Em setembro de 1988, um incêndio de grandes proporções na zona industrial de Mem Martins colocou bombeiros, empresas e população perante uma realidade preocupante: os riscos eram elevados, mas os meios para lhes fazer frente eram insuficientes.
A notícia,
publicada a 30 de novembro de 1988, dava conta das consequências do
incêndio ocorrido no dia 17 de setembro, que atingiu as instalações das
empresas Printer e Duraplas. O fogo destruiu duas
fábricas e provocou ferimentos em cerca de 60 bombeiros, levantando
sérias dúvidas sobre as condições de segurança existentes naquela zona
industrial.
Segundo os
relatos dos bombeiros de Algueirão-Mem Martins, o combate às chamas foi
particularmente difícil. As instalações armazenavam materiais e produtos potencialmente
perigosos e, durante a operação, chegaram a ocorrer explosões, com o
incêndio a atingir dezenas de viaturas. Mas o fogo não revelou apenas os
perigos existentes nas fábricas. Trouxe também para a primeira linha de
discussão um problema que os bombeiros já vinham denunciando: a falta de
equipamento adequado para combater incêndios industriais. A corporação de
Algueirão-Mem Martins alertava para a necessidade de meios específicos, como
máscaras, fatos de proteção e equipamentos capazes de lidar com produtos
químicos. Os bombeiros consideravam que os materiais disponíveis eram
insuficientes perante incêndios daquela dimensão.
Uma zona industrial demasiado próxima das habitações
Outro dos
grandes problemas apontados na reportagem era a localização da zona industrial.
Na época, existiam dezenas de unidades industriais e algumas
encontravam-se próximas de zonas habitacionais. Os responsáveis pelos bombeiros
manifestavam preocupação com a possibilidade de um incêndio de maiores
dimensões ultrapassar os limites das instalações industriais e atingir áreas
residenciais. A reportagem levantava, assim, uma questão que continua a ser
importante quando se fala de planeamento urbano e segurança: até que ponto é
seguro ter determinadas atividades industriais junto das zonas onde vivem
milhares de pessoas?
1.600 contos de prejuízos
Além dos riscos para as pessoas, o incêndio provocou elevados prejuízos materiais. A notícia fala em cerca de 1.600 contos de perdas nas duas fábricas atingidas. Entre o material danificado encontravam-se 11 mangueiras, 30 fatos, 200 litros de espuma, 855 litros de combustível e outros equipamentos, além de danos provocados nas viaturas utilizadas no combate ao incêndio. Para os bombeiros, porém, a questão não se resumia ao dinheiro. O episódio demonstrava a necessidade de reforçar os meios de prevenção e de combate aos incêndios industriais.
Uma notícia que ficou para a história de Mem Martins
Lida hoje,
esta reportagem é também um interessante retrato de Algueirão-Mem Martins no
final dos anos 80. A expansão industrial, o crescimento urbano e a
proximidade entre fábricas e habitações começavam a colocar novos desafios às
autoridades e às corporações de bombeiros. Mais do que
contar um incêndio, a notícia de 1988 deixa um alerta: uma tragédia pode
revelar problemas que já estavam identificados muito antes de acontecer.
Quase quatro
décadas depois, este documento de imprensa constitui uma importante memória
local e ajuda-nos a perceber como era a realidade industrial e urbana de Algueirão-Mem
Martins em 1988 — e as preocupações que já existiam nessa altura com a
segurança da população.
Fonte: recorte de imprensa, 30 de
novembro de 1988.


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