Tempo em Algueirão Mem Martins

domingo, 10 de maio de 2020

[lendoeescrevendo] Memórias - Visconde Juromenha

Depois de Olhão, Santiago do Cacém, Mem Martins, Amora, Seixal, Paio Pires e de novo Amora, embora todas estas últimas sejam escolas do mesmo concelho do Seixal.
Em todas elas fiz amizades e tenho recordações, embora seja a Paulo da Gama a minha maior referência, aquela a que posso chamar a minha escola do coração. Foi lá que fiz o estágio, foi lá que conheci os/as colegas mais dedicados à escola, aos alunos, ao ensino, aos projectos e onde vimos crescer muitos jovens a quem dedicámos o melhor dos nossos saberes e afectos. Não é por acaso que alguns desses jovens, hoje adultos, são nossos amigos no facebook e que vamos de algum modo acompanhando e mantendo laços de amizade. Não é por acaso que todos os anos, em Janeiro, juntamos perto de quarenta aposentados/as da Paulo da Gama num almoço de Ano Novo. Conseguimos, através da escola, estabelecer um vínculo que persiste para além do tempo e que resistiu às mudanças nas nossas rotinas.
Mas de todas as escolas que me marcaram, quero neste pequeno testemunho falar do ano de 77-78 quando estava a leccionar na Escola Preparatória Visconde de Juromenha, em Mem Martins. Era uma escola um pouco isolada, a especulação imobiliária estava no seu começo e as Mercês ainda não eram o amontoada de prédios dos nossos dias. Era um risco descer na estação das Mercês e ir a pé pelo pinhal até à escola, tanto mais que havia notícias de crianças que haviam sido atacadas por um predador à solta. Por isso descia-se na estação anterior – Rio de Mouro – e aguardava-se pela camioneta que ia directa da estação para a escola. A escola era pouco simpática, pouco acolhedora, era um edifício isolado e os assaltos ao fim de semana uma constante. No inverno, era preciso acender as luzes mais cedo e os poucos retroprojectores em uso mais outro equipamento ligado eram o suficiente para deitar abaixo o quadro eléctrico com capacidade muito limitada para as necessidades. Mesmo com restrições de uso, a verdade é que muitas das vezes a última aula da tarde já não era possível de dar, porque era impossível trabalhar sem luz. Concomitantemente, o Ministério da Educação não homologara a equipa de professores que tinha sido eleita para o Conselho Directivo da escola e em sua substituição indigitou um professor da sua confiança, uma primeira tentativa de restaurar a figura do director. Sottomayor Cardia, o então Ministro da Educação, respondia assim aos sectores mais conservadores da sociedade que nunca tinham visto com bons olhos que as escolas fossem dirigidas por professores eleitos pelos seus pares. Talvez pareça estranho o que se passou (muito estranho mesmo), mas a verdade é que os assaltos à escola ao fim de semana mais as falhas de luz que impediam o normal funcionamento da escola da parte da tarde e a recusa por parte do corpo docente em aceitar um professor que se gabava de ter uma moca de Rio Maior no seu carro, para além de exibir as suas preferências por figuras do antes do 25 de Abril, começaram a gerar um clima na comunidade e no seio de alguns encarregados de educação, a suspeita de que os assaltos tinham por detrás os professores da tarde que não queriam trabalhar! A larga maioria dos professores da tarde eram professores provisórios e eu era uma de entre eles.

