Tempo em Algueirão Mem Martins

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lenda: "Senhora da Ribeira da Lage"

Há quem diga que nem todas as lendas nascem da imaginação. 
Algumas nascem do silêncio.

Os habitantes mais antigos do Bairro das Eiras, em Mem Martins, contavam que, muito antes de existirem ruas alcatroadas e automóveis, a Ribeira da Lage era um lugar respeitado. As suas águas eram limpas, e mais profundas, e o nevoeiro que descia da Serra de Sintra escondia tudo o que tocava.
Ninguém sabia ao certo quando começou a história.

Os avós ouviam-na dos bisavós, e estes juravam tê-la aprendido com gente ainda mais antiga.

Falavam de uma mulher que surgia apenas nas noites de nevoeiro. Vestia um xaile escuro, caminhava devagar pela margem da ribeira e nunca fazia ruído. Quem a via dizia que parecia flutuar, como se os pés nunca tocassem o chão. Nunca olhava para trás.



Conta-se que um pastor resolveu segui-la, convencido de que ela escondia um tesouro antigo entre os penedos. Caminhou atrás daquela figura durante largos minutos, mas quando o nevoeiro se dissipou percebeu que estava exatamente no mesmo lugar de onde tinha partido. Nunca mais voltou a ser o mesmo. Dizia que, durante toda a caminhada, ouvira água correr... mas a ribeira estava quase seca.

Anos depois, um moleiro contou uma história semelhante. Jurava que a mulher lhe tinha sorrido antes de desaparecer na névoa. Na manhã seguinte encontrou, junto à margem da Ribeira da Lage, uma pequena pedra branca em forma de lágrima. Guardou-a até ao fim da vida, convencido de que o protegera de uma grande desgraça. Desde então, sempre que o nevoeiro cobre o Bairro das Eiras, ainda há quem prefira dar uma volta maior para evitar a margem da ribeira.

Não por medo. Mas por respeito. Porque, segundo os mais antigos, a Senhora da Ribeira da Lage nunca faz mal a quem passa... apenas aparece a quem a Serra de Sintra escolhe.
E há um velho ditado que ainda hoje alguns moradores repetem em voz baixa:
"Se a névoa te chamar pelo nome, não respondas. Caminha em frente... porque nem todas as vozes pertencem aos vivos."

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Restaurante "O Pizza", Mem Martins

Durante muitos anos, o restaurante O Pizza, no Largo do Cruzeiro, em Mem Martins, foi muito mais do que um simples restaurante. Era um verdadeiro ponto de encontro de famílias, amigos e vizinhos, onde se celebravam aniversários, almoços de domingo e tantos outros momentos especiais.


O mais curioso era a variedade da ementa: tanto se podia saborear uma deliciosa pizza como optar por uma generosa espetada de lulas com gambas, havendo opções para todos os gostos. Muitos habitantes da vila guardam com carinho essas refeições, o ambiente acolhedor e as escadas que tantas vezes desceram de barriga cheia e sorriso no rosto.


Hoje resta a saudade de um espaço que marcou uma geração e que continua a ocupar um lugar muito especial nas memórias de Mem Martins.
Neste espaço, no dias de hoje funciona uma agência bancária.

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Adeus Quiosques em Algueirão Mem Martins

Há lugares pequenos que guardam memórias enormes. Os quiosques de jornais e revistas junto à estação da CP de Algueirão-Mem Martins eram um desses lugares.

Durante décadas, fizeram parte da paisagem e da rotina de quem todos os dias esperava pelo comboio. Eram as capas dos jornais pela manhã, as revistas da semana e aquele olhar curioso de quem passava e espreitava “as gordas” para saber as principais notícias do dia.

Antes de entrar no comboio, havia sempre aquele gesto quase automático: parar por breves segundos, ler uma manchete, comentar uma notícia, comprar o jornal ou simplesmente matar a curiosidade.


Ali não se vendiam apenas jornais e revistas. Vendiam-se momentos, hábitos e pequenos encontros que faziam parte da vida da nossa terra. Mas o tempo mudou. O mundo passou a caber num telemóvel, as notícias deixaram o papel e, pouco a pouco, aqueles espaços foram perdendo movimento até desaparecerem.


