No Casal de São José, em Mem Martins
Tempo em Algueirão Mem Martins
sábado, 17 de janeiro de 2026
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Walking Football em Mem Martins
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Autocarros para Hospital de Sintra
1206
Algueirão-Mem Martins (Estação) - Portela de Sintra (Estação Norte) via Tribunal e Hospital
1208
Almargem Bispo (Cemitério) - Portela de Sintra (Estação Norte)
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Almoçageme (Mercado) - Hospital de Sintra

Casal de Cambra (Escola) - Portela de Sintra (Estação Norte) via Hospital
| GPS: | 38° 48' 31.916"N |
| 9° 21' 20.623"W |
domingo, 4 de janeiro de 2026
sábado, 3 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Antigo Reveillon
Houve um tempo em que o ano novo, em Mem Martins, não começava à meia-noite.
Começava mais cedo, quando se entrava no salão do Mem Martins Sport Clube, e se entrava num espaço onde todos se conheciam — ou, pelo menos, se reconheciam.
Lembro-me do burburinho constante, das cadeiras arrastadas no soalho de madeira, e daquele cheiro tão particular a festa. Não era luxo, nunca foi mas era outra coisa mais rara: era pertença.
Os réveillons no clube tinham essa magia simples. As famílias chegavam juntas, como se aquela noite exigisse um cuidado especial.
Os mais novos corriam entre mesas e cadeiras, os mais velhos cumprimentavam-se com abraços demorados. Havia sempre alguém a dizer: "está chegar um ano que tudo vai correr melhor...”.
A música fazia-se ouvir cedo, às vezes ao vivo, outras vezes vinda de um gira-discos fiel, que conhecia o gosto das gentes de Algueirão Mem Martins.
Dançava-se sem pressa, com respeito, mas também com alegria. Os lentos colavam os pares, as músicas mais animadas puxavam quem estava sentado.
Ninguém ficava de fora por muito tempo.
Quando a meia-noite se aproximava, o salão mudava de tom, e começava a contagem. Dez, nove, oito… dita em coro, nem sempre certa, mas sempre sentida.
À meia-noite, os abraços tornavam-se urgentes. Abraçava-se quem estava ao lado, conhecido ou não. Brindava-se com o que havia: espumante simples e vinho da casa servido em copos de vidro gatos. Lá fora ouviam-se foguetes, mas cá dentro bastavam as palmas, os sorrisos e os votos ditos de coração.
A noite prolongava-se. As crianças acabavam por adormecer nas cadeiras encostadas à parede, embrulhadas em casacos. Os resistentes continuavam a dançar. O frio ficava do lado de fora. Cá dentro havia calor humano suficiente para atravessar o ano que acabava de chegar.
Hoje, quando penso nesses réveillons, não penso apenas nas festas. Penso num tempo em que o clube era casa, era sala de visitas, era ponto de encontro. Um tempo em que entrar no ano novo era um gesto coletivo, feito de proximidade e presença.
Talvez por isso estas memórias resistam. Porque mais do que uma passagem de ano, aqueles réveillons no Mem Martins Sport Clube eram uma afirmação silenciosa: ninguém entrava sozinho no ano novo.
E isso, ainda hoje, diz muito sobre quem fomos — e sobre quem continuamos a ser.













