Tempo em Algueirão Mem Martins

domingo, 19 de abril de 2020

Feira das Mercês

A Feira das Mercês é a maior e mais característica feira da região saloia. O recinto onde ainda hoje se realiza localiza-se na Quinta das Mercês (ou da Marquesa), na zona norte da Tapada das Mercês. Integram o conjunto classificado a Capela de Nossa Senhora das Mercês, um cruzeiro, um edifício de caraterísticas pombalinas e ainda o célebre Muro do Derrete ou do namoro.

No interior da capela, situada fora do recinto da feira, encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Mercês, muito venerada na freguesia de Rio de Mouro e que, no período em que decorre a feira é levada em procissão. O exterior do templo de linhas sóbrias, ostenta na fachada principal um portal encimado por frontão quebrado sobre o qual se abre um janelão de perfil retangular. Duas janelas quadrangulares de cada lado do portal e uma torre sineira localizada do lado direito, completam o traçado do alçado principal do edifício. No interior da capela, subsistem ainda alguns azulejos e um altar-mor em mármore com embrechados de motivos florais estilizados distribuídos por dois painéis, onde sobressaem as figurações do sol e da lua.

Segundo a tradição, é nos bancos conversadeiras do muro do Derrete que as "moças casadoiras" se deveriam sentar com os seus pretendentes. Este muro que corresponde certamente à cerca da antiga propriedade, apresenta ainda hoje dois antigos portões ladeados por pilastras rusticadas. De notar que estas entradas se situam em limites opostos do perímetro cercado, mas no mesmo alinhamento.

O cruzeiro, por seu lado, localiza-se no recinto da feira, apresentando uma cruz de pedra assente numa base quadrangular sobre três degraus igualmente em pedra.

Pelas caraterísticas gerais do conjunto que acabámos de descrever, considera-se que o mesmo deverá datar do século XVII, tendo sido posteriormente alvo de alterações.

História
Segundo a tradição, a Feira das Mercês seria herdeira de um antigo mercado árabe de transação de escravos. De facto, não é possível conhecer com exatidão as suas origens, sendo que a primeira referência se reporta à segunda metade do século XVIII (Memórias Paroquiais de 1758), onde surge descrita uma feira livre na povoação de Meleças, feira esta que já na altura se realizava nos últimos dois domingos do mês de outubro. Curiosamente neste documento não é referida a existência da capela.


Em 1771 a feira foi transferida para Oeiras por iniciativa do Rei D. José I mas, pouco depois, por ordem da Rainha D. Maria I, volta ao lugar original. De notar que o Marquês de Pombal, fiel devoto de Nossa Senhora das Mercês, para além de proprietário de uma importante quinta em Oeiras era também senhor dos terrenos onde se realizava a feira e implantava a capela das Mercês (Oliveira, Rui - Sinopse Histórica da Feira das Mercês. In http://www.alagamares.com/sinopse-historica-da-feira-das-merces-por-rui-oliveira).
Importa referir que a Feira das Mercês teve grande influência na economia de Rio de Mouro que, até à primeira metade do século XX, era uma freguesia essencialmente rural, com as suas quintas, hortas e criação de gado. Presentemente, a Feira das Mercês, perdeu grande parte das suas caraterísticas como feira saloia de venda de produtos agrícolas, gado e produção de louças artesanais, transformando-se num espaço onde se comercializam produtos sem ligação à região e um local de divertimento. Apesar disso ainda é possível encontrar as célebres maçãs de Colares, as afamadas peras pardas do litoral sintrense, as fogaças de erva-doce, o leitão assado de Negrais e a carne de porco frita "à moda das Mercês", servida em frigideiras de barro, assim como a água-pé, produzida pelos viticultores da região.

Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da C. M. Sintra.

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/9967800

sábado, 18 de abril de 2020

[Negócios] Pingo Doce adquire estabelecimento comercial à Polisuper

Em dezembro de 2005, foi noticia...