Hoje, quem passa junto à estação sente a falta daquele cenário tão familiar. Fica o vazio onde antes havia cor, movimento e histórias. São estes pequenos lugares que muitas vezes definem a memória de uma comunidade. E quando desaparecem, levam consigo um pedaço da identidade de Algueirão-Mem Martins.
Porque uma estação não é feita apenas de comboios. É feita das pessoas, das conversas, dos encontros e também daqueles pequenos cantos onde, durante tantos anos, todos nós parámos para espreitar as notícias do mundo.

Pois, parece que vamos dizer adeus definitivamente aos quiosques em Algueirão Mem Martins...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tapada das Mercês: memórias de um local com história

Antes dos prédios, das ruas movimentadas e da vida acelerada dos nossos dias, a Tapada das Mercês era um lugar de silêncio, natureza e histórias escondidas entre árvores, caminhos de terra e antigas propriedades.


O próprio nome guarda a memória desse passado. Uma tapada era um espaço fechado, muitas vezes destinado à caça, ao descanso e ao contacto com a natureza. E foi nesse cenário, entre a paisagem de Sintra e os seus campos, que esta terra ficou ligada a uma das figuras mais importantes da história de Portugal: Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.

No século XVIII, quando a região ainda era marcada por quintas, matas e propriedades senhoriais, a Tapada das Mercês fazia parte de um conjunto de terras associadas à família do Marquês de Pombal. Era um lugar de lazer, de caça e de tranquilidade, onde a nobreza procurava afastar-se da agitação da vida política e da corte.

Foi também aqui que ficou a memória da Casa Pombal, construída em 1765 por iniciativa do Marquês de Pombal e oferecida ao seu filho, Paulo de Carvalho e Mendonça. Esse solar representava a presença de uma família poderosa numa paisagem que, nessa época, ainda mantinha o encanto rural característico da região de Sintra.


A poucos quilómetros dali, a Granja do Marquês reforçava esta ligação da família Pombal às terras de Sintra, numa época em que as grandes propriedades eram espaços de produção agrícola, de descanso e de afirmação social.

Mas o tempo mudou tudo. Onde antes existiam campos, árvores, animais e caminhos antigos, nasceram novas ruas e novos bairros. A pequena paisagem rural transformou-se numa zona urbana cheia de vida, com milhares de histórias de moradores que ali construíram as suas próprias memórias.

Apesar das mudanças, o nome Tapada das Mercês continua a ser uma ponte para o passado. Quando hoje se percorrem as suas ruas, talvez seja difícil imaginar que por ali passaram outros tempos: o som dos passos nos caminhos de terra, a sombra das árvores antigas e a presença de uma época em que estas terras pertenciam ao mundo das quintas e dos senhores.

A Tapada das Mercês não é apenas um lugar no mapa. É uma página viva da história de Sintra, onde o presente cresceu sobre as marcas de um passado que merece ser lembrado.

FONTE: Museu do Ar: As propriedades conhecidas por Granja do Marquês e Quinta das Mercês, foram arrendadas ao Estado Português pelo 5º Marquês de Pombal, por um período de 30 anos pelo valor de 84 000 réis, com o intuito de fundar um estabelecimento que ministrasse o ensino da prática agrícola.

Mem Martins Sport Clube: uma história de paixão, dedicação e orgulho da nossa terra

