18/01/2015

OpiniãoAMM: Se a minha rua falasse...

Texto Célio Ramos
[Vice-presidente do Movimento de Cidadania MUDA]



D
esde sempre que vivo na freguesia de Algueirão-Mem Martins.

Mas a história da minha geração centra-se na minha rua … 

A rua que tinha a quinta “Casal dos Pintos” como ponto de encontro de todas as brincadeiras. Nessa mesma quinta por altura dos Santos Populares todos os vizinhos vinham para a rua festejar e saltar as fogueiras. A “Quinta do Butler” que servia de cenário às aventuras mais radicais.

A rua que se enchia de cor e alegria na época de natal com os balões do Srº Raul. A mercearia da Dª Florinda que tantos copos de água serviam e sempre com um sorriso na cara. A Elisa com os seus penteados arrojados e ao lado a loja de móveis que ajudava a malta a ganhar trocos para o verão.

A loja do Rato que tantos projetos de construção elaboravam. O Srº Fragoso de barba longa dominava todas as televisões a preto e branco. A mulher do Srº Silvestre com a sua retrosaria. O Srº João já nessa altura tinha o melhor bolo-rei, não só da freguesia mas sim de todo o país. No meio desta rua a escola primária que na hora do recreio tanta alegria ecoava.


Os móveis Mourão com aquela rampa incrível fazia as delícias nas corridas. A Mariazinha com os seus bouquets coloridos. A Drogaria onde aos mais novos mandávamos comprar 2,50 centavos de eletricidade em pó. 

A 1ª sede do progresso clube mesmo junto à estação com tantas atividades desportivas. E que me perdoe a Srª da Padaria Primavera por não me recordar do seu nome, aquela loja do vidro grande no final da rua que tinha sempre os cartazes de Cineteatro Chaby, que com as suas palavras carinhosas iniciava o meu dia de forma deliciosa. Dez (10) papo-seco e cinquenta (50) escudos. 


Várias gerações têm passado por esta vila e novas gerações têm-se vindo a integrar, com outras culturas e diferentes vivências. Sempre foi assim, aqui e em qualquer outro sítio, mas a freguesia de Algueirão-M. Martins, continuará a acompanhar gerações presentes e vindouras a chegar e a partir, com a esperança que um dia toda a população em conjunto, construam um local mais acolhedor e aprazível, pois todos querem sentir orgulho da terra onde moram.

6 comentários:

  1. Parabéns sr Vice Presidente Célio Ramos,
    De louvar esta nobre recordação, que toca com toda a certeza, o coração de todos os que viveram estes tempos em local tão simples, e no entanto tão especial, como eu pessoalmente posso afirmar, com uma infinita saudade.
    Já agora sr Presidente, existia uma quinta pegada com a Casal Dos Pintos, mas eu não me lembro... Recorda-se do nome ???
    Uma vez mais os meus profundos parabens !
    Bem Haja !!!!!!

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  2. Gostei muito do texto Célio, dos antigos comerciantes restam poucos, nem todos conseguiram adaptar-se aos tempos modernos na nossa rua. Nem os comerciantes, nem a maioria dos residentes.

    Os tempos antigos recordo-os com saudade, usando as palavras do nosso ilustre marinheiro Mário Sales,de louvar esta nobre recordação :)

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  3. Gostei de ler este texto sobre a minha rua. Moro aqui já fez 40 anos. Meus filhos brincaram na Quinta do Butler e naquela quinta onde repousavam os restos duma vivenda. Não sei o nome mas talvez fosse essa o Casal dos Pintos.
    Faltou mencionar neste texto a cervejaria Caroço, e o senhor Dias que fornecia a cerveja e o
    sumol para as festas dos santos populares onde os vizinhos reuniam em confraternização dançando ao som da música dum gravador.
    Gostei do texto e de recordar tudo o que aqui escreveu. Obrigada

    Mª Custódia Pereira

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  4. Se bem me lembro, a senhora da padairia primavera chama-se Antonia

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    1. O dono da padaria chamava-se Sr. Adérito e o filho José Maria

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