Até que um dia, aos 71 professores eventuais da Visconde Juromenha foi barrada a entrada na escola. Só os professores efectivos tinham acesso. Os suspeitos eram os professores provisórios e portanto era preciso impedi-los de entrar nas instalações. Mas como grande parte das aulas era dada por estes, criou-se um vazio que o ministério, de forma atamancada, como aliás todo aquele processo, colmatou colocando nos jornais diários um anúncio na secção dos anúncios a contratar professores. Um processo que devia/deve encher de vergonha qualquer ministério da educação que se preze do seu nome e da sua missão. Foram vários os candidatos que responderam ao anúncio, sem saberem que programas iam dar, sem conhecerem os manuais adoptados, simplesmente com a perspectiva de poderem em dois meses arranjar algum dinheiro para as férias…
Foi um processo vergonhoso, mas muito rico em ensinamentos e solidariedades. Antes de tudo, referir a Francisca. Uma colega de História, professora efectiva e que desde a primeira hora se pôs ao nosso lado, como se ela também fosse eventual. Era uma senhora de cabelos brancos, serena, determinada, que deixou sem resposta os três inquiridores ao lançar-lhes se não tinham vergonha de suspeitar de pessoas que não tinham quaisquer culpas e de contratarem para nos substituir pessoas sem qualquer qualificação para a docência. Essa ousadia valeu-lhe uma pena que posteriormente lhe foi retirada e que veio averbada em Diário da República. Depois, o papel do nosso sindicato, através do Pascoal e do Óscar. Enquanto duraram os inquéritos, diariamente, os dois acompanharam-nos, aconselharam-nos, deram-nos todo o apoio. A razão estava do nosso lado, mas a pressão psicológica motivada pelos inquéritos presenciais como se estivéssemos num tribunal, mais as notícias no pasquim “O Crime” onde aparecíamos como os autores dos assaltos à escola, eram geradores duma grande ansiedade. Sem as reuniões com os dirigentes sindicais, sem o apoio psicológico e financeiro, pois todos os sindicalizados receberam o seu salário durante aquele tempo em que estivemos impedidos de trabalhar, não teríamos conseguido aguentar todos os 71 até ao fim, como uma equipa que estava ali para resistir e vencer. E assim foi, resistimos e vencemos e o Ministério foi obrigado a readmitir-nos, pois éramos nós os professores daqueles alunos, éramos nós que os conhecíamos, éramos nós que lhes tínhamos dado as aulas e que os podíamos avaliar. Estávamos no final do ano e era preciso fazer a avaliação final. O Ministério da Educação chumbou!
Sempre me lembro deste episódio na minha vida profissional. Um episódio extremo de prepotência por parte do Ministério para com os professores. Um episódio em que o Ministério passou por cima da legalidade e da democracia para impor uma concepção de direcção da escola. Um episódio em que a união e solidariedade dos professores e do SPGL foram exemplares e que deve ficar nos anais da nossa história sindical. De que devemos orgulhar-nos.
Almerinda Bento
Nota: Sei que tenho algures o recorte do jornal com o anúncio a pedir professores para a Visconde Juromenha. Um documento que devia corar de vergonha quem na altura deu ordens para o publicar.
Este texto foi publicado em "Memórias 2018/2019", um projecto do Departamento de Professores e Educadores Aposentados.
A fotografia que encima este post foi publicada no Escola Informação nº 287 Maio 2019.

domingo, 3 de maio de 2020

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Inauguração do Pingo Doce, na Tapada das Mercês

Depois de um processo demorado e complicado, abriu o Supermercado "Pingo Doce" no Floresta Center, 
na Tapada das Mercês


quinta-feira, 23 de abril de 2020

[Record] Fundação Sporting disponibiliza dois computadores portáteis a estudantes do Algueirão

Reportagem da RTP, na qual era visível um cachecol do Sporting, na base da iniciativa solidária


Rafael e Rodrigo Cunha, dois jovens de 12 e 14 anos, respetivamente, residentes em Algueirão, nos arredores de Lisboa, já podem seguir o ensino à distância, através de dois computadores portáteis oferecidos pela Fundação Sporting, que, em parceria com um dos operadores de telecomunicações móveis nacionais, assegurou ainda aos dois estudantes um ano grátis de acesso à internet e um telemóvel novinho em folha para cada um deles.

O ponto de partida para esta iniciativa foi uma reportagem da RTP, realizada no quarto dos dois jovens, onde habitualmente estudam, sem qualquer computador mas com um cachecol do Sporting em lugar de destaque. A imagem impressionou os vice-presidentes Francisco Salgado Zenha e Maria Serrano, que se apressaram a contactar os seus parceiros nesta área, que se disponibilizaram a ceder os referidos equipamentos.