Há datas que fazem parte da memória de uma terra. Hoje é um desses dias. 
O Mem Martins Sport Clube celebra mais um aniversário e, ao recordar a sua história, recordamos também muitas das histórias de vida de quem cresceu, viveu e sentiu esta comunidade.
Fundado em 22 de julho de 1937, o clube nasceu numa época em que Mem Martins era ainda uma localidade em crescimento, muito diferente da freguesia que conhecemos atualmente. Nessa altura, as ruas tinham outro movimento, as relações entre vizinhos eram mais próximas e o associativismo era uma das grandes formas de juntar pessoas em torno de um objetivo comum. O Mem Martins Sport Clube foi crescendo lado a lado com a própria terra. Foi nos seus espaços que muitas crianças deram os primeiros pontapés na bola, que muitos jovens fizeram amizades para a vida e que muitas famílias encontraram um lugar de convívio e partilha. Quem viveu outras épocas recordará certamente os dias de jogo, o ambiente vivido junto do campo, o som dos aplausos, as conversas entre sócios, as camisolas vestidas com orgulho e aquele sentimento especial de representar a sua terra. Mais do que resultados desportivos, ficam as memórias. Ficam as tardes de domingo, os encontros entre amigos, os atletas que passaram pelo clube, os treinadores que ensinaram muito mais do que futebol e todos aqueles que, com dedicação e esforço, ajudaram a construir esta instituição. Ao longo de décadas, muitos anónimos deram parte da sua vida ao Mem Martins Sport Clube. Pessoas que trabalharam longe dos holofotes, muitas vezes sem reconhecimento público, mas que deixaram uma marca que permanece até aos dias de hoje. O clube acompanhou as grandes transformações de Mem Martins, viu crescer bairros, escolas e novas gerações, mantendo sempre a missão de aproximar pessoas através do desporto e do espírito associativo. 

Hoje, celebrar o aniversário do Mem Martins Sport Clube é celebrar também a história da nossa terra. É lembrar quem já partiu, homenagear quem continua a colaborar e agradecer a todos os que alguma vez vestiram esta camisola ou sentiram este clube como seu. Porque um clube não é apenas um símbolo ou um campo. Um clube são as pessoas, as histórias e as memórias que ficam. 

Parabéns, Mem Martins Sport Clube! Muitos anos de história, orgulho e ligação à nossa comunidade.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Mem Martins e o Alegro Sintra: tão perto... mas tão longe para quem vai a pé

O Alegro Sintra fica a poucos minutos de Mem Martins, mas quem decide fazer o percurso a pé rapidamente percebe que não foi pensado para peões. Passeios estreitos ou inexistentes, passadeiras mal localizadas, zonas pouco seguras e um ambiente dominado pelo trânsito tornam a caminhada desconfortável e, em alguns pontos, até perigosa.


É legítimo perguntar: 

para ir ao shopping de forma confortável somos obrigados a usar o carro? 

- Ou a apanhar um autocarro para percorrer uma distância relativamente curta?

Numa altura em que tanto se fala em mobilidade sustentável, redução do trânsito e incentivo à caminhada, continua a faltar uma ligação pedonal digna entre Mem Martins e o Alegro Sintra. Muitas pessoas gostariam de fazer este percurso a pé, seja para passear, fazer compras ou simplesmente praticar exercício físico, mas acabam por desistir devido às condições existentes.

Criar um percurso pedonal contínuo, seguro, acessível e bem iluminado seria um investimento na qualidade de vida da população. Não beneficiaria apenas os residentes de Mem Martins, mas também quem diariamente se desloca entre estas duas zonas.

Caminhar não devia ser uma aventura. Uma ligação tão próxima merece condições à altura das necessidades de quem escolhe deslocar-se a pé.

sábado, 18 de julho de 2026

"Negro" de Mem Martins

Muitas pessoas desconhecem que, escondida na história de Mem Martins, existe uma riqueza natural que ultrapassou as fronteiras da própria localidade: o “Negro de Mem Martins”.


Extraída das antigas pedreiras existentes na região, esta pedra negra destacou-se pela sua cor, qualidade e beleza, sendo utilizada em obras de grande importância ao longo dos séculos. Mais do que um simples material de construção, tornou-se um testemunho do trabalho dos homens que exploraram a pedra e da importância que Mem Martins teve na arte e arquitetura portuguesas.

Um dos exemplos mais marcantes encontra-se no Real Edifício de Mafra. Durante a construção do Palácio Nacional de Mafra, no século XVIII, foram utilizadas várias pedras provenientes da região de Lisboa e Sintra, entre elas o chamado “Negro de Mem Martins”. Esta presença liga diretamente a nossa terra a uma das maiores obras do reinado de D. João V e a um monumento hoje classificado como Património Mundial da UNESCO.

