Tempo em Algueirão Mem Martins

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nova Estação CP Ouressa

Durante vários anos, foi comum ouvir-se em Algueirão-Mem Martins que estaria prevista a construção de uma nova estação da CP na zona de Ouressa, nas imediações da Piscina. A ideia circulava sobretudo em conversas informais entre moradores e em comentários de café, alimentando a expectativa de uma melhoria significativa na mobilidade da zona e de uma maior proximidade do comboio a bairros mais afastados da atual estação.

No entanto, com o passar do tempo, nunca surgiu qualquer confirmação oficial por parte da CP, da Câmara Municipal de Sintra ou de outras entidades públicas. Não houve apresentação de projetos, estudos técnicos divulgados, consultas públicas ou anúncios formais que sustentassem essa possibilidade. A ausência total de documentação ou comunicação institucional acabou por enfraquecer a credibilidade da história.

Tudo indica, assim, que a alegada nova estação de Algueirão-Mem Martins em Ouressa não passou de um mito urbano: uma ideia repetida e amplificada ao longo dos anos, talvez baseada em interpretações livres de planos genéricos de ordenamento ou em desejos legítimos da população, mas que nunca chegou a existir como projeto real. Hoje, é sobretudo lembrada como um exemplo de como certas narrativas locais ganham força sem nunca terem tido um fundamento oficial.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Incêndio Industrial em 1988

Foi no final do verão de 88 que deflagrou, em São Carlos, um perigoso incêndio industrial que marcou profundamente Mem Martins.



Tudo começou nos armazéns da Printer Portuguesa e rapidamente se propagou às instalações da Duraplás. Eram edifícios construídos em chapa, repletos de produtos altamente inflamáveis, circunstância que deu origem a violentas explosões e fez com que o incêndio atingisse proporções verdadeiramente alarmantes.

A Printer Portuguesa, era uma gráfica e a Duraplás uma empresa de plásticos industriais — responsável, entre outros produtos, pelo fabrico de quiosques de venda de jornais que existiam nas ruas das cidades. Aquele local tornou-se o epicentro de uma noite que muitos ainda hoje recordam. 

As explosões eram visíveis e audíveis a grande distância, iluminando o céu e fazendo tremer as casas em redor.



No combate às chamas estiveram envolvidas muitas corporações de bombeiros. Na altura, corria entre a população a ideia de que até viaturas dos bombeiros do Aeroporto de Lisboa tinham sido mobilizadas para enfrentar a dimensão do incêndio.

A Cruz Vermelha montou um hospital de campanha, tendo prestado assistência a muitas pessoas. Algumas foram encaminhadas para a SAP de Mem Martins, outras para o Hospital de Sintra e os casos mais graves para o Hospital de São José, em Lisboa.


Na manhã seguinte, o cenário era revelador da violência do fogo: chapas retorcidas, estores das vivendas em frente ao local do incêndio derretidos pelo calor intenso. 

Na época, muito se falou da má abordagem inicial ao incêndio, da falta de preparação e do desconhecimento das matérias-primas armazenadas nos armazéns.

É certo que, hoje, uma ocorrência desta natureza seria encarada de forma diferente. Mas naquela noite de 88, Mem Martins esteve perigosamente perto de viver uma grande catástrofe — uma memória que permanece viva na história local e na lembrança de quem a testemunhou.

Ainda se lembra deste dia???

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Local Hospital Sintra

Local onde hoje se localiza o Hospital de Sintra, na Cavaleira.

Ali se localiza ETAR, e a A16 estava em construção.


Lenda da Fonte do Algueirão


Diz-se que, muito antes de existirem comboios, estradas ou casais alinhadas, o lugar que hoje chamamos Algueirão era apenas campo, pinhal e pedra, encostado à serra de Sintra, onde a Lua tinha um brilho especial. Nessa época, os pastores e lavradores falavam de uma fonte escondida, de água tão clara que refletia o céu como um espelho.

A fonte nascia entre rochas cobertas de musgo, perto de uma gruta — daí, segundo os mais antigos, veio o nome Algueirão. Mas não era uma fonte comum.

Contava-se que só aparecia a quem andasse perdido, ou a quem tivesse o coração inquieto.

Numa noite húmida de verão, um jovem pastor regressava tarde a casa quando se desorientou com o nevoeiro que descia da serra. Com sede e medo, ouviu então o som de água a correr. Seguiu-o e encontrou a fonte, iluminada por uma luz, como se a lua ali repousasse.

Ao beber, sentiu um descanso profundo, mas também uma estranha clareza: viu imagens do futuro — campos transformados em ruas repletas de pessoas e crianças a brincar onde antes havia silêncio.

Quando o pastor tentou voltar à fonte no dia seguinte, nunca mais a encontrou. Mas a água nunca faltou àquela terra, mesmo nos anos de seca, aquele lugar prosperou.

Ainda hoje, dizem os mais velhos, que quando o nevoeiro cobre Algueirão ao amanhecer, a fonte volta a correr por instantes — invisível, mas presente para quem sabe escutar.