A entrega, juntamente com duas camisolas personalizadas e mais algum merchandising do clube, ocorreu esta quarta-feira, na presença da mãe do Rafael e do Rodrigo, bem como de Tiago Sanches da Cunha, em representação da Fundação Sporting.

domingo, 19 de abril de 2020

Incêndio Industrial em São Carlos


Feira das Mercês

A Feira das Mercês é a maior e mais característica feira da região saloia. O recinto onde ainda hoje se realiza localiza-se na Quinta das Mercês (ou da Marquesa), na zona norte da Tapada das Mercês. Integram o conjunto classificado a Capela de Nossa Senhora das Mercês, um cruzeiro, um edifício de caraterísticas pombalinas e ainda o célebre Muro do Derrete ou do namoro.

No interior da capela, situada fora do recinto da feira, encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Mercês, muito venerada na freguesia de Rio de Mouro e que, no período em que decorre a feira é levada em procissão. O exterior do templo de linhas sóbrias, ostenta na fachada principal um portal encimado por frontão quebrado sobre o qual se abre um janelão de perfil retangular. Duas janelas quadrangulares de cada lado do portal e uma torre sineira localizada do lado direito, completam o traçado do alçado principal do edifício. No interior da capela, subsistem ainda alguns azulejos e um altar-mor em mármore com embrechados de motivos florais estilizados distribuídos por dois painéis, onde sobressaem as figurações do sol e da lua.

Segundo a tradição, é nos bancos conversadeiras do muro do Derrete que as "moças casadoiras" se deveriam sentar com os seus pretendentes. Este muro que corresponde certamente à cerca da antiga propriedade, apresenta ainda hoje dois antigos portões ladeados por pilastras rusticadas. De notar que estas entradas se situam em limites opostos do perímetro cercado, mas no mesmo alinhamento.

O cruzeiro, por seu lado, localiza-se no recinto da feira, apresentando uma cruz de pedra assente numa base quadrangular sobre três degraus igualmente em pedra.

Pelas caraterísticas gerais do conjunto que acabámos de descrever, considera-se que o mesmo deverá datar do século XVII, tendo sido posteriormente alvo de alterações.

História
Segundo a tradição, a Feira das Mercês seria herdeira de um antigo mercado árabe de transação de escravos. De facto, não é possível conhecer com exatidão as suas origens, sendo que a primeira referência se reporta à segunda metade do século XVIII (Memórias Paroquiais de 1758), onde surge descrita uma feira livre na povoação de Meleças, feira esta que já na altura se realizava nos últimos dois domingos do mês de outubro. Curiosamente neste documento não é referida a existência da capela.


Em 1771 a feira foi transferida para Oeiras por iniciativa do Rei D. José I mas, pouco depois, por ordem da Rainha D. Maria I, volta ao lugar original. De notar que o Marquês de Pombal, fiel devoto de Nossa Senhora das Mercês, para além de proprietário de uma importante quinta em Oeiras era também senhor dos terrenos onde se realizava a feira e implantava a capela das Mercês (Oliveira, Rui - Sinopse Histórica da Feira das Mercês. In http://www.alagamares.com/sinopse-historica-da-feira-das-merces-por-rui-oliveira).
Importa referir que a Feira das Mercês teve grande influência na economia de Rio de Mouro que, até à primeira metade do século XX, era uma freguesia essencialmente rural, com as suas quintas, hortas e criação de gado. Presentemente, a Feira das Mercês, perdeu grande parte das suas caraterísticas como feira saloia de venda de produtos agrícolas, gado e produção de louças artesanais, transformando-se num espaço onde se comercializam produtos sem ligação à região e um local de divertimento. Apesar disso ainda é possível encontrar as célebres maçãs de Colares, as afamadas peras pardas do litoral sintrense, as fogaças de erva-doce, o leitão assado de Negrais e a carne de porco frita "à moda das Mercês", servida em frigideiras de barro, assim como a água-pé, produzida pelos viticultores da região.

Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da C. M. Sintra.

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/9967800

sábado, 18 de abril de 2020

[Negócios] Pingo Doce adquire estabelecimento comercial à Polisuper

Em dezembro de 2005, foi noticia...