O supermercado Pingo Doce, detido pelo Grupo Jerónimo Martins, notificou a Autoridade de Concorrência sobre a aquisição de um estabelecimento comercial em Mem Martins à sociedade Polisuper – Produtos Alimentares.
Numa nota publicada na imprensa, a Autoridade de Concorrência avança que recebeu no dia 25 de Novembro uma notificação prévia de uma operação de concentração de empresas que «consiste na aquisição, pela Pingo Doce – Distribuição Alimentar através de trespasse, de um conjunto de activos – um estabelecimento comercial localizado em Mem Martins, no concelho de Sintra, detidos pela sociedade Polisuper – Produtos Alimentares».
A mesma fonte avança ainda que a Polisuper é uma sociedade de «cariz familiar que desenvolve actividade no retalho alimentar operando seis estabelecimentos de média e pequena dimensão, localizados nos concelhos de Oeiras, Cascais e Sintra».

[Sintra Noticias] Basílio Horta “trava” encerramento de SUB em Mem Martins e critica “baixa política”

"O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Mem Martins está em funcionamento e vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de Saúde", assegura Basílio Horta, depois de ser avançado o seu "encerramento provisório" pela necessidade de reforço das equipas médicas e enfermagem no Hospital Amadora-Sintra.


“O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Mem Martins está em funcionamento e vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de Saúde”, assegura Basílio Horta, presidente da Câmara de Sintra, dando conta de “uma conversa com o secretário de Estado da Saúde [António Sales]” onde foi assumido esse compromisso.
O SINTRA NOTÍCIAS sabe, junto de fonte oficial, que a possibilidade de encerramento deste equipamento foi travada pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra. O presidente da junta de freguesia de Algueirão-Mem Martins, Valter Januário, também foi surpreendido pelo anúncio, tendo manifestado preocupação perante essa possibilidade.
Depois de receber informação oficial das autoridades de saúde, a junta de freguesia de Algueirão-Mem Martins chegou mesmo divulgar o encerramento da SUB, mas um contacto telefónico entre Basílio Horta e António Sales travou o processo. Basílio Horta e Valter Januário falaram por video conferência, tendo consensualizado a necessidade de manter o equipamento de saúde aberto.
Tinha sido hoje anunciado que o Serviço de Urgência Básica (SUB) em Mem Martins, iria “encerrar temporariamente” e que toda a equipa médica e de enfermagem, seria transferida para reforço do Hospital Amadora-Sintra, no combate à pandemia originada pelo coronavírus.
“Quem tenta, permanentemente, fazer baixa política com questões de saúde pública teve mais uma desilusão”, desabafa Basílio Horta, numa curta mensagem no facebook, assegurando que “em Sintra vamos continuar unidos, sem explorar o medo, sem ceder na responsabilidade, com seriedade, racionalidade e sem demagogias”.
A SUB de Mem Martins é composta por 12 médicos e 17 enfermeiros, mas também por uma equipa vasta de auxiliares médicos, pessoal administrativo e de segurança, efetivo que “vai continuar a garantir o atendimento a todos que necessitem deste equipamento de saúde”, assegura Basílio Horta.

Ermida de São Romão

A Ermida de São Romão ergue-se sobre uma elevação, ou plataforma, artificial, no interior da qual se registam importantes vestígios arqueológicos romanos e pré-históricos.

No seu todo, trata-se, sem qualquer dúvida, do principal conjunto histórico-monumental da Freguesia de Algueirão - Mem Martins e, no seu género, de um dos mais significativos do Concelho de Sintra.
Os vestígios pré-históricos ali existentes são ainda mal conhecidos, apesar de objecto de um estudo prévio e respectiva publicação; não é de excluir, contudo, a sua directa relação com os vestígios arqueológicos da Pedreira da Cavaleira, descobertos em 1975, atribuíveis ao Calcolítico Inicial que corresponderiam, muito provavelmente, a um povoado, entretanto desaparecido, devido à laboração da pedreira.

