Hoje pode parecer estranho, mas durante muitos anos esta foi uma convicção defendida com unhas e dentes por antigos habitantes de Mem Martins.
Na memória dos mais antigos, havia uma certeza: as queijadas não eram apenas de Sintra — tinham raízes em Mem Martins.
E não se tratava simplesmente de uma história contada à mesa do café. Em 1962, por ocasião das festas de Nossa Senhora da Natividade, chegou mesmo a ser divulgado em Mem Martins um texto que defendia que o fabrico das famosas queijadas remontava ao século XIX e que a sua origem era Mem Martins.
A tradição local tinha argumentos próprios. Durante décadas, existiram em Mem Martins mulheres conhecidas como queijadeiras, que produziam artesanalmente aquelas pequenas iguarias, transmitindo receitas e conhecimentos de geração em geração.
A memória dessa atividade ficou até gravada na própria toponímia local: a Travessa das Queijadeiras recorda um tempo em que fazer queijadas fazia parte da vida económica e social da terra.
E foi precisamente daí que nasceu uma espécie de “disputa” histórica: de um lado, a fama consolidada das Queijadas de Sintra; do outro, a população de Mem Martins a defender que, por trás dessa fama, estava uma história que também era sua.
A verdade histórica, porém, é mais antiga e complicada. Existem referências a queijadas na região de Sintra desde a Idade Média, o que torna difícil apontar hoje um único lugar como o seu verdadeiro berço.
Mas uma coisa é certa: em Mem Martins, durante gerações, houve quem acreditasse firmemente que a história começara ali.
E talvez seja essa a parte mais curiosa desta história. Porque, para os antigos de Mem Martins, não era apenas uma questão de onde se vendiam as queijadas. Era uma questão de onde elas tinham nascido.
E tu, já tinhas ouvido esta velha história de que as Queijadas de Sintra eram, afinal, de Mem Martins?
