Quem passa pela Rua Artur Bual, em Mem Martins, dificilmente fica indiferente àquela construção de uma cor tão pouco habitual num templo religioso. É a conhecida “Igreja Azul”, oficialmente dedicada a Nossa Senhora da Natividade. Mas por detrás do seu azul característico existe uma história que merece ser recordada.
Um sonho antigo da comunidade
A construção da nova igreja nasceu de uma necessidade sentida durante muitos anos pela comunidade de Mem Martins. O crescimento da população tornou evidente a necessidade de um espaço de culto mais amplo, bem como de instalações destinadas à catequese, formação e atividades da comunidade. A primeira pedra foi benzida em junho de 2011, dando início a uma obra que demoraria vários anos a concretizar-se. Finalmente, no dia 3 de abril de 2016, chegou o momento tão aguardado: a nova Igreja de Nossa Senhora da Natividade foi solenemente dedicada pelo então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Foi o culminar de muitos anos de trabalho, esforços e participação da comunidade local.
Mas porquê uma igreja azul?
Esta é provavelmente a maior curiosidade deste edifício. A cor azul não foi escolhida por acaso. O projeto teve como principal autor o arquiteto Arsénio Raposo Cordeiro, sendo posteriormente concretizado com a colaboração dos arquitetos Diogo Lino Pimentel e Gonçalo Jorge.
A inspiração arquitetónica veio dos templos da antiga Babilónia. Segundo a explicação deixada pelos responsáveis pelo projeto, o azul era utilizado nesses templos para assinalar o espaço associado à presença divina. Na Igreja de Nossa Senhora da Natividade, o azul assume ainda uma segunda dimensão simbólica: está relacionado com o manto azul tradicionalmente associado às representações de Nossa Senhora. Assim, aquilo que para muitos é simplesmente “a Igreja Azul” é, na realidade, uma escolha arquitetónica carregada de significado.

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