A época romana, à qual pode eventualmente pertencer  a referida plataforma artificial e de muitas estruturas que nela permanecem, evidencia-se através de um grupo bastante representativo de inscrições datáveis do século I e II d.C., retiradas das ruínas da ermida em 1956. Trata-se de um túmulo cupiforme (do latim cupa = barrica; em forma de barrica) completo com a seguinte inscrição: Aqui jaz Marco Estácio Máximo, da tribo Galérica, filho de Marco (M.A.S.M.O. XC), que integrava seguramente uma necrópole incinerária romana nas proximidades, dado existirem outros vestígios recolhidos em Lourel; e de uma área consagrada aos Deuses Manes (M.A.S.M.O. XCII), encontrada a meio da alvenaria que compunha o altar da Ermida.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Gabino Ferreira (video)

[Correio Sintra] Serviço de Urgência Básica de Mem Martins encerra temporariamente

O Serviço de Urgência Básica de Mem Martins encerra hoje. Segundo fonte oficial, nas últimas semanas, o Serviço de Urgência Básica teve uma redução de Utentes de cerca de 70%. Uma vez que o Hospital Amadora Sintra se encontra neste momento a precisar de reforço devido à Covid 19, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo decidiu mobilizar as equipas da Sub, compostas por 12 médicos e 17 enfermeiros, para o Hospital Amadora-Sintra no sentido de reforçar o atendimento.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Grognation x Sam The Kid // Body (video)



[Eclesia] Catequese em casa: A reinvenção da vivência da Páscoa em tempos de isolamento (video)


Lisboa, 15 abr 2020 (Ecclesia) – Rita Santos, catequista da paróquia da paróquia do Algueirão, no Patriarcado de Lisboa, disse que, neste tempo de isolamento social, é necessário “reinventar a vivência do tempo de Páscoa”.
“Este ano foi uma reinvenção, estamos habituados a ir às celebrações, este ano foi estranho e com alguma tristeza e dor, confinados em casa, mas fazemos este esforço”, referiu, no programa Ecclesia, transmitido hoje na RTP2.
A entrevistada recorda que os catequistas têm feito um esforço para acompanhar os catequizandos e famílias, propondo celebrações em família e mantendo a ligação.
“Não podemos deixar passar em claro, muitas famílias fizeram um cantinho de oração, com a cruz, uma Imagem de Nossa Senhora, a Bíblia para criar ambientação para rezar em casa”, conta.
Rita Santos faz ainda um paralelismo entre a ansiedade que os apóstolos sentiram na época pascal e o isolamento social devido à pandemia de Covid-19.
“Os apóstolos tiveram medo e agora nesta fase nós também esse sentimento de medo, ansiedade de querer uma resposta rápida de Jesus é como estarmos agora nessa espera”, aponta.

Apesar da Ressurreição “ser difícil de perceber ao olho humano” a catequista aponta que se sabe que aconteceu e acaba por ser “o sentido de ter fé e acreditar” e alimentar essa esperança.
“O desafio maior em confinamento é transmitir esta alegria que Jesus ressuscitou e que preenche o nosso coração, nos torna pessoas melhores, e aqui fica o desafio dos catequistas terem gestos de aconchego às crianças e que as crianças liguem aos catequistas e partilhem as suas coisas”, deseja.
Rita Santos referia ainda que nesta Páscoa houve muitas manifestações nas redes sociais mas sentiu “falta da família e do abraço na sua paróquia”.
“Na família estivemos em videochamada para partilhar esta alegria, nunca houve tantos grupos como agora e assim conseguimos ter levado a todos; na minha paroquia fez falta o abraço no domingo de Páscoa”, afirmou. 

sábado, 11 de abril de 2020

quinta-feira, 2 de abril de 2020

domingo, 22 de março de 2020

Concurso de desenhos em 1983

Nas Festas de Nossa Sra da Natividade de 1983 decorreu um concurso de desenhos para os mais pequenitos.

e os premiados foram...


sexta-feira, 6 de março de 2020

"Kids & Nits" em Mem Martins

9 de Março abre ao público, um centro de tratamento da pediculose (piolhos),
na Rua António Silva,
no Bairro de São Carlos em Mem Martins




sábado, 15 de fevereiro de 2020

[NIT] Passámos um dia a viajar na Linha de Sintra: caos, desenrasque e frustração

