Tempo em Algueirão Mem Martins
segunda-feira, 29 de julho de 2024
segunda-feira, 22 de julho de 2024
sexta-feira, 19 de julho de 2024
sábado, 6 de julho de 2024
“Tive de Tornar o Meu Prédio Bonitu” regressa a Algueirão-Mem Martins com torneio de futebol, exposições, conversas, filmes e muita música
O evento cultural “Tive de Tornar o Meu Prédio Bonitu”, que acontece este fim-de-semana, nos dia 6 e 7 de Julho, será o segundo de três encontros que vão decorrer até ao fim de 2024. O programa terá apresentação de exposições, livros, live acts, dj sets, spoken word, filmes, conversas e muita partilha com jovens artistas de Algueirão-Mem Martins e do concelho de Sintra.
Primeiro dia do evento, no dia 6 de julho das 16h00 às 21h00, na "Beirobra" situado na R. Fernando Pessoa 1, 2725-594 Algueirão-Mem Martins, será inaugurado o evento com uma instalação artística de bandeiras na estrutura do campo, de seguida quatro jogos de futebol com artistas locais e coletivos, incluindo os coletivos Instinto 26 e Relâmpago. O dia termina com concertos de Sandro MM, Harley KSD e Landim e DJ sets de DJ Maboku e DJ Gameover.
O segundo dia do evento, no dia 7 de julho, das 15h00 às 20h00, na Casa da Juventude da Tapada das Mercês na R. Padre Alberto Neto, 2725-531 Algueirão-Mem Martins, será apresentada uma exposição de artistas que têm colaborado coletivamente com a Unidigrazz, a apresentação do livro “Hip Hop Tuga” de Ricardo Farinha que irá conversar com Yannick TDM, Nasty Factor e Beatriz Freitas, de seguida a sessão de spoken word com Marcos Best e João Tamura.
O evento irá terminar com a exibição do filme “A Batida de Lisboa” de Rita Maia e Vasco Viana.
Esta iniciativa tem o apoio na organização da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins e da Câmara Municipal de Sintra.
SÁBADO LINE-UP:
16h00 Inauguração da instalação e Início do Evento
17h00 Início DJ set (Dj Gameover) e Quatro jogos de futebol com artistas locais e coletivos
19h00 Concerto de Sandro MM
19h20 Concerto de Harley KSD
19h40 Concerto de Landim
20h00 DJ set de DJ Maboku
DOMINGO LINE UP:
15h00 Inauguração Exposição coletiva;
16h00 Apresentação do Livro “Hip Hop Tuga” de Ricardo Farinha e conversa com Yannick TDM, Nasty Factor e Beatriz Freitas
17h30 Spoken Word Marcos Best e João Tamura
18h30 Apresentação filme Batida Lisboa
quarta-feira, 3 de julho de 2024
Tapada das Mercês: um labirinto urbano criado pela falta de ordem na numeração de moradas
A Tapada das Mercês, tornou-se um exemplo persistente de desorganização urbana ao nível mais básico: a identificação de moradas. A coexistência confusa entre numeração de polícia e numeração de lotes transformou o território caótico, onde a lógica deixou de ser regra e passou a exceção. Lentamente a numeração vai sendo corrigida, mas poderia já se encontar resolvido à muitos anos.
Num espaço com elevada densidade populacional e circulação constante de pessoas, seria expectável que a sinalização e a numeração fossem claras, consistentes e facilmente interpretáveis. No entanto, o que se verifica no terreno é precisamente o oposto: ruas com referências contraditórias, edifícios com múltiplas identificações e um sistema que varia de zona para zona sem critério uniforme.
O resultado é um problema diário e concreto. Moradas que não são encontradas à primeira tentativa. Entregas que falham ou atrasam. Cidadãos obrigados a explicar caminhos complexos como se estivessem a decifrar um código urbano improvisado. E, em situações mais sensíveis, o risco acrescido de atrasos na chegada de serviços essenciais.
Não se trata de um detalhe técnico ou de uma questão estética. Trata-se de funcionalidade urbana básica. A identificação de moradas é uma infraestrutura invisível, mas fundamental, sem a qual o território perde eficiência e segurança.
O mais grave neste cenário não é apenas a existência do problema, mas a sua permanência ao longo de anos sem uma resolução estrutural visível. A confusão entre sistemas de numeração não é recente, nem pontual. É antiga, conhecida e normalizada. E essa normalização é, em si mesma, parte do problema.
Ao permitir que coexistam sistemas paralelos de identificação sem harmonização efetiva, o planeamento urbano falha na sua função mais elementar: organizar o espaço para ser compreendido e utilizado sem ambiguidades.
A Tapada das Mercês não sofre de falta de habitantes, nem de falta de movimento urbano. Sofre de falta de coerência na forma como foi e continua a ser estruturada. E quando a base da organização territorial falha, tudo o resto se torna mais difícil — da logística quotidiana à intervenção de emergência.
É legítimo questionar como é possível que uma área desta dimensão continue a depender de um sistema de identificação que gera confusão sistemática. E mais do que questionar, é necessário exigir intervenção: revisão da numeração existente, eliminação de sobreposições contraditórias e implementação de um modelo único, claro e funcional.
Enquanto isso não acontecer, a Tapada das Mercês continuará a ser o que já é na prática: um espaço urbano onde a morada existe no papel, mas nem sempre existe de forma legível na rua.







