriais. A corporação de Algueirão-Mem Martins alertava para a necessidade de meios específicos, como máscaras, fatos de proteção e equipamentos capazes de lidar com produtos químicos. Os bombeiros consideravam que os materiais disponíveis eram insuficientes perante incêndios daquela dimensão.

Uma zona industrial demasiado próxima das habitações
Outro dos grandes problemas apontados na reportagem era a localização da zona industrial. Na época, existiam dezenas de unidades industriais e algumas encontravam-se próximas de zonas habitacionais. Os responsáveis pelos bombeiros manifestavam preocupação com a possibilidade de um incêndio de maiores dimensões ultrapassar os limites das instalações industriais e atingir áreas residenciais. A reportagem levantava, assim, uma questão que continua a ser importante quando se fala de planeamento urbano e segurança: até que ponto é seguro ter determinadas atividades industriais junto das zonas onde vivem milhares de pessoas?


1.600 contos de prejuízos
Além dos riscos para as pessoas, o incêndio provocou elevados prejuízos materiais. A notícia fala em cerca de 1.600 contos de perdas nas duas fábricas atingidas. Entre o material danificado encontravam-se 11 mangueiras, 30 fatos, 200 litros de espuma, 855 litros de combustível e outros equipamentos, além de danos provocados nas viaturas utilizadas no combate ao incêndio. Para os bombeiros, porém, a questão não se resumia ao dinheiro. O episódio demonstrava a necessidade de reforçar os meios de prevenção e de combate aos incêndios industriais.

Uma notícia que ficou para a história de Mem Martins
Lida hoje, esta reportagem é também um interessante retrato de Algueirão-Mem Martins no final dos anos 80. A expansão industrial, o crescimento urbano e a proximidade entre fábricas e habitações começavam a colocar novos desafios às autoridades e às corporações de bombeiros. 
Mais do que contar um incêndio, a notícia de 1988 deixa um alerta: uma tragédia pode revelar problemas que já estavam identificados muito antes de acontecer.

Quase quatro décadas depois, este documento de imprensa constitui uma importante memória local e ajuda-nos a perceber como era a realidade industrial e urbana de Algueirão-Mem Martins em 1988 — e as preocupações que já existiam nessa altura com a segurança da população.

Fonte: recorte de imprensa, 30 de novembro de 1988.



Elevação a Cidade

A antiga vila de Agualva-Cacém foi elevada oficialmente a cidade pela Lei n.º 34/2001, de 12 de julhoNa altura, o processo justificava-se pelo crescimento populacional, equipamentos, comércio, indústria, transportes e serviços. A proposta parlamentar de 1996 já dizia que Agualva-Cacém reunia os requisitos previstos na legislação para ser cidade.

E Algueirão-Mem Martins? Aqui está a parte curiosa: Algueirão-Mem Martins chegou a ter um projeto de lei para passar a cidade! Em 12 de maio de 1997, foi apresentado na Assembleia da República o Projeto de Lei n.º 358/VII – Elevação de Algueirão-Mem Martins à categoria de cidadeE a proposta era bastante clara: dizia que a vila tinha cerca de 55.600 habitantes, forte atividade comercial e industrial, escolas, transportes rodoviários e ferroviários, mercados, serviços, etc., concluindo que cumpria os requisitos legais para ser elevada a cidade.

Mas o projeto não avançou até à criação da cidade. Algueirão-Mem Martins permaneceu vila, categoria que possui desde 1 de fevereiro de 1988. E há ainda uma ironia interessante: o próprio Plano Diretor Municipal de Sintra de 2020 trata Algueirão-Mem Martins como um dos principais núcleos urbanos do concelho, prevendo um “Plano de Urbanização de Algueirão-Mem Martins, incluindo Rio de Mouro”, enquanto Agualva-Cacém tem o seu próprio plano de urbanização como cidade.

Ou seja: Algueirão-Mem Martins não é vila por ser pequena ou pouco desenvolvida. É vila porque nunca chegou a ser aprovada a sua elevação a cidade.