Mas a viagem desta pedra não ficou por Mafra. Existem referências à utilização do Mármore Negro de Mem Martins em peças e elementos patrimoniais, como no Panteão Nacional, demonstrando a continuidade da utilização desta pedra em obras de prestígio. Também existem referências à aplicação de pedras negras de Mem Martins em trabalhos artísticos e arquitetónicos mais recentes, mostrando que esta pedra continuou a ser valorizada pela sua singularidade.

Há ainda memórias locais que apontam para a presença desta pedra em edifícios emblemáticos de Lisboa, como a antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta, uma ligação que merece ser aprofundada através de investigação documental e análise dos materiais existentes.

A Pedra Negra de Mem Martins é, assim, uma história que merece ser contada: uma pedra retirada do solo da nossa vila, trabalhada por mãos locais, e que acabou por fazer parte de monumentos onde se escreve a própria História de Portugal.

A história da Pedra Negra de Mem Martins também está ligada à transformação da própria paisagem da vila. A última pedreira conhecida onde ainda era extraído o famoso “Negro de Mem Martins” localizava-se numa zona que, com o crescimento urbano, deu lugar à atual Urbanização Mem Martins Poente.

Hoje, no meio das ruas, prédios e jardins desta urbanização, poucos imaginam que naquele local existiu uma pedreira onde se retirava uma pedra rara, que depois seguia viagem para integrar obras de grande importância nacional.

É uma memória que merece ser preservada: antes de ser uma zona habitacional, aquele espaço fazia parte da história industrial e geológica de Mem Martins, onde homens trabalhavam a pedra que viria a marcar presença em monumentos como o Palácio Nacional de Mafra.



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Bairro Teimoso - Mem Martins

Os antigos habitantes de Mem Martins apelidavam aquele conjunto de casas, perto do Cruzeiro como “Bairro Teimoso”. Era uma pequena comunidade onde as portas se abriam facilmente, as crianças brincavam na rua até o sol desaparecer e os vizinhos sabiam sempre quem precisava de ajuda.

Ali perto do Cruzeiro, por onde hoje passam milhares de carros, existia um Mem Martins mais calma, feita de conversas à porta, de bicicletas encostadas aos muros e de gente que se cumprimentava pelo nome.

O nome "Teimoso" ficou ligado a uma zona que, apesar das mudanças e do crescimento da vila, parece ter mantido a sua identidade. Enquanto os prédios foram aparecendo e os campos deram lugar a novas construções, aquele pedaço de Mem Martins continuou agarrado às suas memórias, atualmente bem escondido.

Muitos moradores antigos ainda recordam os tempos em que o Cruzeiro era um verdadeiro ponto de encontro. Era ali que se marcavam encontros, onde se esperava alguém, onde se comentavam as novidades da terra e onde se sentia o pulsar de uma comunidade que crescia.

O Bairro Teimoso é uma dessas páginas da história de Mem Martins que merece ser contada: uma história feita não apenas de ruas e casas, mas das pessoas que ali viveram, trabalharam, brincaram e ajudaram a construir a vila que hoje conhecemos. Ali também existiram construções tipicamente saloias que foram demolidas, onde hoje já existem prédios. 



Fonte dos Casais de Mem Martins

Houve um tempo em que uma simples fonte era muito mais do que um lugar onde se ia buscar água. Era um ponto de encontro, um lugar de passagem obrigatória, onde se cruzavam rostos conhecidos e onde cada ida à fonte trazia sempre uma conversa nova.