A NiT relata um dia numa das linhas com mais utilizadores do País. Uma visão de um repórter que a frequenta regularmente e outra de quem raramente a usa. O resultado é semelhante.
As queixas acumulam-se: há protestos organizados, manifestos expostos em cartazes, chegam relatos aos emails e caixas de mensagens das redações e o tom é sempre o mesmo — o passe único foi ótimo como ideia, a sua introdução em abril do ano passado trouxe importantes poupanças de centenas de euros a milhares de famílias, mas o resto é que não acompanhou. O resto sendo a frequência de transportes, a sua pontualidade, e a qualidade de maneira geral.
Nas linhas de comboios urbanos que servem a Grande Lisboa, praticamente todos os dias há relatos de situações de atrasos, supressões, comboios nos quais não se consegue entrar de tão cheios que estão, pessoas a sentirem-se mal, esperas e frustrações. De Vila Franca de Xira a Cascais e Margem Sul as queixas são semelhantes. A NiT já lhe contou, na primeira pessoa, a experiência da viagem na Fertagus por quem já utilizava este serviço antes do novo Navegante e sente na pele as diferenças: e agora foi a vez de o fazermos na Linha de Sintra.
no interior de uma carruagem

É claro que a situação não se repete todos os dias, 24 horas por dia. Quem consegue contornar ou evitar as horas de ponta da manhã e da tarde, vai frequentemente fazer o seu percurso de pé, porém de forma confortável, ou, com alguma sorte, até mesmo sentado.
No entanto, à hora de ponta, a incrível quantidade de pessoas que utiliza atualmente este transporte no sentido Sintra-Lisboa (de manhã) para ir para o trabalho e Lisboa-Sintra (à tarde) para voltar para casa é notória e indiscutível. Afinal, e de acordo com dados de 2018, Sintra é o segundo concelho do País com mais residentes, só atrás de Lisboa. No total são cerca de 388 mil pessoas. E a discrepância entre passageiros e carruagens disponíveis ou a frequência dos comboios é ainda mais visível. 
Decidimos experimentar a Linha de Sintra num dia comum da semana, com o percurso da manhã a ser feito por quem basicamente já o repete todos os dias úteis da sua vida — e que sabe o que são atrasos e supressões, como era a situação há uns anos, como está agora, quais as diferenças.
Depois, fizemos o percurso inverso da tarde por quem raramente utiliza a Linha de Sintra, por viver e trabalhar em Lisboa; tendo assim uma perspetiva fresca e mais imparcial, recolhendo informações pontuais de quem foi encontrando. Este foi o resultado.
Sintra-Lisboa, 8h30 (por um utilizador frequente)
Desde 2013 que viajo quase todos os dias úteis (e não só) na Linha de Sintra. Têm sido vários os problemas ao longo dos anos do ponto de vista do utente — que se agravaram nos últimos anos do governo do PSD liderado por Pedro Passos Coelho, por causa do desinvestimento na empresa e das inúmeras e incontáveis greves que foram marcadas em resposta.
Sempre foi normal estarmos apertados dentro de um comboio em hora de ponta, mas nos últimos meses a situação tem vindo a piorar — talvez outubro e novembro de 2019 tenham sido alguns dos mais problemáticos. Apesar de haver comboios de dez em dez minutos nos horários com mais passageiros a circular (seja de manhã ou à tarde), basta haver um atraso ou uma supressão para muitos dos comboios seguintes estarem tão cheios que se torna literalmente impossível de entrar. 
De manhã a situação tende a ser pior, porque a hora de ponta é mais concentrada — entre as sete horas e as 8h30, aproximadamente, costuma ser o período mais concorrido. Durante a tarde a hora de ponta é mais espaçada, pelo que, apesar dos problemas, muitas vezes a questão não é tão visível.
As mudanças nos passes Navegantes poderão ter aumentado o número de passageiros — embora a Linha de Sintra não seja o serviço de transportes mais afetado, até porque não era onde estavam os passes combinados mais caros. No entanto, isso não pode servir de justificação para as múltiplas avarias de sinalização (entre outras), os problemas nas composições, os atrasos e supressões, tudo aparente fruto do desinvestimento e complexos processos burocráticos. Isso só poderia justificar o aumento do número de pessoas dentro das carruagens.
Ao longo dos últimos meses foram várias as vezes que não consegui entrar em comboios de tão cheios que estavam — mesmo eu conhecendo os melhores sítios do cais de cada estação, onde normalmente existem menos passageiros —, algo que nunca tinha acontecido com frequência antes de 2019. Foram várias as vezes que vi pessoas ao meu lado a sentirem-se mal, apertadas umas contra as outras, e, claro, assisti ao aumento do nível de stress e tensão dentro dos comboios. Não é agradável acordar de manhã, cedo, e ter de passar por um tormento para chegar ao trabalho.

