Tempo em Algueirão Mem Martins

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Numeração das Casas

A numeração por lotes e por portas pode parecer confusa porque normalmente envolve duas fases diferentes: a fase de construção e a fase em que o edifício já está concluído.


1. Numeração dos lotes
Quando um terreno é dividido para construção (um loteamento), cada parcela recebe um número de lote.
Por exemplo:
Lote 1; Lote 2; Lote 3; Lote 4
Este número identifica o terreno nos projetos, nas licenças e no registo predial. Mesmo depois de construído o prédio, continua a existir o "Lote 3", por exemplo.

2. Numeração da polícia (número da porta)
Depois de o edifício estar pronto, a câmara municipal atribui um número de polícia, que é o número da porta da rua.

Por exemplo: Lote 3 → Rua das Flores, n.º 28 
Assim, o lote continua a ser o Lote 3, mas a morada passa a ser Rua das Flores n.º 28.

Porque é que o número muda?
Há várias razões:
A rua foi prolongada e surgiram novas construções antes daquele edifício.
A câmara reorganizou a numeração para ficar sequencial. Foram unidos ou divididos lotes. Mudou o traçado da rua ou foram criadas novas vias.


Por exemplo: 
Inicialmente: Lote 5 → Rua Nova n.º 10
Anos depois, construíram-se mais casas antes dele:
Lote 5 → Rua Nova n.º 24
O lote continua a ser o mesmo, mas o número da porta mudou.

Nos apartamentos
É comum encontrar algo como: Lote 12; Rua da Liberdade, n.º 45
Fração A; Fração B; Fração C Ou seja:
Lote 12 = terreno onde o prédio foi construído.
N.º 45 = número da porta do prédio; Fração B = apartamento específico.

Em Portugal: É muito comum que documentos mais antigos (projetos de arquitetura, licenças de construção ou escrituras) mencionem apenas o lote, enquanto documentos mais recentes (cartão de cidadão, finanças, CTT) utilizem principalmente a morada com o número da polícia.

Em resumo: Lote identifica o terreno dentro de um loteamento.
Número da porta (número de polícia) identifica o edifício na rua.

O lote raramente muda, mas o número da porta pode ser alterado pela câmara municipal para manter uma numeração lógica e organizada ao longo da via.

domingo, 28 de junho de 2026

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Origem da Serra de Sintra

Há cerca de 80 a 90 milhões de anos, durante o Cretácico Superior, uma grande massa de magma ascendeu das profundezas da crosta terrestre, mas não chegou a formar um vulcão à superfície. Em vez disso, ficou aprisionada no subsolo, onde arrefeceu lentamente e originou rochas ígneas como granitos, sienitos, gabros e dioritos. 

Ao longo de milhões de anos, a erosão foi desgastando as camadas sedimentares que cobriam esse maciço magmático. Como as rochas ígneas são mais resistentes, acabaram por ficar expostas e formar o relevo elevado que hoje conhecemos como Serra de Sintra. Este processo é chamado de erosão diferencial. 


De forma simplificada:
Abertura do Atlântico → surgem falhas profundas na crosta.
O magma sobe através dessas falhas. O magma fica retido a vários quilómetros de profundidade. Arrefece e forma um grande maciço de rochas ígneas. A erosão remove as rochas que o cobriam. Surge a Serra de Sintra. 

Um facto curioso é que a Serra de Sintra é considerada um dos principais maciços ígneos de Portugal continental, juntamente com os de Monchique e Sines, todos relacionados com os mesmos fenómenos tectónicos que acompanharam a abertura do Atlântico. 

Além da sua origem geológica, a serra cria um microclima muito próprio: a humidade vinda do Atlântico condensa-se nas encostas, originando a vegetação exuberante e os frequentes nevoeiros que lhe deram o nome poético de "Monte da Lua". 

Para quem vive em Algueirão Mem Martins ou Sintra, é interessante saber que quando olha para a serra está, na prática, a olhar para o interior de uma antiga intrusão magmática que esteve enterrada sob vários quilómetros de rocha há dezenas de milhões de anos.

Fonte: Direção-Geral do Património Cultural, Universidade NOVA de Lisboa