Tempo em Algueirão Mem Martins
sábado, 10 de agosto de 2024
terça-feira, 30 de julho de 2024
Lenda: "Senhora da Ribeira da Lage"
Há quem diga que nem todas as lendas nascem da imaginação.
Algumas nascem do silêncio.
Os habitantes mais antigos do Bairro das Eiras, em Mem Martins, contavam que, muito antes de existirem ruas alcatroadas e automóveis, a Ribeira da Lage era um lugar respeitado. As suas águas eram limpas, e mais profundas, e o nevoeiro que descia da Serra de Sintra escondia tudo o que tocava.
Ninguém sabia ao certo quando começou a história.
Os avós ouviam-na dos bisavós, e estes juravam tê-la aprendido com gente ainda mais antiga.
Falavam de uma mulher que surgia apenas nas noites de nevoeiro. Vestia um xaile escuro, caminhava devagar pela margem da ribeira e nunca fazia ruído. Quem a via dizia que parecia flutuar, como se os pés nunca tocassem o chão. Nunca olhava para trás.
Conta-se que um pastor resolveu segui-la, convencido de que ela escondia um tesouro antigo entre os penedos. Caminhou atrás daquela figura durante largos minutos, mas quando o nevoeiro se dissipou percebeu que estava exatamente no mesmo lugar de onde tinha partido. Nunca mais voltou a ser o mesmo. Dizia que, durante toda a caminhada, ouvira água correr... mas a ribeira estava quase seca.
Anos depois, um moleiro contou uma história semelhante. Jurava que a mulher lhe tinha sorrido antes de desaparecer na névoa. Na manhã seguinte encontrou, junto à margem da Ribeira da Lage, uma pequena pedra branca em forma de lágrima. Guardou-a até ao fim da vida, convencido de que o protegera de uma grande desgraça. Desde então, sempre que o nevoeiro cobre o Bairro das Eiras, ainda há quem prefira dar uma volta maior para evitar a margem da ribeira.
Não por medo. Mas por respeito. Porque, segundo os mais antigos, a Senhora da Ribeira da Lage nunca faz mal a quem passa... apenas aparece a quem a Serra de Sintra escolhe.
E há um velho ditado que ainda hoje alguns moradores repetem em voz baixa:
"Se a névoa te chamar pelo nome, não respondas. Caminha em frente... porque nem todas as vozes pertencem aos vivos."
segunda-feira, 29 de julho de 2024
segunda-feira, 22 de julho de 2024
[boletim 921] enfim a nossa Rádio local
Noticia antiga quando começavam a surgir as primeiras rádios piratas
Houve um tempo em que a Rádio Ocidente, em Mem Martins, fazia parte da rotina de tantas famílias. Bastava ligar o rádio para sentir uma companhia, ouvir uma música, uma notícia ou uma voz que já parecia da família.
Numa época sem internet e sem redes sociais, a rádio aproximava pessoas e dava vida à nossa terra. Ficaram as melodias, as recordações e a saudade de um tempo mais simples.
A Rádio Ocidente deixou de emitir, mas continua bem sintonizada na memória de quem teve o privilégio de a ouvir.
sexta-feira, 19 de julho de 2024
sábado, 13 de julho de 2024
Antigos problemas no abastecimento de Àgua em Algueirão Mem Martins
A falta de água que hoje preocupa algumas a zona da Costa de Caparica, faz-nos recuar no tempo e recordar uma realidade que muitos habitantes de Algueirão-Mem Martins ainda guardam na memória.
Houve uma época em que abrir a torneira e ver sair água não era algo garantido. Numa vila que crescia a grande velocidade, com novos bairros a nascer e cada vez mais famílias a escolherem Algueirão-Mem Martins para viver, o abastecimento de água nem sempre conseguia acompanhar esse crescimento.
Muitos moradores lembram-se bem dos dias em que era preciso encontrar alternativas. Algumas famílias recorriam aos poços existentes nas propriedades, utilizando essa água para várias necessidades do dia a dia. Outros carregavam garrafões e garrafas até às fontes de Sintra, onde a água era procurada por quem precisava de garantir o abastecimento em casa. Quem morava nos pisos mais altos dos prédios que já existiam na freguesia, este drama era uma grande realidade.
A Fonte da Sabuga, em Sintra, tornou-se um desses locais de memória. Era habitual ver pessoas a encher recipientes, numa imagem que hoje parece pertencer a outro tempo, mas que para muitos foi uma rotina durante anos. A viagem até à fonte fazia parte da vida de muitas famílias, numa época em que a água era valorizada de uma forma muito diferente.
Era uma altura em que se aprendia a poupar cada gota. A água servia primeiro para o essencial, e cada recipiente cheio representava uma pequena segurança para a família.
Com o crescimento da população e a necessidade de melhorar o abastecimento, foram sendo construídas novas infraestruturas que permitiram captar, reservar e tratar água com maior capacidade e qualidade. A grande transformação permitiu deixar para trás esses tempos de incerteza e trouxe uma nova tranquilidade às casas da nossa vila.
Hoje, quando surgem notícias sobre falta de água, estas histórias regressam à memória de quem viveu esses anos. São recordações de uma Algueirão-Mem Martins diferente, onde a entreajuda, a adaptação e a simplicidade faziam parte do quotidiano.
Porque antes de a água chegar facilmente a todas as torneiras, houve uma geração que conheceu o valor de cada gota.
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