A redução dos preços dos passes e todas as medidas ambientais que estão a ser tomadas em Lisboa para a diminuição do número de carros a circular podem fazer todo o sentido, mas parece óbvio que necessitam de um sistema de transportes públicos que seja competente e que funcione bem: não se exige assim tanto, apenas que cumpram os horários a que se propõem chegar a cada destino e que aumentem o número de carruagens nas horas em que a quantidade de passageiros sobe drasticamente. Os problemas que encontro são diários e sistemáticos — pelo que nem vale a pena falar da experiência casual de apenas uma manhã.
Lisboa-Sintra, 17h30 (utilizador pontual)
Estação de Sete Rios, terça-feira, 11 de fevereiro de 2020, poucos minutos depois das 17 horas. Enquanto subo as escadas para a plataforma começo a ver o avolumar de gente. Carregar o Navegante, procurar a linha certa, confirmar os horários e eis que vem o comboio das 17h30, que teve origem na Gare do Oriente e vai até Sintra. Tento, juntamente com a fotógrafa que me acompanha, entrar numa carruagem e simplesmente não conseguimos. Corremos para outra mas o resultado é igual. Comentamos entre as duas o inevitável: “bom, começa bem”.
Sem crise, espera-se pelo próximo, afinal de contas são só 10 minutos. Só que não. Nos altifalantes, ecoa a informação de que o próximo comboio está 12 minutos atrasado — o que quer dizer que o das 17h40 já só vai passar em Sete Rios às 17h52. Esperamos pacientemente os 22 minutos e eis que chega: novamente cheio. Como estávamos à frente da linha de espera conseguimos entrar, não sem sermos completamente apertadas por quem tenta afincadamente ainda entrar depois de nós. “Não vale a pena vir neste, o próximo vem já a seguir e há-de vir melhor”, grita o revisor, que fica à porta da nossa carruagem, para quem ainda tenta espremer um pouco mais para conseguir entrar. “Pois, mas este já era o meu próximo”, comenta alguém entre dentes; exatamente como para nós.
À entrada do comboio

O resto da viagem, até Queluz, foi assim; em Benfica houve um ligeiro alívio, depois voltou a encher. Sempre apertados, sem chegarmos sequer com a mão ao corrimão. O revisor era uma simpatia, sempre a conversar sobre o coronavírus, como as lojas dos chineses não merecem o nosso abandono, os horários, de tudo um pouco.
Só não consegue é verificar títulos de transporte, porque ele próprio não se consegue mexer. Foi comentando com uma senhora que tinha havido um atraso de 40 minutos em Entrecampos porque alguém tinha prendido uma porta. “Sim, não costuma estar assim tão mau a esta hora”, responde a senhora. Alguém resmunga o contrário e na estação a ideia também não era bem essa: os utentes com que falámos contam que há dias e dias, claro, mas as horas de ponta são quase sempre criticas. Volta tudo ao mesmo: o novo passe foi ótimo, mas viajar nas piores horas é caótico, há falta de comboios, atrasos diários, desconforto. “Sempre houve atrasos e supressões mas nunca esteve tão mau”, dizem-nos.
Não é fácil, sobretudo para quem viaja com miúdos. Sinceramente nem consigo imaginar. Numa das estações, sai uma mãe com um bebé de colo e um miúdo de uns quatro anos pela mão, que diz assim que chega à rua “anda, embora, estava tão apertado”.
Chegando a Queluz voltamos para trás, fazendo o caminho inverso: com lugar sentado e num comboio quase vazio, lá está. De volta a Sete Rios ainda espreitamos a estação mas parece estar tudo lá de novo: o avolumar de pessoas tanto no cais do comboio de Sintra como no da Fertagus, a voz nos altifalantes a referir um atraso de cinco minutos e a pedir desculpa pelo incómodo. De quem não costuma fazer este percurso parece claro: são só umas horas, mas são mesmo más. Mas e quem tem de as fazer?

