Há cerca de 80 a 90 milhões de anos, durante o Cretácico Superior, uma grande massa de magma ascendeu das profundezas da crosta terrestre, mas não chegou a formar um vulcão à superfície. Em vez disso, ficou aprisionada no subsolo, onde arrefeceu lentamente e originou rochas ígneas como granitos, sienitos, gabros e dioritos.
Ao longo de milhões de anos, a erosão foi desgastando as camadas sedimentares que cobriam esse maciço magmático. Como as rochas ígneas são mais resistentes, acabaram por ficar expostas e formar o relevo elevado que hoje conhecemos como Serra de Sintra. Este processo é chamado de erosão diferencial.
De forma simplificada:
Abertura do Atlântico → surgem falhas profundas na crosta.
O magma sobe através dessas falhas. O magma fica retido a vários quilómetros de profundidade.
Arrefece e forma um grande maciço de rochas ígneas. A erosão remove as rochas que o cobriam. Surge a Serra de Sintra.
Um facto curioso é que a Serra de Sintra é considerada um dos principais maciços ígneos de Portugal continental, juntamente com os de Monchique e Sines, todos relacionados com os mesmos fenómenos tectónicos que acompanharam a abertura do Atlântico.
Além da sua origem geológica, a serra cria um microclima muito próprio: a humidade vinda do Atlântico condensa-se nas encostas, originando a vegetação exuberante e os frequentes nevoeiros que lhe deram o nome poético de "Monte da Lua".
Para quem vive em Algueirão Mem Martins ou Sintra, é interessante saber que quando olha para a serra está, na prática, a olhar para o interior de uma antiga intrusão magmática que esteve enterrada sob vários quilómetros de rocha há dezenas de milhões de anos.
Fonte: Direção-Geral do Património Cultural, Universidade NOVA de Lisboa
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