Antes da água canalizada chegar a todas as casas, a Fonte dos Casais fazia parte do dia a dia de muitas famílias. Ao ombro ou pela mão, levavam-se cântaros, bilhas e garrafões, num caminho que já todos conheciam. A água era preciosa e cada viagem tinha um propósito, mas acabava muitas vezes por ser também um momento de convívio.
Enquanto se esperava pela vez de encher os recipientes, as conversas iam surgindo naturalmente. Falava-se da vida, das dificuldades, das alegrias, das festas, das colheitas e das histórias da terra. Era ali que se sabiam as novidades, que se combinavam encontros e que se reforçavam amizades antigas.
A fonte era uma espécie de jornal da comunidade, mas sem páginas nem letras. As notícias passavam de pessoa para pessoa, entre sorrisos, cumprimentos e pequenas conversas que faziam parte da rotina de quem ali vivia.
Muitas crianças cresceram a acompanhar os pais ou os avós nesses caminhos até à fonte. Eram tempos em que se aprendia o valor da água, o respeito pela natureza e a importância da entreajuda. Um simples gesto, como ajudar a carregar um garrafão, fazia parte da vida familiar.

Hoje, abrir uma torneira e ver a água correr parece algo garantido. Mas houve uma época em que cada litro de água trazia consigo uma história: o caminho até à fonte, o encontro com os vizinhos, o som das conversas e até aquele momento de descanso à sombra enquanto se esperava.
A Fonte dos Casais guarda na sua memória muito mais do que água. Guarda vozes, rostos e lembranças de uma comunidade que se encontrava junto a uma nascente, onde cada pessoa levava para casa um recipiente cheio… mas deixava também um pouco de conversa e amizade.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

CREL da água em 2001

Em 2001 era inaugurada uma importante obra de abastecimento de água que ficou conhecida popularmente como a “CREL da Água”. O nome surgiu por comparação com a verdadeira CREL (Circular Regional Exterior de Lisboa), devido à dimensão e ao percurso estratégico desta infraestrutura, que atravessava vários concelhos da Grande Lisboa.


Mas, afinal, qual era a razão desta obra?
Durante muitos anos, o crescimento urbano acelerado de zonas como Agualva Cacém, Algueirão-Mem Martins, Massamá, Amadora, Oeiras e Cascais trouxe novos desafios no fornecimento de água. Era necessário criar uma rede mais moderna, com maior capacidade e mais segurança, capaz de acompanhar o aumento da população e garantir o abastecimento mesmo em períodos de maior consumo.

A obra consistiu na construção de um grande adutor de circunvalação, uma extensa conduta de transporte de água que permitia reforçar a ligação entre os sistemas de abastecimento da região de Lisboa. Esta infraestrutura funcionava como uma verdadeira “autoestrada da água”, levando grandes volumes de água através de uma rede subterrânea de grande dimensão. 

Para os moradores de Algueirão-Mem Martins, esta foi uma obra pouco visível no dia a dia, porque grande parte dela ficou escondida debaixo da terra, mas teve um impacto fundamental: garantir maior estabilidade no abastecimento de água numa freguesia que, nas últimas décadas do século XX, tinha crescido rapidamente com novos bairros, prédios e milhares de novos habitantes.

Hoje, muitos passam junto dos locais onde esta infraestrutura existe sem imaginar a importância daquela obra iniciada no final do século passado e concluída no início dos anos 2000. A “CREL da Água” ficou assim como uma das grandes obras de bastidores que ajudaram a preparar o futuro.


terça-feira, 14 de julho de 2026

Nasce nova Fonte, no Rossio da Fonte

A Fonte do Rossio da Fonte, em Mem Martins está a ganhar forma para colocar antigos azulejos???

Assim parece...






segunda-feira, 13 de julho de 2026

Antigos problemas no abastecimento de Àgua em Algueirão Mem Martins

A falta de água que hoje preocupa algumas a zona da Costa de Caparica, faz-nos recuar no tempo e recordar uma realidade que muitos habitantes de Algueirão-Mem Martins ainda guardam na memória.

Houve uma época em que abrir a torneira e ver sair água não era algo garantido. Numa vila que crescia a grande velocidade, com novos bairros a nascer e cada vez mais famílias a escolherem Algueirão-Mem Martins para viver, o abastecimento de água nem sempre conseguia acompanhar esse crescimento.
Muitos moradores lembram-se bem dos dias em que era preciso encontrar alternativas. Algumas famílias recorriam aos poços existentes nas propriedades, utilizando essa água para várias necessidades do dia a dia. Outros carregavam garrafões e garrafas até às fontes de Sintra, onde a água era procurada por quem precisava de garantir o abastecimento em casa. Quem morava nos pisos mais altos dos prédios que já existiam na freguesia, este drama era uma grande realidade.