O passe único entrou em vigor a 1 de abril de 2019 e acabou com as centenas de títulos combinados para a utilização dos transportes coletivos, trazendo apenas duas configurações. Atualmente só precisa de escolher entre dois títulos, o Navegante Municipal de 30€ e o Navegante Metropolitano de 40€, consoante a área que quiser utilizar. Ambos são para todos os transportes, o primeiro só para deslocações no concelho de Lisboa e o segundo em toda a área metropolitana.
A NiT contactou a CP para obter informação sobre a situação do aumento de utentes e da resposta que vai ser dada. A empresa respondeu que, na linha de Sintra/Azambuja circulam, em média, mais de 9.900 comboios por mês. O índice de regularidade (indicador que mede o número de comboios programados vs o número de comboios realizados), no último trimestre de 2019 e já no mês de janeiro de 2020, foi da ordem dos 99%, “o que significa que 99% dos comboios programados foram realizados”.
A CP acrescenta ainda que o número de passageiros transportados nestes comboios, entre janeiro e novembro de 2019 (uma vez que dezembro não está ainda fechado), comparado com o mesmo período de 2018 teve uma variação positiva de cerca de 21,8%, refletindo, também, o impacto da introdução do programa PART (Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos).
Os dados são claros: o número de passageiros transportados na Linha de Sintra/Azambuja, de janeiro a novembro de 2019 foi de 62,850 milhões, face aos 51,615 milhões do período homólogo de 2018.
Sobre as medidas previstas para acompanhar esta subida de utentes, a empresa também se pronuncia, lembrando que, tal como o Ministro das Infraestruturas e da Habitação e o Presidente da CP já referiram em várias ocasiões, está em curso a implementação do plano estratégico para a CP, estando já concretizadas medidas que foram aprovadas em 2019 pelo governo. Estas incluem a Assinatura do Contrato de Serviço Público e a Reabertura da Oficinal de Guifões. Está também em curso a recuperação de material circulante nas oficinas CP.
Especificamente para a linha de Sintra, no âmbito do programa de recuperação de material circulante, a CP confirma que “está a trabalhar para disponibilizar, até ao final de 2020, oito automotoras elétricas para reforçar o parque de material circulante em unidades e, consequentemente, a capacidade de transporte”. A entrada em serviço destas unidades representará oito mil novos lugares adicionais aos atualmente existentes, até ao final deste ano. A recuperação dos comboios já está ser feita nas oficinas da CP, no Entroncamento.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Exposição "das Trincheiras ao Hospital"

O regresso da exposição temporária sobre o impacto da Grande Guerra nos cuidados de saúde em Portugal, incluindo sobre os ex-combatentes, agora visitável em Sintra.
Das Trincheiras ao Hospital:
Portugal, Saúde e Grande Guerra

A participação portuguesa na Grande Guerra teve consequências políticas, económicas e sociais que se sentiram nas décadas seguintes e que tiveram também um impacto na área da saúde. Através da mobilização de mais de 100 000 homens, a jovem República Portuguesa (1910) esperava obter o reconhecimento internacional e proteger as colónias africanas dos interesses britânicos e alemães.
Apesar de parecer contraditório, a Primeira Guerra Mundial despoletou um conjunto de avanços técnicos e científicos na saúde. Mas esta guerra total marcaria para sempre a vida de muitos homens, que regressaram com traumas físicos e psíquicos, e que rapidamente caíram no esquecimento.
Através de um conjunto de objectos, fotografias e vídeos, esta exposição relata este duplo impacto da Grande Guerra na saúde em Portugal.
 Comissários: Helena da Silva e José Picas do Vale
Datas: 21 de Fevereiro a 30 de Abril de 2020
Horário: 9h-17h de Segunda a Domingo, mediante marcação prévia para o email museu@isjd.pt
Localização: Museu São João de Deus (Mem Martins, Sintra)

ENTRADA LIVRE


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Medalha de Nossa Sra Natividade

Medalha de Nossa Sra Natividade, realizada por Anjos Teixeira, que se encontra no seu Museu em Sintra.