O supermercado Pingo Doce, detido pelo Grupo Jerónimo Martins, notificou a Autoridade de Concorrência sobre a aquisição de um estabelecimento comercial em Mem Martins à sociedade Polisuper – Produtos Alimentares.
Numa nota publicada na imprensa, a Autoridade de Concorrência avança que recebeu no dia 25 de Novembro uma notificação prévia de uma operação de concentração de empresas que «consiste na aquisição, pela Pingo Doce – Distribuição Alimentar através de trespasse, de um conjunto de activos – um estabelecimento comercial localizado em Mem Martins, no concelho de Sintra, detidos pela sociedade Polisuper – Produtos Alimentares».
A mesma fonte avança ainda que a Polisuper é uma sociedade de «cariz familiar que desenvolve actividade no retalho alimentar operando seis estabelecimentos de média e pequena dimensão, localizados nos concelhos de Oeiras, Cascais e Sintra».

[Sintra Noticias] Basílio Horta “trava” encerramento de SUB em Mem Martins e critica “baixa política”

"O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Mem Martins está em funcionamento e vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de Saúde", assegura Basílio Horta, depois de ser avançado o seu "encerramento provisório" pela necessidade de reforço das equipas médicas e enfermagem no Hospital Amadora-Sintra.


“O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Mem Martins está em funcionamento e vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de Saúde”, assegura Basílio Horta, presidente da Câmara de Sintra, dando conta de “uma conversa com o secretário de Estado da Saúde [António Sales]” onde foi assumido esse compromisso.
O SINTRA NOTÍCIAS sabe, junto de fonte oficial, que a possibilidade de encerramento deste equipamento foi travada pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra. O presidente da junta de freguesia de Algueirão-Mem Martins, Valter Januário, também foi surpreendido pelo anúncio, tendo manifestado preocupação perante essa possibilidade.
Depois de receber informação oficial das autoridades de saúde, a junta de freguesia de Algueirão-Mem Martins chegou mesmo divulgar o encerramento da SUB, mas um contacto telefónico entre Basílio Horta e António Sales travou o processo. Basílio Horta e Valter Januário falaram por video conferência, tendo consensualizado a necessidade de manter o equipamento de saúde aberto.
Tinha sido hoje anunciado que o Serviço de Urgência Básica (SUB) em Mem Martins, iria “encerrar temporariamente” e que toda a equipa médica e de enfermagem, seria transferida para reforço do Hospital Amadora-Sintra, no combate à pandemia originada pelo coronavírus.
“Quem tenta, permanentemente, fazer baixa política com questões de saúde pública teve mais uma desilusão”, desabafa Basílio Horta, numa curta mensagem no facebook, assegurando que “em Sintra vamos continuar unidos, sem explorar o medo, sem ceder na responsabilidade, com seriedade, racionalidade e sem demagogias”.
A SUB de Mem Martins é composta por 12 médicos e 17 enfermeiros, mas também por uma equipa vasta de auxiliares médicos, pessoal administrativo e de segurança, efetivo que “vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de saúde”, assegura Basílio Horta.

Ermida de São Romão

A Ermida de São Romão ergue-se sobre uma elevação, ou plataforma, artificial, no interior da qual se registam importantes vestígios arqueológicos romanos e pré-históricos.

No seu todo, trata-se, sem qualquer dúvida, do principal conjunto histórico-monumental da Freguesia de Algueirão - Mem Martins e, no seu género, de um dos mais significativos do Concelho de Sintra.
Os vestígios pré-históricos ali existentes são ainda mal conhecidos, apesar de objecto de um estudo prévio e respectiva publicação; não é de excluir, contudo, a sua directa relação com os vestígios arqueológicos da Pedreira da Cavaleira, descobertos em 1975, atribuíveis ao Calcolítico Inicial que corresponderiam, muito provavelmente, a um povoado, entretanto desaparecido, devido à laboração da pedreira.

A época romana, à qual pode eventualmente pertencer  a referida plataforma artificial e de muitas estruturas que nela permanecem, evidencia-se através de um grupo bastante representativo de inscrições datáveis do século I e II d.C., retiradas das ruínas da ermida em 1956. Trata-se de um túmulo cupiforme (do latim cupa = barrica; em forma de barrica) completo com a seguinte inscrição: Aqui jaz Marco Estácio Máximo, da tribo Galérica, filho de Marco (M.A.S.M.O. XC), que integrava seguramente uma necrópole incinerária romana nas proximidades, dado existirem outros vestígios recolhidos em Lourel; e de uma área consagrada aos Deuses Manes (M.A.S.M.O. XCII), encontrada a meio da alvenaria que compunha o altar da Ermida.