A Fonte da Sabuga, em Sintra, tornou-se um desses locais de memória. Era habitual ver pessoas a encher recipientes, numa imagem que hoje parece pertencer a outro tempo, mas que para muitos foi uma rotina durante anos. A viagem até à fonte fazia parte da vida de muitas famílias, numa época em que a água era valorizada de uma forma muito diferente.
Era uma altura em que se aprendia a poupar cada gota. A água servia primeiro para o essencial, e cada recipiente cheio representava uma pequena segurança para a família.

Com o crescimento da população e a necessidade de melhorar o abastecimento, foram sendo construídas novas infraestruturas que permitiram captar, reservar e tratar água com maior capacidade e qualidade. A grande transformação permitiu deixar para trás esses tempos de incerteza e trouxe uma nova tranquilidade às casas da nossa vila.

Hoje, quando surgem notícias sobre falta de água, estas histórias regressam à memória de quem viveu esses anos. São recordações de uma Algueirão-Mem Martins diferente, onde a entreajuda, a adaptação e a simplicidade faziam parte do quotidiano.
Porque antes de a água chegar facilmente a todas as torneiras, houve uma geração que conheceu o valor de cada gota.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mobilidade Elétrica

Na Freguesia de 'Algueirão Mem Martins' existem locais públicos para carregamento de carros elétricos? 

Onde??



terça-feira, 7 de julho de 2026

sábado, 4 de julho de 2026

Farmácia Vitória - Algueirão

Nova localização da 'Farmácia Vitória', no Algueirão.
Estrada das Mercês 82, 2725-093 Algueirão-Mem Martins









sexta-feira, 3 de julho de 2026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Numeração das Casas

A numeração por lotes e por portas pode parecer confusa porque normalmente envolve duas fases diferentes: a fase de construção e a fase em que o edifício já está concluído.


1. Numeração dos lotes
Quando um terreno é dividido para construção (um loteamento), cada parcela recebe um número de lote.
Por exemplo:
Lote 1; Lote 2; Lote 3; Lote 4
Este número identifica o terreno nos projetos, nas licenças e no registo predial. Mesmo depois de construído o prédio, continua a existir o "Lote 3", por exemplo.

2. Numeração da polícia (número da porta)
Depois de o edifício estar pronto, a câmara municipal atribui um número de polícia, que é o número da porta da rua.

Por exemplo: Lote 3 → Rua das Flores, n.º 28 
Assim, o lote continua a ser o Lote 3, mas a morada passa a ser Rua das Flores n.º 28.

Porque é que o número muda?
Há várias razões:
A rua foi prolongada e surgiram novas construções antes daquele edifício.
A câmara reorganizou a numeração para ficar sequencial. Foram unidos ou divididos lotes. Mudou o traçado da rua ou foram criadas novas vias.


Por exemplo: 
Inicialmente: Lote 5 → Rua Nova n.º 10
Anos depois, construíram-se mais casas antes dele:
Lote 5 → Rua Nova n.º 24
O lote continua a ser o mesmo, mas o número da porta mudou.

Nos apartamentos
É comum encontrar algo como: Lote 12; Rua da Liberdade, n.º 45
Fração A; Fração B; Fração C Ou seja:
Lote 12 = terreno onde o prédio foi construído.
N.º 45 = número da porta do prédio; Fração B = apartamento específico.

Em Portugal: É muito comum que documentos mais antigos (projetos de arquitetura, licenças de construção ou escrituras) mencionem apenas o lote, enquanto documentos mais recentes (cartão de cidadão, finanças, CTT) utilizem principalmente a morada com o número da polícia.

Em resumo: Lote identifica o terreno dentro de um loteamento.
Número da porta (número de polícia) identifica o edifício na rua.

O lote raramente muda, mas o número da porta pode ser alterado pela câmara municipal para manter uma numeração lógica e organizada ao longo da via.